BANCADA DIRECTA

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mas que raio de sorte a nossa, para termos de aguentar com um primeiro ministro desta qualidade e teimoso qb. É que não consegue ver que o seu Governo está esgotado e a não querer antecipar da sua parte o acto eleitoral ainda o vai prejudicar mais. A si e ao seu Partido

Mas que raio de sorte a nossa, para termos de aguentar com um primeiro ministro desta qualidade e teimoso qb.
É que não consegue ver que o seu Governo está esgotado e a não querer antecipar da sua parte o acto eleitoral ainda o vai prejudicar mais.
A si e ao seu Partido

Pedro Passos Coelho, alegado primeiro-ministro, cargo de que usufrui as prerrogativas e benefícios, incapaz de autocrítica, ameaçou o país com a recusa de antecipar as eleições legislativas, assustando os portugueses com mais um ano a rebolar-se no exaurido pote.

Não estão em causa os prazos constitucionais, mas as instituições, a agonia do regime e a decadência ética do Governo que fez de Portugal um laboratório de experiências mal sucedidas, com o caos na Justiça, a Educação e Ciência em colapso e a desconfiança nos governantes igual à que Passos Coelho adicionou com as peripécias da Tecnoforma. A antecipação de eleições depende da vontade do Governo ou da decisão do PR, sendo a última uma improbabilidade e a primeira a única decisão certamente irrevogável.

Passos Coelho corre para o abismo, sabendo que não tem soluções e que, quanto mais tempo permanecer com a turma, mais hábil a agarrar o poder do que a usá-lo ao serviço do País, mais complica o OE-2016 e menos tempo deixará ao próximo Governo para o elaborar, com o calendário eleitoral a comprometer o do Orçamento. O PSD, dececionado com o PM que Marco António e Relvas inventaram, com a bênção de Cavaco, anda a lançar nomes para o substituir. Desde a ministra das Finanças até Rui Rio, nem Marco António escapa à lista dos inefáveis e putativos sucessores.

A estratégia de crescimento que teve assinalável êxito, em três anos do funesto governo da pior direita, foi no camo dos impostos, do empobrecimento e da dívida pública. O próximo Governo herda um país desmoralizado, com défice na balança de transações, emprego em extinção, acordos impossíveis de honrar e um PR impossível de recuperar.

A obstinação de quem nunca devia ter passado de vogal de junta de Freguesia e acabou PM, longe de se arrepender, insiste em fazer beber até à última gota o cálice de veneno do Governo que lhe adjudicaram e que os portugueses são obrigados a digerir.

Que raio de sorte a nossa!

Bancada Directa / Sorumbático

“Histórias do Noninoni”. Uma novela colectiva de varios escritores policiais cujo “metier literário” é descobrir autores de crimes e outras especies de ilicitos. É uma coordenação de A. Raposo e Lena.

“Histórias do Noninoni”.
Uma novela colectiva de varios escritores policiais cujo “metier literário” é descobrir autores de crimes e outras especies de ilicitos.
É uma coordenação de A. Raposo e Lena.

“Historias do Noninoni”
Episódio zero (0)
Autores: A Raposo e Lena
A equipa da TIC tentava desembaraçar-se do trânsito para chegar ao incêndio antes dos bombeiros. Era fundamental filmar as labaredas e a fumaça antes da chegada dos Voluntários.

Se chegassem antes tinham reportagem, se fossem os bombeiros era como se lhes tirassem o pão da boca. À noite a TIC teria uma bela reportagem ou um mijarete. Se fosse na Roma antiga e no tempo de Nero, teriam reportagem pela noite fora, acontece que naquele tempo ainda não havia a TIC , muito menos a cores!

O chefe repórter da TIC resmungava: Fogo sem labaredas não é espectáculo. Fumaça só faz arder os olhos. Explicações dadas por quem assistiu são uma fraca ajuda.

Assim se constrói um telejornal. Um corrupio de desastres naturais, com um ou outro assassinato, um salpico de rapto de criança. Uma inundação num lar de velhos, uma rixa de ciganos, com sangue à vista, uma “boca” de político e o ramalhete está completo. O telejornal pronto, no ponto. É só servir à hora de jantar. Acontece que a equipa da TIC estava com azar naquele dia.
Nem foram os bombeiros que estragaram o espectáculo. Eu explico: O incêndio fora num prédio antigo de dois pisos. Soalhos de madeira, tabiques de tabuinhas, sem placas de cimento. Resultado: em menos de um fósforo ardera tudo, caira o telhado e as paredes.

As chamas fortes rapidamente perderam a chama e não havia nada para filmar. Desesperado o operador de imagem olhava a cena estarrecido enquanto o repórter de microfone na mão amaldiçoava a sua sorte.

Os dois homens vencidos pelos acontecimentos olhavam encostados ao prédio em frente. Iriam ouvir um raspanete do chefe, quando regressassem ao estúdio. Porém, perto deles, ali a dois metros dois paisanos discutiam o caso.
Dizia um: - Se o cego não fosse ao colo do coxo talvez se safasse! Afirmou o outro, talvez mais intelectual: - Já dizia Ortega y Gasset “o homem é ele e a circunstância”.
O repórter arrebitou as orelhas – havia ali assunto. Voltou-se para os dois paisanos e perguntou:
- Os senhores assistiram ao fogo?
-Assistimos a tudo: disse o mais novo, peremptório. Ao repórter voltaram-lhe as cores às faces.

- Então os amigos – insistiu o repórter – podem contar realmente o que se passou?
- Ó, Yé! – Afirmaram em uníssono. Então vamos simular a coisa, os amigos ficam de costas para os destroços e contam-nos de forma breve o que se passou. É só dizer; “Claquete”, como se faz no cinema.
- Claquete – gritou o operador de imagem, deitando fora a pirisca e disparando a máquina.
- Pois nós dois vínhamos do trabalho e ao aqui chegar vimos fumo a sair de uma janela, depois chamas e o pessoal residente a sair aos repelões.
Homens, mulheres e crianças. Um espectáculo! À frente, a correr sabe Deus como vinha o coxo com o cego ao colo. O cego já tinha o cajado a arder. Lá foram – direitinhos ao lago do jardim aqui em frente.

Chegados lá atiraram-se ao lago. O azar deles é que não havia nadador salvador e o cego não tinha pé ou estava ajoelhado, a rezar, quem sabe. Quando chegou o Sr. Armando da Farmácia, já de fato de banho e boia ao pescoço era tarde. O cego boiava
– ainda de óculos escuros e bengala na mão. Porque eu acho que ele ainda via qualquer coisinha. Interrompe o repórter: então o cego era amblíope!
- Sim, sim, ele era ali ao pé de Braga (disse o paisano intelectual) Ele só gostava de vinho verde! Deve ser de Amblíope.
- Adiante – conte lá o resto. Insistiu o repórter.
- Bem depois saiu o General da Marinha e logo seguido pela amante, a menina Arlete.

O general vai lá todas as sextas-feiras (é hoje) fazer o azimute. - Quer se dizer – afirmou o outro mais novo, menos intelectual, mas mais objetivo
– Pôr a escrita em dia! O repórter não deixou passar a gaffe:
- Mas, na Marinha não há Generais!
- Ai não que não há – insistiu o contador da história.
- Então quem é que manda nos barcos? Anda tudo à rédea solta? Já lhe disse que ele era General porque tinha uma farda cheia de galões. Era sim senhor general. Se insiste com essa casmurrice não conto mais nada! Vocês é que sabem tudo, contem vocês.
- Meu caro amigo não se enxofre. Bote lá um general da Marinha.
- Ah- Bom!

Com a chegada dos bombeiros tudo mudou. Uma chuva começou a sair das agulhetas, o coxo fugiu, o cego foi levado pelo INEM, ainda de óculos escuros. Os repórteres da TIC regressaram ao estúdio. À noite, no telejornal, o anúncio de fogo não foi ilustrado com imagens. Passou em rodapé numa frase seca: Fogo em Lisboa, uma casa ardeu no Alto Pina.

Os dois amigos bem esperaram pela sua preciosa colaboração. Mas nada! Ao fim da noite, o mais letrado dos dois afirmou: Isto é tudo pessoal do norte, carago!

A. Raposo e Lena



Os autores deste episódio



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Um árbitro sem escrupulos, que deve ser banido da arbitragem europeia! Eis o senhor Sergei Karasev de seu nome. Roubou descaradamente a equipa portuguesa do Sporting CP e defraudou as legitimas certezas de um bom resultado aos seus atletas perante o Schalke 04. E assim a Champions League perde credibilidade. Porque é impossível lutar de igual para igual com equipas de países grandes

Um árbitro sem escrupulos, que deve ser banido da arbitragem europeia!
Eis o senhor Sergei Karasev de seu nome.
Roubou descaradamente a equipa portuguesa do Sporting CP e defraudou as legitimas certezas de um bom resultado aos seus atletas perante o Schalke 04.
E assim a Champions League perde credibilidade.
Porque é impossível lutar de igual para igual com equipas de países grandes

Eduardo Barroso
 
Champions League Schalke 04/Sporting CP = 4-3

"Houve dinheiro e condicionamento dos árbitros" Médico e ex-dirigente do Sporting afirma que penálti assinalado foi uma decisão premeditada.

Eduardo Barroso, antigo presidente da mesa da Assembleia Geral do Sporting, insurgiu-se esta quarta-feira contra a exibição do árbitro Sergei Karasev, que assinalou um penálti a favor do Schalke 04 já na reta final da partida de ontem e que permitiu a vitória dos alemães sobre os “leões” (4-3). “É evidente que houve dinheiro e condicionamento dos árbitros, isto não pode ser. Nós sabemos como isto é.

Não é possível cometer um erro daqueles sem ser premeditadamente. Lá estou eu com a mania das perseguições, mas a verdade é que não temos sorte com as arbitragens em Portugal e no estrangeiro”, acrescentando que Jonathan Silva, autor do penálti, “tinha a marca da bolada na cara”, afirmou em declarações à Rádio Renascença.

O antigo dirigente falou mesmo em “máfia russa no seu melhor” e explicou que este tipo de situações só prejudicam o futebol porque “não se pode acreditar no futebol”. Apesar do Sporting se encontrar no último lugar do grupo G,

Barroso acredita no apuramento do clube lisboeta para os “oitavos” da liga milionária, pois o Sporting “vai ficar em 2º lugar. Vai ganhar em casa e não perderá em Londres [diante do Chelsea]”, concluiu

Eduardo: estou contigo nas tuas opiniões
Há possibilidades de vermo-nos em breve.

“No Palco da Saudade”. Rubrica semanal de Salvador Santos e, hoje nela, recorda a figura do grande comediante Henrique Santana. É o Teatro no Bancada Directa

“No Palco da Saudade”.
Rubrica semanal de Salvador Santos e, hoje nela, recorda a figura do grande comediante Henrique Santana.
É o Teatro no Bancada Directa

“No Palco da Saudade”
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Naciconal de São João. Porto)

HENRIQUE SANTANA
O teatro de revista e a comédia ligeira não tinham segredos para ele, que escreveu, encenou, representou e produziu alguns dos melhores espectáculos do género na segunda metade do século XX.

Filho do actor Vasco Santana e da actriz Arminda Martins, sobrinho dos consagrados autores José e Luís Galhardo, neto do mestre de carpintaria teatral Henrique Santana, foi no Teatro Éden, na oficina do avô que se deixou apaixonar pelos mistérios do teatro, tinha oito anos.

O seu destino seria inevitavelmente o espectáculo, tendo-se estreado como actor quando atingiu a maioridade apesar de alguma resistência dos pais, ao mesmo tempo que se iniciava na escrita dramatúrgica, faceta essa que resultou em mais de meia centena de textos originais e inúmeras traduções de peças estrangeiras, que foram êxito comercial nos nossos palcos.
Henrique Santana era filho de outro grande actor:Vasco Santana. É caso para dizer que filho de peixe sabe nadar".

Depois de alguns textos humorísticos curtos, que mais tarde viria a utilizar nalgumas revistas, Henrique Santana escreveu a sua primeira comédia em meados de 1957, que deu a ler a seu pai com grande receio da sua opinião. Vasco Santana, depois de ler a peça, ficou tão agradavelmente surpreendido com o humor e a desenvoltura da escrita que decidiu começar de imediato a ensaiar com ela um novo espectáculo.

E foi tão rápida a sua decisão que, dois meses após a primeira leitura da peça, a sua estreia acontecia no Teatro Monumental, com o título “Um Fantasma Chamado Isabel”. A estreia do espectáculo foi um enorme sucesso, mas quis o destino que o grande Vasco Santana fosse substituído quinze dias depois, vítima de doença de fígado, tendo morrido meses depois de colapso cardíaco quando convalescia de uma intervenção cirúrgica.
Antes da sua estreia como dramaturgo, Henrique Santana tinha já feito o seu baptismo como actor, em 1948, na peça “O Melhor do Mundo”, a que se seguiram as comédias “Luta Livre, o Campeão” e “Do Céu Caiu Uma Velha”, para a empresa de Piero Bernardon. Por sua iniciativa, seria então criada poucos anos depois a Companhia Vasco Santana, por si dirigida, onde acumulava diversas funções, entre as quais a de diretor de montagem, que viria a transformar numa das mais bem-sucedidas empresas teatrais do início da década de 1950.

São de produção dessa companhia os populares espectáculos “O Conde Barão” e “O Caso Barton”, onde trabalhou pela primeira vez com a filha de Maria Matos, a também actriz e encenadora Maria Helena Matos, por quem se apaixonou e com quem viveu uma linda história de amor até ao fim dos seus dias. Após a morte de seu pai, Henrique Santana explorou cada vez mais os seus dotes de dramaturgo, assinando a autoria de muitas peças, algumas delas em parceria com Ribeirinho, como foi o caso da comédia “Três Em Lua de Mel”, que registou um sucesso extraordinário em 1961, numa produção da Companhia de Teatro Alegre, que fundou com sua mulher.

Esta peça proporcionou ao actor a sua maior digressão de sempre, entre as muitas que organizou, levando-o a quase todas as cidades do continente português, aos arquipélagos dos Açores e da Madeira e às antigas colónias de Angola e Moçambique, empreendimento que entendia ser dever de todas as companhias teatrais. Este grande sucesso popular foi também a porta de entrada de Henrique Santana na RTP, que surgira poucos anos antes.
Outro grande êxito de Henrique Santana: a peça "Aqui Há Fantasmas"

Entre esta e outras peças e os mais diversos programas de humor produzidos para a estação pública, em que participou como actor e autor, destaca-se naturalmente a transposição para o pequeno ecrã de outros dois grandes êxitos que são recorrentemente recordados no Canal RTP Memória. Referimo-nos às comédias “Aqui Há Fantasmas” e “O Gato”, ambas por ele protagonizadas, que são o melhor exemplo da sua comicidade e capacidade criativa, entretanto evidenciadas no teatro de revista onde se estreou como autor em 1960 com “Acerta o Passo”.

O teatro de revista foi, aliás, o género em que Henrique Santana mais se envolveu na recta final da sua carreira, de que destacamos quatro espectáculos entre as dezenas em que participou como actor e autor. Um deles estreou com um título e de um dia para o outro passou a designar-se de forma diferente.

Referimo-nos a “Ver, Ouvir e Calar”, que estava em cena na noite de 24 de Abril de 1974, quando a rádio emitiu a canção de Zeca Afonso que foi sinal para o arranque da mudança que o país há muito esperava. Nesse momento, um pesadelo que durava há quase meio século iria acabar, enquanto nascia e tomava forma o sonho de uma Pátria livre da opressão e do medo. E, de um dia para o outro, aquela revista passaria a chamar-se “Ver, Ouvir e… Falar”.
Uma foto para a posteridade: pai e filho

Os outros três espectáculos que elegemos com as melhores criações de Henrique Santana no teatro de revista são “Até Parece Mentira”, “Força, Força, Camarada Zé” (onde interpretou a excelente rábula “A Visita da Velha Senhora”, que não era senão uma velha autoritária e agressiva que dava pelo nome de Dona Reação…) e “Não Há Nada Para Ninguém”, que esgotaram lotações durante largos meses no Teatro Maria Vitória.

Em 1993, escreveu um livro dedicado a seu pai, chamado “A Gaveta dos Manguitos”, onde, com muito humor e mal dizer, contou histórias da sua vida; vida que seria bruscamente interrompida, aos 71 anos, em 1 de Julho de 1995, um ano depois de ter sido agraciado pelo Presidente da República com a Ordem de Sant’Iago da Espada.

Salvador Santos
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2014. 10. 21

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Depois de dar quatro voltas ao mundo a passear neste ano de 2014, Nuno Crato enfrenta agora o doloroso caminho da sua recta final como ministro.. Mais do que certo!.....

Depois de dar quatro voltas ao mundo a passear neste ano de 2014, Nuno Crato enfrenta agora o doloroso caminho da sua recta final como ministro.
Mais do que certo!.....

No trágico legado de Nuno Crato evidencia-se o desamparo da escola pública.

O ainda ministro, e escrevi-o antes de o ser, revelava duas características decisivas: desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia (penso eu), ao lado pior das cooperativas de ensino.

Está tudo, infelizmente, comprovado. O desconhecimento do sistema escolar levou-o a não defender a escola pública dos preconceitos e das inverdades da forte agenda "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos".

Nunca se tinha visto um ministro assim e mais ainda num tempo de troika com a escola pública como alvo primeiro duma administração central controlada por "gaspares e rosalinos".

  Os preconceitos de Crato levaram-nos a deixar em roda livre o tal núcleo das cooperativas que, por manifesta incompetência técnica, derrubou a pouca credibilidade que restava a Nuno Crato. Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

Este texto é da autoria do Dr.  Paulo Trilho Prudencio  (Correntes)

Incompetente até dizer chega. Mas é um ás a viajar de avião em grande escala. Crato acusado de viajar em demasia quando o seu ministério vivia momentos de crise. Rir-se-à quando deixar a função

Incompetente até dizer chega.
Mas é um ás a viajar de avião em grande escala.
Crato acusado de viajar em demasia quando o seu ministério vivia momentos de crise.
Rir-se-à quando deixar a função

As ausências do ministro da Educação no estrangeiro são motivo de crítica interna no Governo.

Em plena crise da colocação dos professores, o facto de Nuno Crato ter saído do país - para participar num encontro informal, em Milão, sobre Telecomunicações - levantou vários sobrolhos ministeriais. Com o Ministério a arder, foi considerada "estranha" a ausência do "responsável político" por um dos piores arranques do ano letivo da história.

A viagem a Itália apanhou de surpresa a própria equipa da Educação. E, dentro do próprio Governo, houve quem questionasse Crato sobre a necessidade de manter a deslocação, sobretudo quando esta coincidia com o arranque da segunda tentativa de colocação de professores, depois do desastre ocorrido com o primeiro concurso.

Em vésperas de um dia D, a saída do ministro para o estrangeiro caiu mal. Mas Crato não cedeu e foi mesmo para Milão. As críticas às ausências de Crato não são, porém, de agora. Em plena sétima avaliação com a troika, quando o Governo preparava o corte de 4 mil milhões de euros na despesa, o ministro foi criticado por fazer "uma autêntica volta ao mundo".
Esteve no Chile, no Brasil e na China, numa ausência que se estendeu por três semanas. As Finanças não esconderam o seu desagrado por não poderem contar, nos trabalhos de preparação dos cortes, com o responsável do Ministério com maior peso na despesa com pessoal de toda a Administração Pública.

A equipa de Vítor Gaspar ficou "furiosa" e, na altura, fê-lo saber. Preparava cortes e programas especiais de rescisão de funcionários e o ministro que representa um quinto dos trabalhadores no Estado estava fora. Pior, as notícias mostravam-no a inaugurar um radiotelescópio a "2635 m de altitude", o que lhe permitiu observar "a região desértica e um pôr do sol único".

sábado, 18 de outubro de 2014

A minha cronica de Fim-de-semana. É um caso de ter vertigens ou não….Antonio Pedro Vasconcelos diz que os seus “Os gatos não têm vertigens”. Certo e concordo. Mas o meu gato, o senhor Neves, só tem vertigens no regresso a casa, porque na ida tudo bem. É um caso de uma má (ou boa) influencia feminina para saltar da varanda.

A minha cronica de Fim-de-semana.
É um caso de ter vertigens ou não….
Antonio Pedro Vasconcelos diz que os seus “Os gatos não têm vertigens”. Certo e concordo.
Mas o meu gato, o senhor Neves, só tem vertigens no regresso a casa, porque na ida tudo bem.
É um caso de uma má (ou boa) influencia feminina para saltar da varanda.

Eu conto a historia com mais ou menos salero da minha vizinha roquetana. É a Consuelo, nome igual ao que usam as muitas espanholitas andaluces. Já “senhor Neves” é um apelido nada comum a um gato de origem asiática, mas não tão parvo assim.

Gosta do que é bom e atraente tal como a Consuelo. E é correspondido. Também não sei qual o tipo de comida que ela lhe dá, mas que ele gosta lá isso é verdade. Vem sempre a lamber-se. E eu fico admirado com tanta traição na nossa amizade. A minha mulher ri-se com graça. Diz ela que o gato tem amigas brancas e loiras e eu tenho amigas negras de pele e cabelo caídos até à cintura.
Senhor Neves. Em carne e osso. Com vertigens no regresso a casa. Na ida tudo bem. A Consuelo espera-o

A minha varanda dista uns dois metros da da minha vizinha. Como a varanda é virada a norte, mais protegida pela chuva vinda do meridião e que é muito comum entre Abril e Julho, é lá que está o caixote das necessidades do gato e uma das portas da varanda está sempre entreaberta. De noite o bichano dorme na cozinha, quando se lembra de ficar em casa.

As varandas situam-se no 7º piso e um salto de 2 metros de distancia é um figo para o senhor Neves. E ele quando salta da minha varanda para a da Consuelo vertigens é uma coisa que ele não tem. Os cristais existentes no cerebro bastante desenvolvido nos gatos, ficam indiferentes ao salto do senhor Neves. O pior é quando ele quer regressar pelo mesmo caminho.

Aqui já funciona o sindrome de Prosper Meniére, os cristais bailam quando ele mede a altura, os ouvidos a estalarem de uma surdez agressiva e a sua cabeça gira tanto como a roda do programa “O Preço Certo”.

Naturalmente não regressa a casa. A Consuelo ouve os seus miados de desespero, recolhe-o e só o entrega depois da minha mulher ir lá falar com ela. Eu não tenho ordem. Não vá eu ter alguma vertigem……..
Uma vez quando a minha mulher lá foi buscar o gato, a Consuelo mandou-a entrar e pensou que o bichano estava na varanda. Qual foi o seu espanto quando passou pelo quarto de dormir e viu que a cama ainda estava desfeita e o senhor Neves dormia todo descansado no meio dos lençóis. Posteriormente a Consuelo contactou-me para ver se eu lhe vendia o senhor Neves. Claro que eu recusei.

O senhor Neves já não vai voltar a Roquetas. Vai ficar hospedado num hotel canil/gatil na Ericeira quando eu estiver ausente. Não morre pela certa pelo exiguo tamanho da jaula.

Com respeito à Consuelo também eu gostava de ter vertigens quando regressasse de sua casa.

Se ele tivesse, não digo vergonha na cara, mas sim um pouco de caracter e ética, mandava tudo para as urtigas: Passos, Coligação, Luisinha da cara magra (só) e tudo o que lhe liga a esta governação que só envergonha os militantes do CDS

Era, melhor, é inevitável.
O que é que ele estava à espera?
Depois de tantas cambalhotas

Por estas terras e gentes minhotas de que eu tanto gosto. A nossa selecção de eventos que vão decorrer a partir deste Sabado.

O Desporto (?) no Bancada Directa. Se o homem for atacado no Dragão é a mesma coisa que faz o OE2015 aos portugueses.. Também não é precisio chegar a tanto. Deixem lá viver o homem. Os sportinguistas também têm que se divertir com alguém



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Vila de Mafra. No próximo dia de São Martinho a água-pé será a rainha das comemorações tradicionais. Mas hoje vamos falar da “Revolução da água-pé” no seu 1º centenário. Um evento cultural a ter lugar amanhã na Sala Diana do Palácio Nacional de Mafra. 15 horas. 2014. 10. 18

Vila de Mafra.
No próximo dia de São Martinho a água-pé será a rainha das comemorações tradicionais.
Mas hoje vamos falar da “Revolução da água-pé” no seu 1º cemtenário.
Um evento cultural a ter lugar amanhã na Sala Diana do Palácio Nacional de Mafra.
15 horas. 2014. 10. 18

EVOCAÇÃO DO 1.º CENTENÁRIO DA REVOLTA DA ÁGUA-PÉ

Numa organização da Câmara Municipal de Mafra, José Medeiros e João Azeiteiro apresentam uma conferência, alusiva à "Revolta da Água-Pé", no dia 18 de Outubro, pelas 15 horas, na Sala de Diana do Palácio Nacional de Mafra.

A entrada é gratuita. Destinatários: Público em geral.

A Revolta da Água-Pé insere-se num contexto de movimentos e incursões monárquicas cujo objectivo era derrubar a República, regime político recém-implantado em Portugal a 5 de Outubro de 1910.
A "intentona" de Mafra, popularmente intitulada de "Revolta da Água-Pé", ocorreu a 20 de Outubro de 1914, tendo sido judicialmente implicados 68 réus, entre os quais ilustres personalidades mafrenses, com sentença proferida pelo Tribunal Militar de Mafra no dia 9 de Janeiro de 1915.

Os presos políticos da "conspirata realista" estiveram detidos na cadeia do Tribunal da Comarca de Mafra, ao tempo sediada no Palácio Nacional de Mafra.

PROGRAMA

José Medeiros "Duas famílias no contexto da Revolta da Água-Pé".
João Azeiteiro "Monárquicos e republicanos de Mafra na conjuntura da Revolta da Água-Pé".

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Avé Maria Luís eu te saúdo! Deste ao portugueses com o teu Orçamento 2015 uma mão cheia de nada. E andaste a estudar tanto e a dar aulas de economia para isto! Em nome do Pai (PR), do Filho (PM) e do Espirito Santto ( aqui já é loiça da fina)

Avé Maria Luís eu te saúdo!
Deste ao portugueses com o teu Orçamento 2015 uma mão cheia de nada.
E andaste a estudar tanto e a dar aulas de economia para isto!
Em nome do Pai (PR), do Filho (PM) e do Espirito Santto ( aqui já é loiça da fina)

Há muito que o Orçamento do Estado deixou de ser o que sempre havia sido: o principal instrumento de política económica do Governo. Mas nunca foi tão vazio, e nisso inútil, como este.

Nunca vi coisa assim: uma reforma fiscal ficar fora do Orçamento. Ao dizer que não faz mal, pois basta que os números do IRS e da fiscalidade verde batam certo, a ministra das Finanças está a confessar que o Orçamento não é resultado de políticas públicas. É uma folha de caixa que as define. E ainda há quem ache isto normal.
Uma mão cheia de nada (1)

É só promessas para outros suportarem A receita do IRS e do IVA tem que crescer 6,4% para que a sobretaxa de IRS seja devolvida na totalidade às famílias portuguesas. Ou seja, somados os dois impostos têm que gerar pelo menos mais 1700 milhões de euros além dos 26,7 mil milhões estimados para o fecho de 2014, para que os 3,5% de sobretaxa sejam devolvidos na íntegra.

Ou seja, estes 1700 milhões cobrem os 946,7 milhões de euros que o Governo estima que a receita fiscal cresça de 2014 para 2015 e os 760 milhões de euros que valerá, em 2014 (estas contas não estão ainda fechadas), a sobretaxa de IRS para os cofres do Estado. O Governo apresentou três cenários para ilustrar o que pode vir a acontecer com a sobretaxa.

Nos cálculos mais otimistas, a receita do IVA e do IRS é posta a crescer 770 milhões de euros acima do orçamento para 2015, mais dez milhões do que a receita que a sobretaxa irá gerar em 2014. Este 'crédito fiscal' só será operacionalizado em 2016 através de um reembolso, refere o Executivo.

E o PS depois que pague!

Uma mão cheia de nada (2)
Fim da cláusula de salvaguarda dita aumento do IMI em 2015 O Governo estima um crescimento de 10,1% para a receita de IMI cobrada em 2015, que deverá atingir 1,632 mil milhões de euros, face aos 1,482 mil milhões de 2014.

A factura de imposto municipal sobre imóveis (IMI) pode vir a aumentar para muitas famílias portuguesas em 2015. Esta é uma das más notícias inscritas na proposta do Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), já que o documento não faz qualquer referência à cláusula de salvaguarda que impediu nos últimos anos aumentos significativos deste imposto.

Assim, confirma-se que 2014 terá sido o último ano em que vigorou esta medida. O Governo estima um crescimento de 10,1% para a receita de IMI cobrada em 2015, que deverá atingir 1,632 mil milhões de euros, face aos 1,482 mil milhões de 2014.

Em 2013 tinha sido 1,306 mil milhões. No total, as receitas fiscais da administração local (que abrange, além do IMI, o IMT - Imposto Municipal sobre Transações) deverão crescer, em 2015, 7,4%, para 2,702 mil milhões.

Uma mão cheia de nada (3)

Ambiente e Economia vencem no aumento da despesa, Agricultura e Educação lideram cortes A análise aos ministérios que saem mais e menos penalizados com o Orçamento do Estado para 2015, que já foi apresentado ao país

Uma mão cheia de nada (4)
Electricidade aumenta quase cinco vezes mais que a inflação em 2015 A electricidade vai subir 3,3% para quase três milhões de clientes. Para os cerca de 500 mil novos beneficiários da tarifa social agora criada pelo Governo, a variação será de -14%.

Uma mão cheia de nada (5)
OE 2015.
Função Publica. Redução de efectivos, contenção salarial e requalificação valem 333 milhões de euros Proposta do OE 2015 antecipa uma redução global das despesas com pessoal na ordem dos 333 milhões de euros por esta via.

Uma mão cheia de nada (6)

Despesa fiscal está subavaliada, alerta o Tribunal de Contas Auditoria diz que Conta Geral do Estado de 2012 não reflete o total dos benefícios fiscais, nomeadamente €1045 milhões dados às SGPS.

Vêm por aí as “Historias do Noninoni" numa epopeia colectiva de escritores policiais modelados pelo “sistema fidalgote” que os ficciona no dia a dia e a que Bancada Directa dá expressão.

Vêm por aí as “Historias do Noninoni" numa epopeia colectiva de escritores policiais modelados pelo “sistema fidalgote” que os ficciona no dia a dia e a que Bancada Directa dá expressão.
Ora vamos lá começar pelo texto de apresentação ideária do coordenador A. Raposo & Lena.

UMA PROPOSTA HONESTA

Aproxima-se o Natal. (Dlim, dlom) Estava agora mesmo a pensar numa prenda para lhe oferecer. Mas, a vida está pela hora da morte e o País um fio-dental. Cogito ergo sum – melhor: Dubito, ergo cogito,ergo sum. Tradução livre: Duvido que o Sporting ganhe o campeonato.

Resumindo e abreviando: pensei que podíamos juntar de novo a equipa vencedora das histórias policiarias escritas a várias mãos, deste vez reforçada com a presença dos grandes escritores da Fonte Boa da Brincosa: Bufalos Associados, de quem estamos batendo à porta.(toc,toc).
Apresentamos aos leitores do Bancada Directa o coordenador das "Historias do Naninoni"

E qual irá ser o tema base? Será o “ Naninoni “ ( ruído feito pelas ambulâncias e reproduzido pelas crianças). Ver anexo o número “zero” da história, já pronta para ser editada, da nossa autoria.

Pois o nosso tema-base será uma ambulância (serve as do 112) e uma deslocação a um local de crime, acidente, vendaval, tufão, à vossa escolha. Convém meter pelo meio a sempre oportuna crítica social.
É uma possibilidade de acontecer. Mas como diz o coordenador doi ao principio mas depois a dor passa

Uma pitada de humor e um cheirinho de crítica à política. Uma chicotada nas instituições é sempre bem vinda. Os personagens serão à vontade do freguês. Não se aceita português vernáculo nem ofensas aos antepassados. Um crime é bem acolhido. Um roubo ou até uma facada nas costas, porque dói mas depois passa.

Um abraço
A. Raposo & Lena

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

“Teatro no Bancada Directa” apresentando a rubrica de Salvador Santos “No Palco da Saudade”.

O “Teatro no Bancada Directa” apresentando a rubrica de Salvador Santos “No Palco da Saudade”.
Hoje vem à nossa memória a figura de Gilberto Gonçalves.
Um grande nome do teatro das relações do Ralas, do Vinas, do Selvas e do Jaças. Era a Guilherme Cossoul dos bons velhos tempos…Ali na Madragôa

“No Palco da Saudade”
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto)

GILBERTO GONÇALVES

Gigi foi o seu "petit nom".

Era assim que o tratavam Ralas (Raul Solnado), Vinas (José Viana), Selvas (Varela Silva) e Jaças (Jacinto Ramos), quatro dos seus amigos e camaradas do grupo de teatro da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, popular colectividade de intervenção cultural e cívica de Lisboa que, para além de alfabetizar cidadãos e de prestar ensinamentos sobre os mais diversos ofícios, formou actores, encenadores, dramaturgos, cenógrafos e técnicos de cena, faceta que lhe valeu o título de “Conservatório da Esperança” durante as décadas de 1940/60.

Foi lá que estes cinco amigos despontaram para o teatro, sendo Gigi considerado na altura pelos próprios como o melhor de todos eles, pela sua comicidade, pelo seu sentido perfeito dos tempos, pela sua excelente verve dramática e pela humanidade que transparecia em cena.

Ainda muito novo e com um enorme talento, Gilberto Gonçalves, que era apontado como uma grande promessa, foi aconselhado por insignes actores da época a frequentar o Curso de Teatro do Conservatório Nacional. Ficou por lá até ao exame final. Saiu exactamente nessa altura, quando o proibiram de representar o texto escolhido, por razões políticas.
De orgulho ferido, atingido na sua dignidade moral e consciência política, decidiu virar as costas à grande paixão pelo teatro e foi trabalhar para o Arsenal do Alfeite, em Almada. O trabalho braçal era coisa que conhecia desde os quinze anos e não havia emprego que considerasse menos digno, regressando por assim dizer às suas origens de operário. Só voltou de novo aos palcos em 1968, já com 46 anos, a convite do seu amigo Raul Solnado, quando este construiu o Teatro Villaret.

Foi um regresso muito saudado pelos amigos, que o acolheram com uma comovente salva de palmas aquando da estreia de “Querida Mulatinha” de François Campaux, espectáculo que esteve em cena durante largos meses com lotações esgotadas no Teatro Villaret, depois uma primeira série de apresentações no Teatro São João, no Porto, onde Gilberto Gonçalves comprovou que quem sabe nunca esquece, embora denotasse um certo e compreensível nervosismo apenas comum nos estreantes.

Aquela peça, protagonizada pela prestigiada actriz brasileira Iolanda Braga, que colocava em confronto o mundo primitivo e o mundo urbano, o choque de valores entre ambos e o deslumbramento recíproco, com uma rodada de sorte para bem de todos os males, marcou uma grande reviravolta na vida do actor que um dia escolheu ser operário.
O PARQUE de Botho Strauss.. Tradução Alberto Pimenta. Encenação Stephan Stroux.
Director de cena Luis Miguel Cintra . Gilberto Gonçalves interpretou o papel de Oberon/Secundino. Lisboa: Teatro do Bairro Alto. Estreia: 08/01/1985. 47 representações. Companhia subsidiada pelo Ministério da Cultura . Espectáculo com o apoio especial do Instituto Alemão em Portugal
 
A partir daí, o actor percorreu inúmeras companhias e grupos de teatro, prestou colaboração quase ininterrupta na rádio até aos anos 1980, deu o seu notável contributo em diversos programas de televisão e desenvolveu um interessante trabalho no cinema.

Dos filmes em que participou o destaque vai naturalmente para “O Convento” do veterano Manoel de Oliveira, onde contracenou com Catherine Deneuve, John Malkovich e Luís Miguel Cintra, actor por quem nutria uma profunda admiração desde que o viu pela primeira vez em cena nos primórdios do Teatro da Cornucópia, grupo que tinha o secreto desejo de vir a integrar como actor residente.

Foi, por isso, que recebeu com um grande e indisfarçável regozijo esse convite, decorria o ano de 1976. O facto de se integrar, a seguir à Revolução de Abril, num grupo de gente mais nova e num projeto que passou a defender como inovador, profissional e de esquerda, parecia que o compensava da sua precocemente interrompida carreira de actor.


SIMPATIA. Escola de Dramaturgia de Florença dirigida por Eduardo De Filippo

Tradução e encenação Luis Miguel Cintra . O actor Gilberto Gonçalves interrpretou o papel de Salvador, o guarda-livros.. Lisboa:Teatro do Bairro Alto. Estreia: 06/07/1984. 66 representações. Companhia subsidiada pelo Ministério da Cultura

No Teatro da Cornucópia, Gilberto Gonçalves começou por fazer o Juiz de “Ah Q” de Jean Jourdheuil e Bernard Chartreux, a que se seguiram as mais diversas personagens em trinta e oito espectáculos, de que recordamos como as mais bem conseguidas e felizes o seu guarda-livros Salvador de “Simpatia” de Eduardo de Filippo, o ator de “Catástrofe” de Samuel Beckett, o filósofo de “À Saída” de Pirandello, a consciência política de “Mauser” de Heiner Müller ou o criado de “O Público” de Federico García Lorca.

Há vinte e um anos, numa tarde de 1993, quando ensaiava “A Mula, o Clérigo, o Alfaiate e Outras Lamentações”, a partir de textos dramáticos do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, um pequeno espectáculo muito bem cuidado e destinado ao público escolar, por sinal o género de projecto que o entusiasmava, defensor que era de um teatro entendido como serviço público, Gilberto Gonçalves parou bruscamente o ensaio, após alguns lapsos de memória, e disse: «Desculpem meus amigos, eu vou para casa. Já não consigo».

Foi nessa tarde, e com a mesma discrição e o mesmo profissionalismo de sempre, um respeito e um amor pelo teatro pouco vulgar entre nós, que decidiu que já não estava à altura das exigências profissionais e que a sua carreira de actor acabava ali. Gilberto Gonçalves, o Gigi, nunca mais fez teatro. Continuou a marcar presença em todas as estreias da Cornucópia, escondendo uma ferida muito grande, um grande desgosto de envelhecer, abraçando sempre Luís Miguel Cintra de lágrimas nos olhos. A partir de 2008 deixou de aparecer.
Por estas instalações da Marinha, Gilberto Gonçalves desenvolveu a sua vida como operário

A 20 de agosto de 2012, com 91 anos, deixou-nos. «O meu pai amava o teatro com toda a paixão, e os actores mais novos reconheciam-no como um actor de muita experiência e sempre pronto a passar os seus conhecimentos de uma forma desinteressada», disse o filho na hora da despedida. Uma grande verdade

Salvador Santos .
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2014. Outubro 12

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Para este Governo isto já está pela hora da despedida. Já nem receiam o descontentamento popular em ano de eleições. Já contam perder as Legislativas e seja o que Deus quiser. Por isso vai continuar a austeridade em 2015. E Bruxelas ainda quer cortes adicionais.

Para este Governo isto já está pela hora da despedida.
Já nem receiam o descontentamento popularem ano de eleições. Já contam perder as Legislativas e seja o que Deus quiser.
Por isso vai continuar a austeridade em 2015.
E Bruxelas ainda quer cortes adicionais.
18 horas  para quê? Nada para beneficiar o cidadão comum. A montanha pariu um rato

Fim-de-semana de Orçamento do primeiro ano de eleições das próximas duas décadas de austeridade acordadas entre os três partidos que também assinaram o memorando da nossa desgraça.

A comunicação social plantou-se à porta do local onde decorria o Conselho de Ministros de onde sairia algum documento com novidades. As não notícias iam saindo, umas que iria haver redução da sobretaxa de IRS, outras que não iria haver qualquer redução.
Eles bem disfarçam, mas as diferenças entre ambos sobre moderação fiscal são bem evidentes

Dezoito horas depois, sim, dezoito, o número foi feito para transpirar uma imagem de árduo labor num Sábado roubado ao lazer e à família, lá foi revelada a versão final, já com a atenção geral exaurida com tanta algazarra, completamente absorvida no desenlace de mais este mistério e sem energias para reparar em mais nada.

Dezoito horas depois, o Orçamento era aquilo e só aquilo, o sim ou o não a uma redução de IRS que para a grande maioria não se materializará em mais do que meia dúzia de euros. E nem foi sim, nem foi não: foi será se. Será sim se a economia o permitir e a ser sim apenas o será em 2016. Ou seja, será não.

O que importa retirar de todo este enredo, e ainda não lhe conhecemos os detalhes mais sórdidos, é que na vigência do Tratado Orçamental a austeridade selectiva não abranda nem mesmo em ano de eleições. E reforço o selectiva: foi anunciada nova redução do IRC para já e não para depois.
Ao não demitir este ministro é bem elucidativo de que a sina está lida e nem vale a pena mudar nada.

Continuar a sobrecarregar com impostos os rendimentos do trabalho e aliviar a carga fiscal às grandes empresas. Concentração de riqueza. As sondagens contam votos suficientes para mudar a cor ao espremedor e mantê-lo a funcionar. Pior ainda é possível. Fica para depois das eleições.

No dia seguinte: A Comissão Europeia considera que o Governo tem de apresentar medidas adicionais no Orçamento do Estado para 2015, que substituam as chumbadas pelo Tribunal Constitucional, para que consiga reduzir o défice para o compromisso de 2,5% do PIB

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Será que o meu bichano, o senhor Neves, também terá vertigens? Será que é um gato arrancado à normalidade da vida? Tem indicios disso…..Antonio Pedro Vasconcelos no seu trabalho Os Gatos Não Têm Vertigens” dá-nos a presunção que o filme terá um final trágico qb, mas optou pela choradeira popular e tudo acabou em bem. Ninguém esperava por este “the end” mas é assim a vida. Mas o meu amigo Pedro pode ter a certeza de que o Senhor Neves, o meu gato, não tem mesmo vertigens!



Será que o meu bichano, o senhor Neves, também terá vertigens?
Será que é um gato arrancado à normalidade da vida?
Tem indicios disso…..Antonio Pedro Vasconcelos no seu trabalho "Os Gatos Não Têm Vertigens” dá-nos a presunção que o filme terá um final trágico qb, mas optou pela choradeira popular e tudo acabou em bem.

Ninguém esperava por este “the end” mas é assim a vida. Mas o meu amigo Pedro pode ter a certeza de que o Senhor Neves, o meu gato, não tem mesmo vertigens! O filme durou mais de hora e meia. Foi bem empregue o meu tempo sentado numa cadeira que rangia quando eu me mexia.

A deliquencia juvenil, sem ponta por onde se lhe pegue, a sociedade portuguesa analisada por baixo com os seus dramas familiares negativos e uma reflexão benigna sobre a solidão dos idosos encheram-me os olhos e os ouvidos Uma amizade estranha entre uma nulher já viuva e entradota nos "setentas e ans" com um rapazote mais novo cinquenta e cinco anos  e que  procura algo na vida que não a marginalidade, está bem congeminada e o improvavel da relação é tido como ponto assente.

Antonio Pedro Vasconcelos consegue-nos meter na trama. Esperei o pior. Mas não aconteceu. Como em tudo na vida, quando se tem um pouco de sorte (tão dificil nos dias de hoje) um pessoa pode passar de um marginal assumido com duvidas e transformar-se num homem de sucesso. E por cima ainda arranja uma namorada nova, bonita e com uma situação muito privilegiada para o seu “status quo"
E os velhos continuarão a serem velhos com a sua solidão sempre presente, quem se dedica a ser marginal continuará a sê-lo. E mesmo que eu não tenha onde passar a noite e me encontre num local com uma vista magnifica sobre esta Lisboa a vida não terá de ser um encanto e uma maravilha.

Antonio Pedro Vasconcemos cedeu às exigencias de mercado para conseguir que o seu “gato” seja um sucesso. Poderia ter feito melhor com um final diferente.

Porque considero que “os gatos não têm vertigens” é um filme sério e onde a gente passa por emoções de uma desenraização desta sociedade cruel não me levou nada a gostar deste final banalissimo.
Quando cheguei a casa dei comigo a idealizar outro final para o filme. Os espectadores mereciam-no Assim não restam duvidas: não é o meu gato, o senhor Neves, que terá vertigens. Somos nós que esperávamos outro final e levámos com aquela sensaboria tão já vista em finais felizes

Adriano Rui Ribeiro

Obrigado Pela Sua Visita !