BANCADA DIRECTA

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A chuva e o nevoeiro têm feito parte de varias etapas de "La Vuelta 2014". Ontem em Aveiro a miséria foi tão grande que o mais denso nevoeiro que se possa imaginar não apagará tão triste exibição.

A chuva e o nevoeiro têm feito parte de varias etapas de "La Vuelta 2014".

Ontem em Aveiro a miséria foi tão grande que o mais denso nevoeiro que se possa imaginar não apagará tão triste exibição da equipa de todos nós.

Mas desta maneira minha é que não será!........


Na foto em baixo vê-se uma catrefa de bikes a seguirem para um destino refuguento

O mesmo deveria acontecer com os incompetentes que andam a ganhar balúrdios na FPF


O naufrágio da “nau socialista”. Pretextando uma historia infantil o nosso cronista Antonio Raposo pôe o dedo numa ferida “pseudo socialista” que demorará a cicatrizar.

O naufrágio da “nau socialista”. Pretextando uma historia infantil o nosso cronista Antonio Raposo pôe o dedo numa ferida “pseudo socialista” que demorará a cicatrizar. 

Uma crónica de Antonio Raposo

A NAU SOCIALISTA 

 Esta é uma história infantil, sem graça nenhuma, diga-se de passagem, e que só interessa às crianças exactamente porque dada a tenra idade e à grande carga de ingenuidade que ainda carregam são capazes de entender estes jogos de poder que os adultos trasfegam. 

Era uma vez uma Nau, grande nau, maior a tormenta, já lá dizia o nosso maior poeta, a abarrotar de gente – a grande maioria despolitizada – funcionando no seu voto pela cara do pretendente. 

Tudo gente que sabe que votando neles – em qualquer um deles – tudo mudará para ficar na mesma. 

Pois acontece que a grande Nau do Partido levou um balázio em tempos (já lá vão quase 3 anos ) na linha de água e acabou deixando cair ao mar um tal de Sócrates que acabou emigrando antes do Passos mandar o pessoal sair para o estrangeiro. 

A bala perfurou o tombadilho e a nau começou a meter água e a adornar. O António bem “ segurava” na tábua de salvação e tentava tapar o buraco. Pior a emenda que o soneto. Os estudos de audiência não ajudavam… 

O António era “seguro” na condução de viaturas ligeiras mas aquela nau era muito difícil de governar: tinha muitos ratos que logo a seguir ruíam mais tábuas. 
 Acontece que a maioria do pessoal constatou que este António não era assim tão seguro como parecia. Vestia bem, andava bem barbeado mas quando começava a falar de política tinha alguma dificuldade em ser ouvido porque era muito monocórdico. 

Articulava bem mas não animava a malta! Será porque não tinha nada para dizer? – Vá-se lá saber! Entretanto salta do tombadilho do lado incólume um rapaz moreno e de aparência inteligente e culto. Simpático. Não tão bonito, mas mais bonacheirão e comunicativo. 

E o barco começa a virar a estibordo, onde não havia rombo. Disseram-me agora, mas tenho muita dificuldade em entender: os ratos estão todos aos poucos a mudar de bordo. E nós tiramos desta história infantil uma moral: 

 Meu filho junta-te sempre àqueles que te parece que vão ganhar – é bom para o teu próprio futuro político. 

Antonio Raposo 
Lisboa. 2014. Setembro. 07

domingo, 7 de setembro de 2014

O colapso do BES. "O Poema" da autoria de Carlos Drummond de Andrade dá para o jornalista Henrique Monteiro glosar o tema num artigo de opinião

O colapso do BES. 
"O Poema" da autoria de Carlos Drummond de Andrade dá para o jornalista Henrique Monteiro glosar o tema num artigo de opinião

Ricardo Salgado tem como grande amigo Proença de Carvalho, que é advogado de Sócrates que tinha como ministro Manuel Pinho que era da administração do BES, como Salgado. 

Ou Ricardo Salgado tinha como quadro destacado Rita Cabral, mulher de Marcelo Rebelo de Sousa, Conselheiro de Estado nomeado por Cavaco Silva que é amigo de Eduardo Catroga, chairman da EDP, empresa comprada pelos chineses que tem como CEO António Mexia, o qual é amigo de Salgado e começou a sua carreira no grupo, na ESSI. 

Ou, ainda, Salgado tinha como sócio, em Angola, Álvaro Sobrinho, que é irmão de Sílvio Madaleno, que é o patrão dos jornais "Sol" e "I" e em tempos quis comprar a RTP. Parece que estes zangaram-se. Mas a amizade perdura, ao que se sabe, com Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, principais chefes da Ongoing que detém empresas em Portugal e no Brasil, além de se dedicarem à caça de talentos e á sua colocação em várias empresas e serem donos do "Diário Económico" e do Económico TV. 

Acima de tudo, têm quase 10% da PT, sendo que Salgado tinha quase outro tanto e, por essa via, eram todos amigos de Granadeiro e de Zeinal Bava, que mandam na PT, emprestam dinheiro a Salgado e fizeram uma frente para impedir que Belmiro comprasse a telefónica que, na altura, era nacional e tinha uma Golden Share do Estado, com quem Salgado se aliou. 

 Esperando que ninguém morra de desastre nem se suicide, sabendo que tias existem suficientes na história, resta saber quem pode ser o tal J. Pinto Fernandes. As hipóteses são escassas. Drummond decidiu batizar o seu poema com o nome "Quadrilha", uma dança e contradança em que todos os participantes se cruzam e entrecruzam. 

Em Portugal também é assim...e não só em casos amorosos, também nos negócios.



O Poema "Quadrilha"

Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro genial, tem um poema fabuloso intitulado " Quadrilha". 
Sem querer fazer concorrência desleal a Nicolau Santos, aqui o deixo publicado para que possamos glosá-lo.

"João amava Teresa 
que amava Raimundo
que amava Maria 
que amava Joaquim 
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos. 
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre. 
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

sábado, 6 de setembro de 2014

A Ucrania dos nossos dias vive um dilema muito complexo. (2) É ter de aceitar a divisão em duas partes o seu território. E não será a União Europeia que terá argumentos prácticos e politicos, quanto mais militares, para desviar dos russos esta pretensão

A Ucrania dos nossos dias vive um dilema muito complexo. (2) 
É ter de aceitar a divisão em duas partes o seu território. 
E não será a União Europeia que terá argumentos prácticos e políticos, quanto mais militares, para desviar dos russos esta pretensão 

2ª nota introdutória para o tema 

A Ucrânia (em ucraniano: Україна; Ukrayina), um termo ou palavra que quer dizer fronteira ou confim , é um país da Europa Oriental que faz fronteira com a Federação Russa a leste e nordeste; Bielorrúsia a noroeste; Polônia, Eslováquia e Hungria a oeste; Romênia e Moldávia a sudoeste; e Mar Negro e Mar de Azov ao sul e sudeste, respectivamente. 

O país possui um território que compreende uma área de 603.628 quilómetros quadrados, o que o torna o maior país totalmente no continente europeu. O território ucraniano começou a ser habitado há cerca de 44 mil anos e acredita-se que a região seja o lar da domesticação do cavalo e da família de línguas indo-europeias. 

Na Idade Média, a nação se tornou um polo da cultura dos eslavos do leste, conhecido como o poderoso Estado Principado de Kiev. Após a sua fragmentação no século XIII, a Ucrânia foi invadida, governada e dividida por uma variedade de povos. Uma república cossaca surgiu e prosperou durante os séculos XVII e XVIII, mas a nação permaneceu dividida até sua consolidação em uma república soviética no século XX. Tornou-se um Estado-nação independente apenas em 1991. 

A Ucrânia é considerada o "celeiro da Europa" devido à fertilidade de suas terras. Em 2011, o país era o terceiro maior exportador de grãos do mundo, com uma safra muito acima da média. A Ucrânia é uma das dez regiões mais atraentes para a compra de terras agrícolas no mundo. Além disso, tem um sector de manufactura bem desenvolvido, especialmente na área de aeronáutica e de equipamentos industriais.

Desenvolvimento do tema: parte 2 

Do outro lado, a UE limita-se a seguir uma política de envolvimento e associação aos Paises que integravam a ex-URSS, de que a Ucrânia é um exemplo, no que é acompanhada pelos EUA ainda em rescaldo da ‘guerra fria’. O ‘flirt’ entre Bruxelas e o ex-presidente ucraniano Yanukovich (aliado de Moscovo) acabou mal, como é do conhecimento público e determinou a suspensão de um acordo alternativo (de última hora) que foi ajustado entre Kiev e Moscovo. 


 O ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich

Todavia, nada ficou resolvido politicamente na Ucrânia, após o derrube de Yanukovich e as acusações de que o poder tinha caído nas mãos de grupos da extrema-Direita, grandes activistas na ocupação da praça da Independência (protestos de Maidan), não se desvaneceram totalmente com a eleição do novo presidente Petro Poroshenko. Este, no mês seguinte à sua eleição (a 27 de Junho 2014), apressa-se a assinar o pacto Ucrania/UE link, concebido pelo Governo provisório saído da insurreição e que foi, pomposamente, festejado em Bruxelas. 

O que está efectivamente em causa é o conceito de ‘integridade territorial’ que a Rússia vem alterando (desde a Guerra Rússia-Geórgia), baseando-se no precedente do conflito do Kosovo. A UE ‘encaixou’ o conflito na Geórgia porque fundamentalmente estava em causa o pipeline Nabbuco (Baku-Tbilisi-Ceyhan) que partindo de Baku (Arzebeijão) atravessa este País e a Turquia para abastecer os Países europeus (Europa Central). 

O problema ucraniano não pode servir para esconder o descalabro da intervenção na Síria onde o armamento de opositores ao regime de Bashar Al-Assad conduziu a uma situação incontrolável, tal como a intervenção no Kosovo serviu de certo modo para distrair as atenções do ‘caso Monica Lewinski’ e onde a actuação da NATO pouco adiantou excepto um provável aumento do número de vitimas. 

De resto, quando em Março de 1999 a Rússia (acompanhada pela China e a India) invocou relativamente à situação no Kosovo o respeito pela integridade territorial e o fim do uso da força na ex-Jugoslávia através de uma proposta de resolução no Conselho de Segurança da ONU , os Países ocidentais (UE e EUA) rejeitaram-na em nome da protecção de grupos étnicos (albanese). 

Assim, politicamente, o desmembramento da ex-Jugoslávia foi o precedente aberto no pós guerra-fria e que destruiu o dogma da integridade territorial vindo da conferencia de Yalta (por ironia cidade da Crimeia). 
Crimeia. Situada na parte sul da Ucrania, foi sempre um território cobiçado pelos russos
 
Hoje, a Ucrânia é mais um dos problemas que o fim da ex-URSS ainda carrega e provoca réplicas à distancia. Na verdade, a Ucrânia – no presente e no passado - não é um Pais que prime por ter uma identidade populacional homogénea e coesa, antes pelo contrário, a imagem é a de um País dividido. Terá sido historicamente assim e a ‘russificação’ foi uma prioridade do regime comunista no período estalinista. 

Deste modo, grande parte do problema reside na ‘russofilia’ (económica, étnica e cultural) acantonada no território oriental deste País que não se revê no poder emanado de Kiev. Aqui, também em paralelismo com o que se verificou no conflito do Kosovo (em relação aos albaneses), estamos em presença de ‘interesses’ étnicos e de integração económica. 

continua

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Mundial 2014. Brasil. A prestação da selecção portuguesa. O jornalista Fernando Correia escalpeliza o acontecimento e intitula a sua crónica: O tamanho da incompetência!......


Mundial 2014. Brasil. 
A prestação da selecção portuguesa. 
O jornalista Fernando Correia escalpeliza o acontecimento e intitula a sua crónica: 
O tamanho da incompetência!.......

 Crónica do jornalista Fernando Correia


A Federação Portuguesa de Futebol resolveu o assunto. Encontrou os incompetentes, descobriu as incompetências e empandeirou-as. 

Quer dizer: a Selecção Portuguesa de Futebol fez o que fez no Brasil por motivos explicados e por razões postas a nu, entendendo-se que só não foi capaz de ir mais longe por causa dos incompetentes. 

Poderosa razão! Mais do que evidente motivo! 

Mas não se pense que os jogadores tiveram culpa, que a Federação planificou tudo mal, que Paulo Bento escolheu alguns daqueles que não devia ter escolhido; ou que os empresários tiveram alguma coisa a ver com a escolha dos seleccionados. Em derradeira análise que os locais de estágio foram eleitos por alguma disfarçada e oculta conveniência. Nada disso! O que a Federação nos disse foi que o essencial esteve certo! 

Mas……… Há sempre um mas nestas coisas! Os médicos foram incompetentes e tudo o que aconteceu de reprovável a eles se ficou a dever. 

Vai daí o melhor é ir tudo para a rua, ainda que disfarçadamente, e promover Paulo Bento porque ele é o verdadeiro herói do futebol nacional. Rui Jorge e Ilidio Vale são muito bons.Paulo Bento é ainda melhor Há mais dois adjuntos para as secretárias vazias. Também são do melhor que há. 

O seleccionador agora manda em todo o futebol português a nível de equipas e criou-se um novo departamento em que a parte clínica e as boas “performances” estarão lado a lado, num convívio que se deseja frutuoso, se possível com efeitos imediatos frente `”poderosa” Albânia. 

Parabéns à Federação Portuguesa de Futebol 

Até que enfim!

Fernando Correia escreve no "Jornal Daqui" do Concelho de Mafra

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A Ucrania dos nossos dias vive um dilema muito complexo. (1) É ter de aceitar a divisão em duas partes o seu territóriio. E não será a União Europeia que terá argumentos prácticos e politicos, quanto mais militares, para desviar dos russos esta pretensão.


Nota introdutória para o tema

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração económica, maior do que a de algumas das outras ex-repúblicas soviética
Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de  inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições económicas, bem como as taxas de crime e corrupção os ucranianos protestaram e organizaram greves.
A  economia ucraniana estabilizou-se até o final da década de 1990. A nova moeda, o hryvnia foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento econômico real constante, com média de expansão do PIB de cerca de 7% ao ano.

Leonid Kruchma
A nova constituição ucraniana, que foi adoptada em 1996 durante o governo do presidente  Leonid Kuchma acabou por tornar a Ucrânia uma república semipresidencial e estabeleceu um sistema politico estável. Kuchma foi, no entanto, criticado por adversários por corrupção, fraude eleitoral, desestimulação da liberdade de expressão e muita concentração de poder em seu cargo. Ele também transferiu, por várias vezes, propriedades públicas para as mãos de oligarcas fiéis a ele.
Desenvolvimento do tema
A Ucrania dos nossos dias vive um dilema muito complexo. É ter de aceitar a divisão em duas partes o seu território. E não será a União Europeia que terá argumentos  prácticos e políticos, quanto mais militares, para desviar dos russos esta pretensão.
"Mirotvorcheskiy" é uma palavra russa que significa literalmente ‘manutenção da Paz’. Uma palavra com uma conotação distante e diferente do conceito ocidental de ‘pacificação’ atitude que, por cá, está reservada a acções humanitárias e de verificação do cessar-fogo, habituais no final dos conflitos bélicos. 
Será este conceito (‘mirotvorcheskiy’) que na frente diplomática está a ser invocado pela Russia para justificar a sua cada vez mais explícita intervenção militar na parte oriental (russófila) da Ucrânia, do mesmo modo que fez, em 2008, em relação à Geórgia. 

É cada vez mais nítido que a Rússia após a anexação da Crimeia debaixo dos brandos protestos do Ocidente (UE, EUA, NATO, etc.) necessita (economicamente e militarmente) de ter um acesso directo (terrestre) entre a península já conquistada [Crimeia] e a ‘Mãe Russia’, através do limite territorial que limita a Norte o Mar de Azov. 

Esta solução, ou este ‘arranjo’, permitiria à Russia controlar todo o mar de Azov o que significa, em termos de riqueza, o acesso e a ‘propriedade’ de importantes reservas naturais (petróleo, gás natural e minerais) 

A recente ocupação da pequena cidade de Novoazovs é a execução prática desta estratégia e indica que o destino é Mariupol (cidade mártir da II Guerra Mundial então denominada de Zhdanov) e importante porto no mar de Azov. 

Por outro lado, em termos geoestratégicos e militares o mar de Azov funciona como retaguarda geográfica para o impressionante contingente de forças navais estacionadas no Mar Negro (Sebastopol). 

A  intervenção no sudoeste da Ucrânia é – para a Rússia – um acto complementar à questão [que considera ‘resolvida’] da Crimeia e tem por base ‘política’ o substratum étnico, cultural e linguístico comum entre a Rússia e esta região Leste/Sudeste da Ucrânia.

continua

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Mais um jornalista decapitado pelo Estado Islâmico. Nos tempos que correrm estes actos são incompreensiveis

Até quando?

Steven Stoloft.Jornalista norte americano que morreu por gostar da sua profissão: repórter de guerra.

O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos na sua rubrica “No Palco da Saudade” recorda hoje a actriz Dina Teresa


O Teatro no Bancada Directa. 
Salvador Santos na sua rubrica “No Palco da Saudade” recorda hoje a actriz Dina Teresa 

No Palco da Saudade” 
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto) 

DINA TERESA 


Nascida em Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia, de origens muito humildes, foi baptizada como Dina Moreira de Oliveira e entregue, aos quatro anos de idade, aos cuidados de uma senhora inglesa residente na cidade do Porto. 

Aos treze anos procurou trabalho no Teatro Águia D’Ouro, na portuense Praça da Batalha, onde se estreou muito cedo, tendo depois deambulado pelos mais diversos retiros de fado e salas de teatro, até se afirmar definitivamente como actriz de revista e fadista. 

Mas o seu maior sucesso acabaria por ser no cinema, onde aliou a sua alma fadista e os seus recursos na representação para dar vida a uma das mais míticas figuras da chamada canção nacional – A Severa –, figurando o seu nome ainda hoje entre os grandes nomes do fado, como comprova uma colectânea discográfica de quarenta e três temas recentemente editada. 

Dina Teresa nesta foto ao lado de Nascimento Rodrigues e Beatriz Costa

“Fado – Estranha Forma de Vida” é o título do disco que celebra a classificação do fado como Património Imaterial da Humanidade, reunindo a contribuição de algumas das nossas maiores vozes, desde os inesquecíveis Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues e Hermínia Silva até às vedetas da actualidade Ana Moura, Cristina Branco e Mariza, passando pela gaiense Dina Teresa, que interpreta o tema “Novo Fado da Severa”, composto pelo maestro Frederico de Freitas para o filme “A Severa”, baseado na peça teatral homónima de Júlio Dantas, com realização de Leitão de Barros, que ficou para a história da nossa cinematografia por ter sido o primeiro filme português sonorizado e ter registado um sucesso estrondoso tanto em Portugal como no Brasil. 

Quando, em 1930, Dina Teresa decidiu candidatar-se ao concurso organizado pelo jornal “Diário de Lisboa” para a escolha da protagonista daquele filme de Leitão de Barros, já o seu nome figurara no elenco de várias revistas como “O Triunfo é Paus”, “O Mexilhão”, “Areias de Portugal”, Há Festa na Mouraria” e “Arroz Doce”, mas sem grande notoriedade. 

Dina Teresa foi a protagonista do filme de Leitão de Barros "A Severa"

Foi por isso com alguma estranheza que ela recebeu a notícia de que tinha sido escolhida, entre largas centenas de candidatas, para interpretar o papel de Severa. O seu ar trigueiro, a sua voz quente e melodiosa, a sua pele morena e o seu jeito para tocar guitarra, foram algumas das razões invocadas pelo realizador para lhe dar a oportunidade de encarnar a fadista de origem cigana, prostituta e mulher de vários amores, que muito bem cantava e tocava, por muitos considerada a fundadora do fado. 

Depois de viver no cinema a carismática Maria Severa, Dina Teresa encabeçou o elenco de diversas operetas e revistas em Lisboa, como “O Canto da Cigarra”, “A Senhora da Saúde”, “Peixe Espada” e “Nobre Povo”, voltando à sétima arte para fazer “A Varanda dos Rouxinóis”, também do realizador Leitão Barros, ao lado de António Silva. 

Pelo meio, concretizou-se a primeira de muitas das suas viagens ao Brasil, dessa feita a convite de Francisco Serrador Carbonell, um empresário de origem espanhola responsável pela exploração de inúmeras salas de cinema brasileiras, para acompanhar a projecção do filme “A Severa” com shows de fado, durante uma gloriosa temporada de quatro meses, sendo entusiasticamente recebida pelo público em todas as cidades. 

 Dina Teresa e o actor e jornalista Antonio Fagim numa cena do filme "A Severa". Interpretaram os papeis de Severa e Romão

A sua chegada a São Paulo constituiu um verdadeiro fenómeno nacional, com milhares de fãs aglomerados na Praça Muã para a saudarem. E, no dia seguinte, a imprensa local dispensava um espaço generoso àquele acontecimento, dando também nota de que a gente do espectáculo preparava uma grande festa em sua homenagem. 

No Centro Português de São Paulo, repleto de artistas brasileiros e de gente da comunidade portuguesa, o actor Procópio Ferreira brindou-a com a interpretação de um monólogo em seu tributo e Dina Teresa retribuiu aquela honra com alguns fados do seu vastíssimo repertório, acompanhada pelo músico e professor de guitarra portuguesa José Cosme. 

Apesar dos imensos convites para continuar por terras do Brasil, e da sua forte vontade de permanecer por lá, esperava-a um conjunto de obrigações profissionais em Lisboa e Dina Teresa não teve outro remédio senão regressar ao seu país. Mas com a promessa de voltar! Promessa que viria a ser cumprida alguns anos depois, em meados de 1938, ao participar como atracção especial na revista à portuguesa “Arre Burro”, espectáculo onde triunfava a grande Beatriz Costa. 

Dina Teresa contracenando com Antonio Silva no filme "A Varanda dos Rouxinóis".

A sua permanência durou, porém, muito pouco tempo, porque outros compromissos e um noivo ansioso a reclamavam em Portugal. Com o seu casamento tudo mudou. Foi morar para Moçambique e os palcos foram ficando para trás, actuando por lá muito raras vezes por oposição de seu marido. 

Com o fim do casamento, Dina Teresa regressou a Portugal e participou em inúmeras revistas de sucesso em Lisboa. Até que decidiu retornar ao Brasil para umas pequenas férias. O empresário brasileiro Ferreira da Silva, ao saber da sua presença, convidou-a a integrar o elenco da revista “Pau de Arara”, a que se seguiram muitas outras. 

E a partir daí ela foi ficando por terras de Vera Cruz, só regressando a Portugal esporadicamente para visitar familiares e amigos. Durante mais de vinte anos residiu no Sítio Rosário, de sua propriedade, em Poá, no interior de São Paulo, cercada de lembranças da sua vida artística, onde veio a falecer aos 82 anos, a 7 de Abril de 1984. 

Salvador Santos 
Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2014. Agosto. 26 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

É necessário comparar-se o que é comparável. E logo de imediato veremos as diferenças. Melhor as comparações reais. Com as novas regras à medida deste Governo e criadas em tempos oportunos ( no anterior foi a meio do jogo) até a ilusão parece realidade

É necessário comparar-se o que é comparável. E logo de imediato veremos as diferenças. 
Melhor as comparações reais. 
Com as novas regras à medida deste Governo e criadas em tempos oportunos ( no Governo anterior foi a meio do jogo) até a ilusão parece realidade

Regras à medida 

No final do mandato do governo anterior e devido a uma alteração das regras europeias de contabilização do défice e da dívida, passaram a fazer parte do perímetro orçamental, os défices e dívidas de empresas públicas fortemente dependentes do orçamento do estado, como a Carris, CP e Refer. (ver a situação clicando aqui)

Apesar do desagrado do governo de então, que viu as regras a serem alteradas a meio do jogo, vendo o défice a subir de um dia para outro em quase 2,6% tornando-se difícil atingir as metas pré-estabelecidas, estas regras, como dizia, faziam todo o sentido, tendo em conta que muitas vezes estas empresas eram usadas para esconder as reais contas públicas. 

Mas, mudam-se os tempos e mudam-se as vontades. As novas regras de contabilidade da zona euro, passam a deixar de fora do chamado défice estrutural tudo o que for considerado despesa extraordinária. 

É desta forma que na apresentação do 2º orçamento rectificativo de 2014 ficamos a saber que a previsão do défice se mantêm nos 4%, mas manda-se para debaixo do tapete das despesas extraordinárias tudo o que em 2011 se quis trazer à luz do dia. Em 2011 o défice subiu 2,6 % com a inclusão dos défices da Carris, CP, Refer e BPN. 

Em 2014 o défice ficará 5,9 % mais baixo devido às despesas extraordinárias de Carris, CP, Refer e Novo Banco. O que aumentou num governo, baixou no outro. Sem que nada de substancial tenha sido alterado. 

Comparando o comparável, o odioso governo de José Sócrates teve um défice de 9,3% do PIB (em 2010) enquanto que o competentíssimo governo de Passos/Portas terá (?) um défice de 9,9% do PIB.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A revolta de uma mulher, que curiosamente é a mãe do vice primeiro ministro que andou a prometer tantos aos idosos. Eis um escrrito de Helena Sacadura Cabral. Nós dizemos que há filhos que pela ansia do poder envergonham os seus!........

A revolta de uma mulher, que curiosamente é a mãe do vice primeiro ministro que andou a prometer tantos aos idosos.

Eis um escrito de Helena Sacadura Cabral. Nós dizemos que há filhos que pela ânsia do poder envergonham os seus!........ 

Ontem tive o azar de apanhar o PM do país onde nasci, a explicar das suas razões para uma mais que certa retroactividade de cortes aos pensionistas "que estão a receber". Fui educada numa família de gente séria que trabalhava para sustentar os seus e que considerava ser essa a obrigação de todos aqueles que tinham decidido constitui-la. 

Trabalho para viver do modo que sempre vivi, pois a reforma que recebo e o que este Estado me tira - estou a ser educada - não me permitiriam viver apenas dela. 

E tenho a sorte de ainda haver quem prefira comprar um livro meu a uma camisola básica. Essa é que é essa. Dito isto, desliguei a televisão irritadíssima. 

Pronunciei alto umas palavras que não costumo usar e deitei-me. Tive uma noite de insónia, revoltada com o que ouvira e decidi que ninguém me poria a vista em cima neste fim de semana. Era a minha única forma de evitar eventuais desaguisados. 

Hoje levantei-me e fui à missa pela minha Mãe, que faria anos se fosse viva. E sabem que mais? Fui comer sardinhas assadas lá para as bandas do Tejo, beber sangria e caminhar ao sol. Desanuviei 

O Dra. Maria Luis e a reforma do Estado podem levar-me a pensão, podem levar-me o pouco que tenho no banco para uma doença, mas não hão-de conseguir nem levar-me a voz, nem levar-me a alegria de estar viva. 

Porque eu não quero e porque eu não deixo! 

Publicado por Helena Sacadura Cabral

domingo, 31 de agosto de 2014

Vamos lá a sermos realistas! João Semedo diz ufanamente que o Bloco de Esquerda nunca faria aliança com o Partido Socialista para formar governo. Perguntamos nós se alguma vez o PS convidou o BE para tamanha responsabilidade? Nesta altura nem o PCP se atreveria a tal……É que actualmente nem vale a pena comentar o que se passa nos meandros desta politica doméstica lusitana


Vamos lá a sermos realistas! João Semedo diz ufanamente que o Bloco de Esquerda nunca faria aliança com o Partido Socialista para formar governo. 
Perguntamos nós se alguma vez o PS convidou o BE para tamanha responsabilidade? 
Nesta altura nem o PCP se atreveria a tal……É que actualmente nem vale a pena comentar o que se passa nos meandros desta politica doméstica lusitana 

1-Comentar as propostas do líder da oposição? 
Não serve de nada. Seguro pouco mais diz do que piadolas de que a comitiva se ri apenas porque está a acompanhá-lo para compor o ramalhete e dar graxa ao chefe. 

2-Comentar a declaração de um dos conjugues da liderança matrimonial mas pouco libidinosa do BE? 
Para quê, se todos sabemos que este Bloco de Esquerda prefere ter a direita a governar. É perder tempo criticar o Semedo por recusar formar governo com o PS quando ninguém o convidou e todos sabemos que nem o PCP o convidaria. 

3-Comentar os comentários do Marques Mendes? 
É como se em vez de analisarmos um discurso presidencial perdermos tempo a discutir a marca ou características do microfone, o pequeno ex-líder do PSD não passa de um gramofone de Passos Coelho, gramo da parte da mãe e fone da parte do pai. 

4-Comentar a data dos debates entre Costa e Seguro? 
Só se houve paciência para aturar as queixinhas que o Brilhante Dias diz ao Seguro para fazer, não há saco para aturar o Seguro e muito menos em dois dias seguidos. Se Seguro fosse esperto fazia o que Passos tem feito, desaparecia pois quanto menos o ouvirem mais pachorra terão os portugueses para o aturar. 

5-Comentar a bola? 
Não há paciência para assistir a uma conferência de imprensa em que o presidente da federação da bola fala com ar de quem pensa que é secretário-geral da ONU e conclui que foi o azar que nos impediu de ganhar o mundial. 

6-Comentar a política económica da Maria Luís? 
Para quê, se a senhora mais de swaps do que de política económica, é incapaz de prever as consequência das nacionalização do BES e cria emprego com estágios e emigração. 

7-Comentar os discursos dos governantes exaltando os números da redução do desemprego? 
Comentar para quê?. Se todos nós sabemos que o Estado anda a pagar aos desempregados cursos de formação profissional e retira-os do lote de desempregados à custa do dinheiro dos contribuintes. Pura batota!........ 

Há dias assim em que não nos apetece comentar o que quer que seja

sábado, 30 de agosto de 2014

À atenção da equipa técnica e dos jogadores do Sporting! Cuidado com as expressões de José Mourinho. Ele deve estar convencidissimo de que o Sporting será adversário dificil para o clube de Stanford Bridge como Portugal é um osso duro de roer para a Alemanha

São as tácticas perversas do "special one"
A expressão do seu rosto diz tudo...........

Judite de Sousa entrevista Cristiano Ronaldo. E falou-se do filho do CR7 e quais as perspectivas para o seu futuro



Judite de Sousa regressou aos ecrans dos televisores conduzindo uma notável entrevista ao Cristiano Ronaldo. 

Para além da sua notável intuição de entrevistadora para sacar algo de interessante a quem tem pela frente e neste caso nem era preciso, dado o mediatismo do CR7 e o que ele pensa e faz ser do conhecimento geral, a entrevista serviu para nós aquilatarmos da forma física e psíquica da Judite de Sousa. 

Notou-se aqui e além um tremor na voz, o rosto marcado por um sofrimento enorme e as mãos a tremerem um pouco. Mas está no bom caminho para um regresso em pleno. 

Temos a certeza ou nós não a conhecêssemos nos bons velhos tempos.

Na parte final da entrevista Judite pergunta a Ronaldo o que pensava qual seria o futuro do seu filho, melhor, o que ele queria que acontecesse ao seu filho para os próximos anos.

Ronaldo respondeu que o seu filho era uma criança feliz e não estava preocupado com o seu futuro. Tudo de bom deveria acontecer.
Claro com um pai que tem uma fortuna calculada em 150 milhões de Euros (foi a Judite que o disse) qual o pai que está preocupado com o dia de amanhã para os seus filhos e até mesmo familiares?

Apetece-me dizer ao Cristiano que dado o seu mediatismo e com influencias que decerto terá em todos os campos da sociedade não deve estar nada preocupado. 

Até lhe dou um exemplo de outro pai que também teve "traquejo" para arranjar algo de bom para o seu pimpolho.

Anexo
Luís tem 31 anos.
Saiu dos bancos da escola há dois anos e fez dois estágios laborais de Verão.
Foi agora convidado para integrar os quadros do Banco de Portugal, onde só se entra sem concurso com “comprovada e reconhecida experiência profissional”.
É o caso do nosso amigo Luís, que por acaso, e só por ACASO, é filho de Durão Barroso!!!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Parabens Rio Ave. A vitoria do querer e da determinação. O clube de Vila do Conde fez um feito histórico e entra na fase de grupos da UEFA League

O clube de Vila do Conde fez um feito histórico e entra na fase de grupos da UEFA League

Mas não te esqueças Pedro Martins e Presidente da Direcção do Rio Ave que há um dedo nesta equipa do Rio Ave.
E parece que se estão a esquecer desta verdade
Para que conste

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ai Benfica, Benfica. Que grande "bico d´obra" o sorteio te arranjou. Mas vamos ter esperança de que tudo vai correr bem aos 3 clubes portugueses na Champions

Passar a fase de grupos é um objectivo muito possível de se concretizar


O Desporto no Bancada Directa. Triste espectáculo entre duas figuras responsáveis e que em nada abona o nosso futebol. Agora com a incompetência da selecção no Mundial do Brasil como leit motiv. Mas também há carinhos por parte de outras figuras da Televisão

O Desporto no Bancada Directa. 
Triste espectáculo entre duas figuras responsáveis e que em nada abona o nosso futebol. Agora com a incompetência da selecção no Mundial do Brasil como leit-motiv. 
Mas também há carinhos por parte de outras figuras da Televisão 

O desentendimento entre António Simões e Rui Santos no Play Off da SIC Notícias, no último domingo, foi apenas mais um no longo rol de zaragatas em década e meia de programas de futebol falado na televisão portuguesa. Não conheço o histórico das relações entre a antiga glória do Benfica e o comentador da SIC. 

Sei que Rui Santos é um comentador assertivo, de ideias fortes, por vezes insistentemente irritante (ou irritantemente insistente, que a ordem dos factores é arbitrária). Mas é daí, e da sua frontalidade, que lhe vem a força, a influência, a capacidade de gerar ódios de estimação. O futebol é assim, um jogo de paixões fortes, sem meios-termos, sem consensos entre adeptos.

O "não lhe admito" que, durante uns instantes, Simões e Santos trocaram em directo, perante o sorriso seráfico de Manuel Fernandes e a serenidade de João Abreu, foram apenas um bocadinho de folclore. Até porque ao pé de cenas protagonizadas por Dias Ferreira, Gomes da Silva ou Eduardo Barroso, esta foi para meninos... 

Que haja respeito e espaço na televisão portuguesa para alguém com 70 anos de carreira é sinal de que este País, apesar de todos os pesares, faz sentido. Dir-se-á que estes casos se contam pelos dedos das mãos e acontece numa área, a televisão, que ganha com a sua enorme exposição pública. 

Mas foi bonita e bem interessante a entrevista de Cristina Esteves a Ruy de Carvalho no Protagonistas desta semana na RTP Informação, gravado no Chapitô. Cristina é uma excelente e versátil profissional. Além disso, ouvir alguém tratá-la na TV por "Cristininha", "minha filha", "minha querida" ou "meu amor" é um carinho respeitador e ternurento. 

Quase redentor nos tempos que correm. 

Nuno Azinheira 
Rubrica Amuos e Carinhos

Mafra. Um evento musical muito importante. CELEBRAR A MÚSICA EM MAFRA

Mafra. 
Um evento musical muito importante. 
CELEBRAR A MÚSICA EM MAFRA 

O Secretário de Estado da Cultura e a Câmara Municipal de Mafra inauguram, no dia 31 de Agosto, o Núcleo Documental de Partituras do Museu da Música, instalado no Auditório Municipal Beatriz Costa, em Mafra, seguindo-se as comemorações do Dia Nacional das Bandas Filarmónicas no Jardim do Cerco. 

A criação do Núcleo Documental de Partituras constitui iniciativa da Direcção-Geral do Património Cultural, em colaboração com a Câmara Municipal de Mafra, estando sob a responsabilidade do Museu da Música, o qual tem por missão salvaguardar, conservar, estudar, valorizar, divulgar e desenvolver os bens culturais que lhe estão afectos, promovendo o património musicológico, fonográfico e organológico português, tendo em vista o incentivo à qualificação e divulgação da cultura musical portuguesa. 

Considerando o Acordo de Parceria celebrado em 29 de maio de 2014, entre a Câmara Municipal de Mafra e a Secretaria de Estado da Cultura, para a instalação do Museu da Música no Palácio Nacional de Mafra, a criação deste núcleo no Auditório Municipal Beatriz Costa, localizado na mesma vila, vem reforçar a actuação do referido museu no que se refere à salvaguarda, valorização e divulgação da documentação musical. 

 Auditório Municipal Beatriz Costa. Avenida 25 de Abril. Mafra

 A inauguração do novo espaço integra-se nas comemorações do Dia Nacional das Bandas Filarmónicas, instituído pelo Governo em expressão de reconhecimento do papel desenvolvido por estes agrupamentos musicais ao serviço das comunidades - a música amadora e as práticas culturais amadoras constituem uma realidade com uma fortíssima presença e expressão no território nacional, que envolve mais de 700 bandas filarmónicas, algumas com cerca de 300 anos de actividade. 

No quadro destas comemorações, a Câmara Municipal de Mafra organiza, para toda a comunidade, um conjunto de concertos pelas Bandas Filarmónicas do Concelho, no magnífico cenário do Jardim do Cerco, localizado na envolvente do Palácio Nacional de Mafra. 

Nesta ocasião, o Secretário de Estado da Cultura procede à entrega de Medalhas de Mérito Cultural a diversas personalidades e associações/ bandas, em reconhecimento do valor da actividade desenvolvida. 

"Celebrar a Música em Mafra" 
Programa 
16h15 | Praça da República (concentração) Desfile das Bandas Filarmónicas pelas ruas 
16h45 | Auditório Municipal Beatriz Costa. Inauguração do Núcleo Documental de Partituras do Museu da Música 
18h00 | Jardim do Cerco 
Jardim do Cerco. Interior.

Comemorações do Dia Nacional das Bandas Filarmónicas 

Concertos: 
Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro da Encarnação 
Sociedade Recreativa e Musical de Vila Franca do Rosário 
Filarmónica Cultural da Ericeira 
Associação Musical Nossa Senhora do Livramento 
Escola de Música Juventude de Mafra 
Escola de Música da Casa do Povo da Enxara do Bispo

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Petra. Jordânia. Uma pequena folga no trabalho imenso do American University of Beirut Medical Center permitiu ao nosso médico mais novo um saltinho de 2 dias à Jordânia.

Mensagem especial para a nossa leitora Dª Maria de Lourdes Bonito da Amadora

 Foto retirada da net

Petra. 
Jordânia. 
Uma pequena folga no trabalho imenso do "American University of Beirut Medical Center" permitiu ao nosso médico mais novo um saltinho de 2 dias à Jordânia.

Postal enviado de Petra. Jordania no passado dia 18 de Agosto 

Este outro postal é do dia 20 de Agosto e refere a "baixa" de Beirute, capital do Líbano

Nasceu no popular Bairro da Graça em Lisboa. 1902. Eis Francis Graça que o nosso Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”. É o Teatro no Bancada Directa

Nasceu no popular Bairro da Graça em Lisboa. 1902. 
Eis Francis Graça que o nosso Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”. 
É o Teatro no Bancada Directa 

“No Palco da Saudade” 
Texto inédito e integral de Salvador Santos 

 FRANCIS GRAÇA 


Nasceu em Lisboa, no velho bairro da Graça, em 1902, filho de um abastado comerciante anarco-sindicalista – empresário da Praça de Touros do Campo Pequeno no primeiro quartel do século XX –, que sempre procurou contrariar as suas opções artísticas, desde muito cedo voltadas principalmente para a música. Apesar da férrea oposição do pai, fez-se aluno do Conservatório Nacional, onde ganhou grande amizade com o colega de curso Frederico de Freitas, que viria a tornar-se num dos mais inspirados músicos, maestros e compositores portugueses. 

Ao contrário deste seu amigo e companheiro de turma, Francisco (era este o seu verdadeiro nome) não vingou na música, mas tornou-se num dos nossos mais importantes coreógrafos e bailarinos. Apesar de não ter formação convencional de bailado clássico, Francis Graça adquiriu grande notoriedade como bailarino e coreógrafo entre os anos 1920 e 1960, destacando-se sobretudo pela sua acção renovadora a nível do teatro musicado e na estilização do folclore nacional. 

Francis Graça e Madeleine Rosay no bailado Nazaré. 1948. Foto do Museu Nacional do Teatro

Ao que consta, ele terá tido apenas como início de aprendizagem algumas lições de bailado clássico com uma professora de nacionalidade russa residente no nosso país, cujo nome não ficou para a história. Mas isso não o impediu de se afirmar logo na sua primeira apresentação pública como intérprete, em 1925, num espectáculo do Teatro Novo, dirigido por António Ferro, estreado no foyer do Teatro Tivoli (decorado expressamente para o efeito pelo pintor futurista José Pacheko). 

Depois daquele espectáculo do grupo de António Ferro, que causou algum escândalo junto do público mais conservador, Francis Graça decidiu partir para Paris, levando como propósito a sua participação em alguns estúdios de dança parisienses e um estudo acompanhado de bailado clássico. Foram sete meses de um enriquecimento prático e teórico notável que lhe valeram o convite para coreografar e encabeçar o corpo de baile da revista “Foot-Ball”, no lisboeta Teatro Maria Vitória, que alcançou grande êxito em finais de 1925. 

A partir daí, ei-lo envolvido em inúmeros espectáculos liderados por algumas das maiores vedetas do teatro ligeiro português, como Luísa Satanela, Estevão Amarante, Beatriz Costa, Hermínia Silva, António Silva ou Lina Demoel. A verdadeira consagração de Francis Graça aconteceu em 1927, com a sua prestação na revista “Água-Pé”, que mereceu grande destaque na imprensa da época, onde se disse que o bailarino e coreógrafo «deu largueza e horizonte ao palco do Avenida». 

Dois anos volvidos, comentando a sua participação no espectáculo “Chá de Parreira”, o reputado crítico teatral Avelino de Almeida considerou que «desde o bailado magnífico do [número] Golf que, guardada a distância milenária, relembra a vida, a beleza e a graça de um friso helénico, até ao fandango nacional e trepidante, não esquecendo o sabor clássico do bailado das fogueiras dos Santos de Junho, Francis afirmou-se um incomparável animador que não sofre cotejo com qualquer outro». 

Segundo aquele mesmo crítico, durante cerca de duas décadas a colaboração artística de Francis Graça «imprimiu à revista à portuguesa um cunho civilizado e europeu», bem patente, aliás, nas suas belíssimas coreografias para “O Sete e Meio”, “A Ramboia”, “Feira da Luz” e “A Minha Terra”. 


Nesta última revista, que subiu a cena no Coliseu de Lisboa, dançou, sobre música de Rui Coelho, dois bailados de tema regional (“Alegria Popular” e “Festa Portuguesa”) e outros dois de maior ambição (“O Pássaro Encarnado” e “Ritmos Luminosos”), em que pela primeira vez se utilizaram entre nós tubos de néon como elemento decorativo. 

Nalguns desses bailados encontrava-se o germe de que viria a brotar, em 1940, a Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Com a criação daquela Companhia, que se propunha ser prioritariamente um grande veículo de divulgação da música portuguesa, concretizou-se um velho sonho de Francis Graça. 

Sob a sua direcção, muito bem coadjuvado pela bailarina alemã Ruth Walden, com quem formou dupla durante largos anos, o Verde Gaio apresentou-se por diversas vezes além-fronteiras com assinalável êxito, nomeadamente no Gran Teatre del Liceo de Barcelona, no Coliseum de Madrid e no Théâtre des Champs-Elysées de Paris, palcos que Francis e a sua parceira alemã já tinham pisado ao longo da década de 1930, como solistas, em espectáculos que circularam também por outras cidades de Espanha e França, bem como por diversas localidades da Suíça, Reino Unido, Argentina e Brasil. 
Francis Graça, ao centro, no bailado "Dança da Menina Tonta". Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio. 1941

Paralelamente à direcção do Verde Gaio, Francis Graça foi mantendo uma colaboração regular na revista, com algumas passagens esporádicas pela ópera, tendo experimentado a representação em duas peças de teatro. Na verdade, ele foi (também) actor em “Rei Édipo” de Sófocles no Teatro Apolo e “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare no Teatro Nacional D. Maria II, peças levadas a cena em 1952. 

Já um pouco debilitado fisicamente, seria definitivamente afastado da Companhia de Bailados Verde Gaio em 1960, passando a viver praticamente de uma pequena reforma. Data de 1968, a sua última criação, o bailado “Encruzilhada”, no Teatro Politeama. Morreu em Julho de 1980, com 78 anos, praticamente esquecido, num lar onde residia há alguns anos, diminuído por uma arteriosclerose que lhe apagara por completo a memória. 

Salvador Santos 
Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2014. Agosto. 26

Obrigado Pela Sua Visita !