Nota introdutória para o tema
O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um
referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o
país experimentou uma profunda desaceleração económica, maior do que a de
algumas das outras ex-repúblicas soviética
Durante a
recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições económicas, bem como as taxas de crime e corrupção
os ucranianos protestaram e organizaram greves.
A economia ucraniana estabilizou-se até o final da década
de 1990. A nova moeda, o hryvnia
foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento econômico real
constante, com média de expansão do PIB de cerca de 7% ao ano.
Leonid Kruchma
A nova constituição ucraniana, que foi adoptada em 1996 durante o governo do presidente Leonid Kuchma acabou por tornar a Ucrânia
uma república semipresidencial e estabeleceu um sistema politico estável. Kuchma foi, no entanto,
criticado por adversários por corrupção, fraude eleitoral, desestimulação da liberdade de expressão e muita concentração de poder em seu
cargo. Ele também transferiu, por várias vezes, propriedades públicas para as
mãos de oligarcas fiéis a ele.
Desenvolvimento do tema
A Ucrania dos nossos dias vive um dilema muito complexo. É ter de aceitar a divisão em duas partes o seu território. E não será a União Europeia que terá argumentos prácticos e políticos, quanto mais militares, para desviar dos russos esta pretensão.
"Mirotvorcheskiy" é uma palavra russa que significa literalmente ‘manutenção da Paz’. Uma palavra com uma conotação distante e diferente do conceito ocidental de ‘pacificação’ atitude que, por cá, está reservada a acções humanitárias e de verificação do cessar-fogo, habituais no final dos conflitos bélicos.
Será este conceito (‘mirotvorcheskiy’) que na frente diplomática está a ser invocado pela Russia para justificar a sua cada vez mais explícita intervenção militar na parte oriental (russófila) da Ucrânia, do mesmo modo que fez, em 2008, em relação à Geórgia.
É cada vez mais nítido que a Rússia após a anexação da Crimeia debaixo dos brandos protestos do Ocidente (UE, EUA, NATO, etc.) necessita (economicamente e militarmente) de ter um acesso directo (terrestre) entre a península já conquistada [Crimeia] e a ‘Mãe Russia’, através do limite territorial que limita a Norte o Mar de Azov.
Esta solução, ou este ‘arranjo’, permitiria à Russia controlar todo o mar de Azov o que significa, em termos de riqueza, o acesso e a ‘propriedade’ de importantes reservas naturais (petróleo, gás natural e minerais)
A recente ocupação da pequena cidade de Novoazovs é a execução prática desta estratégia e indica que o destino é Mariupol (cidade mártir da II Guerra Mundial então denominada de Zhdanov) e importante porto no mar de Azov.
Por outro lado, em termos geoestratégicos e militares o mar de Azov funciona como retaguarda geográfica para o impressionante contingente de forças navais estacionadas no Mar Negro (Sebastopol).
A intervenção no sudoeste da Ucrânia é – para a Rússia – um acto complementar à questão [que considera ‘resolvida’] da Crimeia e tem por base ‘política’ o substratum étnico, cultural e linguístico comum entre a Rússia e esta região Leste/Sudeste da Ucrânia.
continua