BANCADA DIRECTA: A direita portuguesa regressou aos tiques salazaristas

domingo, 10 de julho de 2016

A direita portuguesa regressou aos tiques salazaristas


A direita portuguesa regressou aos tiques salazaristas 

O indisfarçável desejo de sanções a Portugal, pelo seu próprio insucesso, esteve patente nos discursos do PSD e do CDS no debate do “Estado da Nação”. Nem a consciência do incumprimento do plano orçamental, entre 2013 e 2015, os inibiu de atribuir o fracasso da gestão de Passos Coelho e Paulo Portas ao desempenho de António Costa, em 2016. 

 Há no discurso de ódio e ressentimento desta direita o irreprimível desejo de banir o BE e o PCP, incapazes de aceitar a legitimidade de um governo em que participem ou que, simplesmente, viabilizem. A chantagem permanente do Partido Popular Europeu (PPE), de que o PSD e o CDS se tornaram a caixa de ressonância autóctone, é considerada imprescindível para o regresso ao poder de que se julgam detentores definitivos. 

Daí a espada de Dâmocles das sanções, gerida ao sabor dos seus interesses, apesar de o ónus ser difícil de endossar ao PS. Querer estar com a Comissão Europeia, como se as sanções visassem o período da sua própria governação, foi a lamentável e pusilânime atitude do PSD. 

 Nas acusações de antieuropeísmo, elevado à categoria de crime por quem foi expulso do PPE, também por isso (CDS), e que, tal como o PSD, não tem uma palavra de censura para comos os partidos homólogos que querem sair da UE e são hoje de extrema-direita, há a desfaçatez de quem esquece que o Brexit se deve ao partido conservador inglês. 

 Esta direita, que alienou o humanismo e esqueceu a matriz fundadora dos seus próprios partidos, é, por mérito dos dirigentes que a confiscaram, organicamente salazarista. Não pede desculpa de ter sido cúmplice da invasão do Iraque, não se penitencia das decisões que tomou, dos erros que cometeu e da ruína ética e política dos seus atuais dirigentes.

Agradecimento ao "Ponte Europa".

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