BANCADA DIRECTA: O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 2 continua a ter o alferes Sezinando e o Retiro do Quebra Bilhas como figuras centrais e intitula-se " Do Martim Moniz ao Campo Grande"

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 2 continua a ter o alferes Sezinando e o Retiro do Quebra Bilhas como figuras centrais e intitula-se " Do Martim Moniz ao Campo Grande"

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. 
O episodio nº 2 continua a ter o alferes Sezinando e o Retiro do Quebra Bilhas como figuras centrais e intitula-se " Do Martim Moniz ao Campo Grande"


Do Martim Moniz ao Campo Grande 2º episodio


Edificio da Avenida Almirante Reis nº 74. Fonte = Urban Sketchers

Sesinando acordou com a boca a saber a papéis de música. Dormiu mal até às 3 da manhã. Os quartos da pensão “Bons Sonhos” eram baratos – 15 escudos uma dormida, mas o quarto era minúsculo onde mal cabia o divã de molas e as paredes eram de tabique de madeira o que dava para se ouvir tudo o que se passava aos lados.

Estava convencido que a pensão mal dava tempo para sonhar pois as cabo-verdianas que faziam o Largo Martim Moniz entravam e saiam várias vezes e cabo-verdiano é assim, é expansivo na cama… Sesinando não exigia mais pelos 15 paus. Lá pela madrugada adormeceu profundamente e agora já estava pronto para sair. Banho nem vê-lo. A pensão não tinha! Nem tampouco águas correntes − nem quentes nem frias. Era pegar ou largar. Pelo preço não se podia pedir mais.

 Divertiu-se fumar e a beber Sagres até às duas da manhã e a ouvir mornas e boleros tocados pelo ceguinhos-músicos do Bar “Bolero”. Não foi em engates. Ainda era cedo. Havia muito tempo para a esbórnia. Vestiu-se e petiscou um copinho de leite na leitaria da esquina e seguiu o seu objetivo ir ver o lago dos barcos do Campo Grande e espreitar − e eventualmente almoçar no retiro do “Quebra Bilhas”.

Alguém lhe falara da casa. Com mesas de correr e um caramanchão a sombrear e refrescar o ambiente. Comida caseira e bom vinho da pipa. Estava danadinho para comer umas iscas com elas, um prato do seu agrado e que não o via há mais de dois anos! E lá foi o nosso alferes Sesinando a pé − agora já à civil, pela Almirante Reis acima até ao Areeiro e depois Avenida de Roma até ao Campo Grande.
Campo Grande. Lago

A cidade mudara muito e a parte nova era de arquitetura moderna. O arranha-céus do Areeiro, com a sua dúzia de andares era o edifício mais alto da cidade. Matarruano que visitasse Lisboa tinha que ir espreitar o edifício e também ao Jardim Zoológico ver os animais exóticos. Chegou ao Jardim do Campo Grande e foi ver o lago onde os pequenos botes a remos eram o prazer máximo dos namorados. Ali ficou sentado num banco de jardim a fumar e a gozar da boa vida quando de repente e sem dar por isso um cãozinho veio ladrar às suas botas.

Era uma amostra de cão. Mal se via o focinho cheio de pelos bem como o corpo. Parecia um novelo de lá a ladra-lhe aos pés. Afogueada atrás do canito vinha a dona. Chamando-o pelo nome e ele sem obedecer, pois embirrara com as botas do nosso alferes. Sesinando, num golpe de rins, agarrou na trela solta e puxou-o. De seguida a dona a deitar os bofes fora chegou ao alferes e agradeceu. − Ai, muito obrigado.

Este malandro de repente foge-me e atravessa a rua. É um perigo. Não sei como lhe hei de lhe agradecer. − Ora − disse Sesinando − não me custou nada apanhar o bichinho. Pode-me agradecer dizendo-me o seu nome? − Milú. E o cãozinho chama-se Lanudo. Sesinando pediu-lhe para ela descansar um bocadinho, ali no banco do jardim havia lugar para todos e sobrava espaço. Estava-se a preparar um começo de uma bela amizade.

Quase ia apostar. (fim do 2º episódio)
Antonio Raposo

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