BANCADA DIRECTA: Colégios privados. Mas que raio é esta Liberdade de escolha? Só os filhos de privilegiados é que têm essa possibilidade, enquanto os filhos dos pobres não têm direito a nada. E os pais das crianças descriminadas pagam impostos para beneficiar estas mordomias na Educação.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Colégios privados. Mas que raio é esta Liberdade de escolha? Só os filhos de privilegiados é que têm essa possibilidade, enquanto os filhos dos pobres não têm direito a nada. E os pais das crianças descriminadas pagam impostos para beneficiar estas mordomias na Educação.

Liberdade de escolha?

Ouço os pais dos colégios exigirem liberdade de escolha e interrogo-me porque motivo só estes papás terão direito à liberdade de escolha. Lembro-me de muitas terras sem escolas, onde as crianças têm-se de deslocar muitos quilómetros para frequentarem a única escola secundária em muitos quilómetros.

Que liberdade de escolha têm os jovens de concelhos como Castro Marim ou Alcoutim para concluírem o 11.º ou o 12.º ano? Esperem lá, nalgumas localidades argumenta-se com o local de emprego dos papás para que os meninos possam frequentar a escola preferida, por ser privada, enquanto numa boa parte da serra algarvia e de muitas outras serras os jovens têm de andar dezenas de quilómetros, para frequentarem ma única escola disponível?

Quanto custa ao Estado um jovem do Pereiro, de Martim Longo ou do Cachopo, comparado com um dos meninos de Coimbra cujos pais estão tão condicionados pelo emprego que em poucos dias puderam tirar um dia para se manifestarem de t-shirt amarela e outro para carregarem envelopes com as cartas dos seus rebentos a Marcelo? Seria de imaginar que alunos que têm de se levantar de madrugada e chegam às suas aldeias já de noite contassem com condições favoráveis, a fim de assegurar condições de igualdade com os mais favorecidos.

Apoio pedagógico para compensar a falta de estudo e o cansaço resultante de muitas horas de transportes, com partidas de madrugada e chegada a casa já de noite. Turmas com menos alunos para que os professores pudessem compensar estes jovens, bibliotecas melhor apetrechadas, espaços de convívio e de repouso para quem é obrigado a estar fora de casa durante todo o dia, cantinas com uma alimentação adequada.

Mas não, a liberdade de escolha significa que os meninos de algumas cidades podem escolher o colégio que está melhor classificado no ranking, beneficiar de turmas com menos alunos, pagas pelo mesmo Estado que força os jovens de Martim Longo, de Giões, de Cachopo e de muitas localidades deste país a encherem salas com trinta alunos para que tivesse sido possível despedir professores. 

Façam as contas a quanto custa ao Estado um dos meninos que escreveram a Marcelo, comparem com o que o Estado gasta com um menino das nossas aldeias, contabilizem todas as infraestruturas sociais de uns beneficiam e que os outros não conhecem e depois falamos de liberdade de escolha. Seguindo o critério desses papás extremosos eu também gostaria de ter tido a liberdade de escolha de nascer nos EUA e filho de um Bill Gates.
Imagino que depois de ter andado a defender o investimento no interior, declarando "Em larga medida espero que aquilo que foi prometido em relação a uma preocupação de incentivar investimentos no interior venha a corresponder à realidade, que o senhor primeiro-ministro prometeu numa das suas primeiras visitas ao interior venha a ser cumprido", o Presidente da República compare as liberdade de escolha dos jovens da classe média alta das cidades onde há colégios particulares e a dos jovens do interior.

Ele que compare quanto custa ao Estado a liberdade de escolha de uns e a falta de liberdade dos outros.

Fonte do texto: blogue O Jumento

1 comentário:

luis pessoa disse...

Absolutamente óbvio!

O problema é quando o Estado - os nossos impostos - servem para encher bolsos de colégios particulares e da Igreja. Liberdade de escolha, claro que sim! Liberdade também para pagar os custos, claro!
O Estado tem de assegurar uma rede de qualidade em todos os locais. Certo. Onde assegura escola pública, não pode haver subsídios. ponto!
Onde não há estruturas do Estado, ou criam-se ou então sim, assinam-se contratos para que os particulares assegurem o acesso de todos. Mas sem falsificação de moradas, prática usual actualmente. É ver os meninos a morarem às dúzias na mesma casa...
200% de acordo com as medidas do Governo, se este tiver "tomates" para as levar até ao fim sem cedências a estes mestres da desigualdade à partida!
E que acabem os rankings falcatrueiros. Uma escola que selecciona os seus alunos e se faz pagar por isso NUNCA pode figurar nun ranking com escolas públicas abertas a todos. è como comparar um hotel de 6 estrelas com a pensão da esquina: as duas têm quartos, camas, etc e servem para o mesmo, mas vamos fazer um ranking?

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