BANCADA DIRECTA: A escola primaria nº 127. Historias da cidade de Lisboa com pessoas dentro dela a viver. A historia do Toninho. 1º episódio

domingo, 17 de abril de 2016

A escola primaria nº 127. Historias da cidade de Lisboa com pessoas dentro dela a viver. A historia do Toninho. 1º episódio

Historias da cidade de Lisboa com pessoas dentro dela a viver. A historia do Toninho. 1º episódio


Lisboa. Rua da Penha de França. Antiga escola primaria 127 que era em frente ao Miradouro de Monte Agudo, na altura um conjunto de casas rasteiras e onde se distribuia a "Sopa do Sidónio". A escola foi demolida nos anos sessenta O autor destes episodios frequentou esta escola entre 1943 e 1947. Foi um aluno distinto. Foi um dos poucos que seguiu para o ensino liceal. Teve a honra de formar com a escola 127 no relvado do Estadio Nacional no dia da sua inauguração em 1947

Pretendo contar umas histórias verdadeiras misturadas com alguma criatividade, que tentam pintar o clima que se vivia em Lisboa nos anos 50. Serão as histórias de um puto classe media que cresceu e estudou na zona da Praça do Chile.

 Um puto que andou na primária na escola nº127 (hoje desaparecida) na Rua da Penha de França. Que aos domingos ia ver os jogos de futebol entre os clubes -que eram muitos -e que disputavam o campeonato regional nos campos de futebol locais que cresciam nas zonas desabitadas dos arredores.

Refere o autor que havia campos de futebol em zonas desabitadas. Localizemos a imagem: É a zona do antigo Vale Escuro hoje Avª Mouzinho de Albuquerque. Os edificios ao alto na esquerda estão nas trazeiras da Rua Morais Soares junto à  Parada do Alto de São João em frente ao cemitério e à  sua direita é a Rua Lopes. Quem descesse a encosta que vinha da Parada encontrava o Campo do Galinheiras que estava situado onde hoje é uma rotunda e cerca de  200 metros mais abaixo havia o campo do Peixinhos que ficava no enfiamento da Rua Castelo Branco Saraiva. O Sporting da Penha utilizava o campo dos Peixinhos e o CD Arroios o campo do Galinheiras

Que me lembre, havia o campo dos “Peixinhos” o campo do “Penha” do “Fósforos” e outros. Grupos desportivos amadores proliferavam por todos os cantos. Os putos acabavam entrando à borla, pois a guarda republicana a cavalo guardava as entradas mas havia sempre um “buraquinho” que permitia a introdução à sorrelfa.

 Depois, a ocupação da rapaziada era também jogar à bola na rua. Hoje é impensável ver-se um grupo de putos a jogar à bola no alcatrão. Porém naquele tempo os carros era o “lá vai um”. Mesmo em plena cidade grande. Não esquecer que nestes tempos não havia televisão, radio já havia mas pouco difundida, não havia praticamente telefones e os telemóveis nem pensar….

 Às 4ªfeiras e sábados pedia 5 tostões à minha mãe e ia comprar “O Mosquito”, revista aos quadradinhos, hoje chamada banda desenhada. Atravessava a rua e ia à capelista em frente. Tinha entretém durante todo o dia. As heroicas aventuras do “CUTO” do grande desenhador Jesus Blasco era de encher o papinho…

 Os jogos eram inventados pelos miúdos porque brinquedos eram só para a classe media/alta. No Natal eu tinha um brinquedo ou dois, hoje os meus netos tem dezenas. Pergunto-me se isso tem vantagens ou desvantagens.

Deixo aos investigadores a análise. É sobre temas da vida de um puto deste tempo (hoje um ginja!) 

Esperamos contar histórias novas todos os domingos durante algum tempo, neste blogue amigo.


Este menino ( autor do texto) era um aluno da 127 e um dos poucos que depois do exame da quarta iria fazer o exame de admissão aos liceus. 95% dos alunos iria trabalhar no dia seguinte tal era a tradição familiar e necessidade das familias. O autor deste blogue no mesmo dia do exame de tarde foi trabalhar para a loja de fazendas Felipe Nunes no Largo da Graça. Só entrou no ensino liceal quando tinha 24 anos de idade

4 comentários:

Anónimo disse...

Venham essas cenas...

Anónimo disse...

Por favor não sigam as citações de Corto Maltees. A vida é o que é hoje e mais nada
Antonio Carlos

Anónimo disse...

Rectifico
Corto Maltese
Antonio Carlos

Adriano Ribeiro disse...

Caro Antonio Carlos
Não o conheço pessoalmente mas agradeço a sua leitura deste blogue
Quanto ao seu comentario digo-lhe que não sou conhecedor da obra de Corto Maltese. Mas aqui pela net já li referencias ao tema recordações.
Se é aquilo que penso a conclusão de quem pratica recordações não é aplicada nestes textos de um velho amigo meu. É um homem actual e activo.
Abraço
Adriano Rui Ribeiro

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