BANCADA DIRECTA: Swapps: uma questão recorrente. Os portugueses deverão debruçar-se e ler este tema muito importante para sabermos quais são as linhas em que nos querem coser.....

segunda-feira, 7 de março de 2016

Swapps: uma questão recorrente. Os portugueses deverão debruçar-se e ler este tema muito importante para sabermos quais são as linhas em que nos querem coser.....


Swapps: uma questão recorrente. 

Os portugueses deverão debruçar-se e ler este tema muito importante para sabermos quais são as linhas em que nos querem coser.....

SWAPPS

Uma crónica ensaista sobre o tema de Luis Pessoa



Muito se tem falado, ultimamente, de “swapps” e quase sempre mal. Em primeiro lugar, um swapp não é um produto bandido, não é uma solução maligna para uma empresa ou para um cidadão. Um swapp não é mais do que uma solução para criar previsibilidade nos empréstimos obtidos.

Expliquemos: Sempre que uma empresa pretenda saber com toda a certeza qual é o encargo mensal de um investimento, procurará uma solução que impeça que os encargos disparem sempre que há uma subida das taxas de juro. Nesse caso, entra numa espécie de jogo em que aposta num produto que lhe será favorável em caso de subida de taxa de juro, uma vez que terá uma prestação fixa a pagar pelo empréstimo. É claro que esse produto traz uma série de encargos adicionais, daí ter que ser muito bem estudado para não causar males futuros.

De qualquer modo, as empresas criam sempre provisões para prevenir problemas. Esses produtos têm uma maturidade, por exemplo, de 10 anos. Ou seja, durante esses 10 anos, se a taxa de juro subir, a empresa ganhará sempre dinheiro, mas a finalidade não será essa, há investimentos que dão muito mais do que o que poupará com o swapp, a ideia principal é mesmo saber com toda a certeza qual será o encargo mensal durante esses 10 anos. Quando as taxas e juro baixam, a empresa passa a ter um prejuízo exponencial, digamos, virtual, porque pagará mais do que se estivesse nas regras gerais, mas esse prejuízo pode ser apenas momentâneo porque se houver novas subidas, recuperará a perda circunstancial, digamos assim.
Portanto, em tese, um swapp é um produto como outro qualquer, destinado a dar estabilidade às contas de uma empresa e daí não vem mal ao mundo. Então, porquê todo este ruído em torno dos swapps e de Maria Luís Albuquerque? Ao que parece, os swapps mais ruinosos foram os das empresas de transportes, porque tinham uma maturidade longa e porque terão sido feitos em épocas de pouca turbulência nos juros. Mas as empresas optaram por reduzir o risco de uma subida abrupta dos juros e acabaram por subscrevê-los, num acto de gestão aparentemente normal, como fizeram “n” empresas e até aquela em que a ex-ministra era gestora.

O problema base de tudo isto é a promiscuidade que ninguém está interessada em combater, nem a União Europeia e muito menos os países individualmente, entre seguradoras e bancos. Negócios que deveriam estar completamente e por Lei impedidos de ser exercidos pelas mesmas entidades, são, na prática, metidos no mesmo saco e são os bancos que impõem as seguradoras que suportarão os negócios. E aqui começa o ataque: Quem quiser juro e prestação fixos, tem de subscrever o swapp na seguradora do banco.

Ora, é a essa seguradora que compete dar aos clientes todas as informações sobre o produto que está a comprar, só que essa seguradora, por pertencer ao banco, tem acesso a informação privilegiada, tem conhecimento antecipado das tendências do mercado de capitais, em suma, sabe com elevado grau de certeza, que o cliente não tem, se o juro vai subir ou descer e portanto ditará as regras que lhe permitam sair quase sempre vitoriosa e sem perdas. O negócio está, pois, minado à nascença. Depois, a banca e as seguradoras impõem que os litígios sejam resolvidos em tribunais que sabem serem favoráveis às suas teses e é aí que ganham sempre os casos.
Então, em que ficamos com os nossos “swapps”? Não se podendo diabolizá-los, porque podem ser, em determinados momentos, uma boa solução, há que estudar algumas situações: Os gestores que assinaram esses produtos que agora se revelam ruinosos estão actualmente onde? Ao subscreverem esses produtos receberam alguma contrapartida? Quem embolsou as comissões que estes negócios sempre geram? Nos contratos estavam previstas as resoluções dos mesmos? Esses gestores tinham mesmo competências para os contratar? E posto isto, passamos para a troca de acusações

O ex-primeiro ministro e a ex-ministra não se cansam de dizer que estes swapps vêm dos tempos de José Sócrates. Muito bem, vamos averiguar quem os assinou e se houve vantagens financeiras para eles, vamos saber se havia possibilidades de turbulência nos juros, vamos procurar razões para a sua aquisição. Mas a questão principal não é essa, antes tem a ver com a postura de Maria Luís Albuquerque quando chegou a altura de tentar negociá-los, até porque ela sabia muito bem o que eram, porque assinou alguns.

E aí, chegou a acordo para alguns, vá-se lá saber com que custos, porque nenhum banco/seguradora iria abdicar de lucros chorudos sem contrapartidas, mas não foi o caso do Santander que fez finca-pé na validade dos swapps e não aceitou a sua renegociação. E aqui entra a ex-ministra, aquela para quem uma renegociação de dívidas é um crime de lesa-majestade, que se vergou a todas as exigências de especuladores e chegou a ser apresentada pelo ministro das finanças alemão como uma das suas fiéis seguidoras, que neste caso determinou que não se pagasse nem mais um euro, porque na sua ideia, não tinha de pagar nada porque os swapps, aqueles swapps eram todos inválidos e indevidos!
Foi pena não ter pensado assim quando destruiu vidas de cidadãos para pagar dívidas usurárias de negócios chorudos dos seus correligionários do BPN, BPP, BES e afins. Claro que havia cláusulas que remetiam para a resolução de conflitos para um tribunal de Inglaterra, onde as instituições financeiras sabem que ganham tudo, desde que haja papéis assinados, como era o caso!

E a senhora, sabendo disso, não tentou reverter a acção para tribunais portugueses, nem apresentou argumentação capaz! É claro que perdeu! Não ela, a quem parece ter saído um bilhete premiado, curiosamente também de Inglaterra, mas a nós, contribuintes, que vamos ter de pagar mais esta!

Luis Pessoa
2016. Março. 07

1 comentário:

Anónimo disse...

Visão lúcida. Finalmente percebi o que é um swapp e o que está em jogo.
Obrigada

Obrigado Pela Sua Visita !