BANCADA DIRECTA: Mundo Policiario 10. Historias de policias e ladrões e outros incidentes afins a cargo de Antonio Raposo e sob a asa protectora da Detective Jeremias que o acolheu no seu "Policiário de Bolso". Publicamos hoje o 10º episódio " Um caso bicudo do cabo Jeremias"

sexta-feira, 25 de março de 2016

Mundo Policiario 10. Historias de policias e ladrões e outros incidentes afins a cargo de Antonio Raposo e sob a asa protectora da Detective Jeremias que o acolheu no seu "Policiário de Bolso". Publicamos hoje o 10º episódio " Um caso bicudo do cabo Jeremias"


Mundo Policiario  10. 
Historias de policias e ladrões e outros incidentes afins a cargo de Antonio Raposo e sob a asa protectora da Detective Jeremias que o acolheu no seu "Policiário de Bolso". 
Publicamos hoje o 10º episódio " Um caso bicudo do cabo Jeremias"

10º EPISÓDIO
UM CASO BICUDO DO CABO JEREMIAS

 Talvez se possa dizer com mais propriedade que este era um caso de dois bicos. Segundo se apercebia logo à primeira vista o cabo Jeremias estava a dirimir assunto de marido enganado. Na Picheleira era o que mais havia era casos desses. Duravam até ao dia em que o marido, desconfiado ou mesmo avisado por algum amigo mais chegado, armava uma espera.

O resultado era uma cena de facada ou de pancadaria, na falta de talheres. No pátio, a algazarra subia de tom e o mulherio vinha todo às portas dar opiniões. Aquela cena não tinha nada de especial. O marido chegara a casa umas horas antes do devido e apanhara na cama a patroa com o carteiro, e a pasta da correspondência.

A desculpa do carteiro é que Mariana estaria a assinar de cruz um aviso de recepção. Como argumento esfarrapado não poderiam arranjar melhor. O Fanan – o marido enganado saltara para o colchão e à força de punho distribuía soco ora para a patroa ora para o Firmino (o carteiro). O carteiro mais conhecido no bairro pelo “brilhantinas” era um belo rapaz de bigodinho à Clark Gable – o grande boneco do filme “E tudo o vento levou”.

O brilhantinas tinha muita saída nas mulheres mas não aguentava duas galhetas no focinho. Sangrava pelo nariz que mais parecia Cristo crucificado. Mariana não era uma moça muito jeitosa pois tinha um pouco de escoliose que junto ao facto de ter um nariz muito afilado lhe dava um ar de abelharuco. O que valia era o resto do corpo que me escuso de descrever não vá algum jovem imberbe ler estas linhas e entusiasmar-se nas artes de onanismo.

Certo é que a pancadaria não parava. Ora dava o Fanan ora levava o Fanan. Mariana gritava como vitela desmamada e depois entrou a vizinhança e o padeiro acabou também a dar a sua bordoada no Firmino que levava de todos e não tinha físico para responder. A sacola da correspondência ocupava metade do quarto entre telegramas, cartas registadas e vales de correio. Mariana com as vergonhas à mostra encolhia-se a um canto da casa, à cabeceira da cama.
O Marreco nem sabia a força que tinha nos pés quando dava um chuto. Por isso não admira que tivesse destruido praticamente a casa de banho. Grande Marreco

O quadro da última ceia que estava pendurado aos pés da cama já tinha tombado e o próprio bidé que aguardava as partes interessadas com água morninha, já levara um pontapé do “Marreco” que era o avançado centro do Penha de França que estava em casa de baixa com uma entorse.

Alguém veio cá abaixo chamar a polícia. Jeremias subiu à cena e com o seu vozeirão anunciou: –Vai tudo para a esquadra! Tudo à minha frente e a toque de caixa! A Menina Mariana vista qualquer coisa. Se leva tudo à mostra ainda vamos ter mais sarrabulho a descer a rua Barão de Sabrosa.

Andor!....

Antonio Raposo o autor

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