BANCADA DIRECTA: O afastamento de Paulo Portas.Com a sua sobrevivencia politica a sofrer uma "depressão trremenda" foi uma retirada à medida.....

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O afastamento de Paulo Portas.Com a sua sobrevivencia politica a sofrer uma "depressão trremenda" foi uma retirada à medida.....

«O maior desafio que se coloca a um político é sobreviver ao seu próprio êxito. Paulo Portas, ao dizer adeus, quer sair galardoado pelas suas maiores vitórias: ter conseguido delimitar a linha ideológica do Governo durante quatro anos e ter vendido ao PSD uma coligação onde o PP conseguiu mais deputados do que teria se voasse sozinho. 

Portas afasta-se como vencedor num teatro de derrota. O PS ocupa o poder e parece difícil removê-lo de lá nos próximos tempos. Assim Portas sabe que, na bancada parlamentar, poderia fazer brilhantes discursos sobre a "geringonça", mas que esta continuaria a rodar, arriscando-se a ser atropelado por ela. 

É uma batalha que não lhe interessa ter, deixando-a, como cicuta, para Passos Coelho, político que sempre viu como uma criatura dos verdadeiros criadores: Portas e os núcleos ideológicos académicos que definiram a nova direita portuguesa e o modelo de país criado pela austeridade. Pragmático e astuto, Portas retira-se para poder voltar depois. 

Promove uma luta de variantes de Iznogoud, que desejam ser o sultão no lugar do sultão Portas. Nada contra: ele continuará a ser a fonte ideológica do PP onde todos irão buscar a água. Portas não quer ser Kerensky e ficar como a figura mais importante da oposição ao czar, no caso António Costa. 

Para depois acabar como um débil aliado de um futuro PSD que renascerá das cinzas da oposição com outro líder e, talvez, uma vocação mais social-democrata. Portas não quer o PSD no centro: quere-o acorrentado à nova ideologia de direita com que o contaminou. Portas vai agora viver no território dos negócios, onde deixou as suas bandeiras ao longo destes anos. 

Talvez queira ser como Napoleão, para um dia poder fugir de Elba para regressar ao trono. Mas aí, muito provavelmente, já não será S. Bento que quererá ocupar. Sabe que o PP poderá ser hegemónico ideologicamente na sociedade portuguesa, mas nunca será um partido de massas. Mas ele, criador de criaturas, tem um sonho que acredita possível: Belém. 

Daqui a uns anos.»

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