BANCADA DIRECTA: Cometer um crime e ainda por cima querer tirar proveito. Coisas de um chico-experto

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Cometer um crime e ainda por cima querer tirar proveito. Coisas de um chico-experto


Notícia revela que os homens são esquisitos 

 «Há um ano, vindo de festa em Lisboa, um tipo atropelou um rapaz no Fogueteiro, sul do Tejo. Fugiu, foi para casa, na Amora, meteu o carro na garagem, lavou-o e deixou-o guardado durante nove dias. Entre a tragédia e o esconderijo, estamos a falar dum raio máximo de 5 kms. 

O tribunal vai agora julgar o condutor, confirmar o atropelamento, medir, em pena, as circunstâncias da fuga, e até os pormenores do esconder o incidente. Mas não, não é sobre o acidente que eu gostaria de ouvir o homem que atropelou, fugiu e escondeu. 

À justiça o que é da justiça... Queria ouvi-lo sobre coisas pequenas como, por exemplo, o que o levou ao que fez ao nono dia do carro guardado - e escondido com êxito porque nenhuma autoridade foi bater à porta do condutor. 

Até ao nono dia, um crime (ou um azar) perfeito. As consequências desse crime (ou azar) já o condutor as conhecia: o rapaz morreu. Quem não compraria todos os jornais para saber do vulto que atropelou? 

Em todo o caso, tendo-se passado nas vizinhanças, o condutor conhecia essa morte. Pois, ao nono dia, ele telefonou à seguradora, para consertar os danos! Alertada, a PSP apanhou-o. Quer dizer, o condutor não pegou no carro, foi às Terras de Basto, 500 quilómetros acima, encontrou uma garagem manhosa e pagou do seu bolso os arranjos... Não, ele quis estar segurinho, queria o crime (ou azar) gratuito. 

Não sei porque nunca se ouvem as pessoas sobre estas coisas pequenas e extraordinárias da vida.» 

[DN] Autor: Ferreira Fernandes.

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