BANCADA DIRECTA: Guerra Junqueiro parece estar a viver os dias de hoje!! UM RETRATO MAGISTRAL FEITO HÁ 118 ANOS, MAS COM ACTUALIDADE ATERRADORA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Guerra Junqueiro parece estar a viver os dias de hoje!! UM RETRATO MAGISTRAL FEITO HÁ 118 ANOS, MAS COM ACTUALIDADE ATERRADORA.

Guerra Junqueiro parece estar a viver os dias de hoje!!

 UM RETRATO MAGISTRAL FEITO HÁ 118 ANOS, MAS COM ACTUALIDADE ATERRADORA.



















"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga,
besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião,
um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;





Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,não descriminando já o bem do mal, sem palavras,sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam,entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação
unânime do País.


A justiça ao arbítrio da Política,torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso,pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
 
Guerra Junqueiro, 1896.






 


 
 

 




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