BANCADA DIRECTA: Votar é um direito. Mas é preciso saber votar bem. O nosso cronista "Olho Vivo e Pé Ligeiro" fala e escreve do que sabe e opina sobre a maneira pouco limpa como os interessados tentam captar os votos dos cidadãos

sábado, 11 de julho de 2015

Votar é um direito. Mas é preciso saber votar bem. O nosso cronista "Olho Vivo e Pé Ligeiro" fala e escreve do que sabe e opina sobre a maneira pouco limpa como os interessados tentam captar os votos dos cidadãos


Votar é um direito. 
Mas é preciso saber votar bem. 
O nosso cronista "Olho Vivo e Pé Ligeiro" fala e escreve do que sabe e opina sobre a maneira pouco limpa como os interessados tentam captar os votos dos cidadãos
A crónica de "Olho Vivo e Pé Ligeiro"

O QUE FAZER COM O NOSSO VOTO


 Regularmente, e acompanhado de alguma promoção nos órgãos chamados de comunicação social aparecem uns arautos da democracia, gente com canudo e gravata e sobretudo com uma grande lábia, sugerindo que eu devo votar, você deve votar porque se não o fizer alguém decidirá por mim - por mim e por si. Eu sei que não fazem por mal nem é gente mal formada.

Nem até com grande falta de recursos porque nunca os vi na sopa dos pobres onde eu vou ( mas não quero que se saiba, dado o meu orgulho e o facto de vir de famílias selectas) todos os dias matar a minha fome. As circunstâncias (essas bolhas que de vez em quando rebentam no melhor capitalismo) fizeram com que eu perdesse o emprego.

A firma onde eu trabalhava e que já estava falida, foi adquirida por uma multinacional e o pessoal sobrou e foi um despedimento colectivo, tudo legal. Como já não havia activos (entretanto os ativos deram à sola!) o pessoal ficou sem nada. Foi azar. Os meus antigos patrões ficaram mal porque o resto dos seus haveres foram vendidos à pressa e o dinheirito fugiu para um conhecido offshore nas Ilhas Caimão. Tudo legal.


Tudo legal que fiquei sem emprego e como não tinha dinheiro - o fundo de desemprego dura pouco – eu ainda só tenho 50 anos e nunca mais arranjei um lugar de empregado de escritório que era o que eu fazia. Resultado não pude pagar a rende da casa onde vivia e vim para o olho da rua. O senhorio até me disse que não o fazia por mal mas precisava daquele dinheirito para viver e não tinha alternativa.

 Pois aqui estou eu. São 1 da tarde e estou na bicha da sopa dos Anjos em Lisboa a fazer estas minhas conjecturas. Tenho no bolso diversos panfletos que sucessivas carrinhas de partidos políticos me deram ao passar por aqui. Nem vou ler nada porque já sei que todos me oferecem o paraíso e eu não preciso de mais que de um prato de sopa e de uma cama para dormir um pouco mais acolhedora que a que ocupo debaixo das arcadas.

Pergunto a mim mesmo qual é o meu país e o meu destino. Se eu adoecer ainda me tratarão no Hospital? Quem? Valerá a pena gastarem dinheiro com tão ruim personagem? Não pago impostos porque não ganho mas também não posso pedir nada em troca de nada! Quando me falavam em vagabundos – sou eu!

 Mas ainda tenho uma coisa. Para mudar o mundo. O meu voto. Com ele vou escrever no verso ( tem lá espaço) que não quero este mundo. Acho que o voto se fez para mudar o mundo e é isso que eu quero. Quero ter trabalho. Habitação e saúde. Será que me vão dar a troco do meu voto? Eles dizem que sim e eu tenho sempre votado nesse sentido, pois eles prometem um mundo melhor e é isso que eu quero.

 Lisboa. Avenida Almirante Reis, em frente ao Jardim dos Anjos. Edifício da Misericórdia de Lisboa. Actualmente e sempre foi conhecido como a "Sopa dos Pobres". Até à década de cinquenta era conhecido como a "Sopa do Sidónio". Famosas eram as suas sopas de lentilhas e de grão miudo, mais grão preto do que a cor habitual.

Ando a votar sempre desde o 25 de Abril. Já votei mais de 40 vezes! E nada muda. Começo a desconfiar que afinal o voto não é a arma do povo, coisa nenhuma. E eu fui enganado. Eu e provavelmente esta gente toda que está na bicha para a sopa dos pobres. O que tem sucedido cá é simplesmente a alternância. Nunca a mudança.

 Vira o disco e toca a mesma. Comigo é isto que tem sucedido. E consigo? Tudo bem? Pois antes assim. Não queira saber o que é ser pobre. Dói

Um abraço para os meus caríssimos leitores
"Olho Vivo e Pé Ligeiro"
Lisboa. 2015. Julho. 11.

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