BANCADA DIRECTA: O caso José Sócrates. O ex Procurador Geral da Republica dá a opinião de que algo vai mal. E não isenta a Comunicação Social de pretender fazer o julgamento do ex primeiro ministro na praça pública. Assim não vale: opina Pinto Monteiro

terça-feira, 23 de junho de 2015

O caso José Sócrates. O ex Procurador Geral da Republica dá a opinião de que algo vai mal. E não isenta a Comunicação Social de pretender fazer o julgamento do ex primeiro ministro na praça pública. Assim não vale: opina Pinto Monteiro


O caso José Sócrates.
O ex Procurador Geral da Republica dá a opinião de que algo vai mal.
E não isenta a Comunicação Social de pretender fazer o julgamento do ex primeiro ministro na praça pública.
Assim não vale: opina Pinto Monteiro

José Sócrates diz que os procuradores estão a agir por ressentimento.

Concorda?
Isso é o que diz José Sócrates e sobre José Sócrates tenho a dizer duas coisas: primeiro, enquanto fui procurador, nunca me foi apresentado nada que fosse ilícito. Segundo, quando houver uma sentença transitada em julgado que o condene, digo José Sócrates é culpado. Se houver uma sentença de juízes de direito, não de jornais, que absolva José Sócrates, digo José Sócrates está inocente. Até lá ignoro em absoluto o que se passa com José Sócrates.

Só há outra coisa que quero acrescentar, quando tomei posse disse uma frase mais ou menos assim: “Tenho um grande apreço pela comunicação social, que é muito importante num Estado de direito, um contra-poder, e os jornalistas têm o direito de criticar, de investigar, de comentar, de dizer bem, de dizer mal, o que não têm direito é de julgar”.

Neste momento, o que estamos a assistir é ao julgamento de José Sócrates que está condenado pela esmagadora maioria da imprensa. A sentença que o venha amanhã a condenar ou a absolver é uma coisa secundária. A comunicação social não inventa coisas, as informações vêm de algum sítio. Vêm de quem? Vêm de quem tem o processo, não há outra hipótese.

Quem é que mexe nos processos? Juízes, procuradores, advogados, solicitadores, funcionários e o próprio cidadão. Alguém que conhece o processo é que pode dizer o que vem no processo. Acho um escândalo o que se está a passar, mas repare o escândalo não é recente, o segredo de justiça é violado em Portugal desde sempre. Estive lá seis anos, lembro-me de haver uma vez que se apurou e não deu em nada já não sei porquê, de resto nunca se apura nada. Porque, enquanto houver linhas de comunicação directa entre magistrados, polícias, funcionários judiciais e os órgãos de comunicação social, o segredo de justiça nunca será respeitado.
Ou acabam com ele, hipótese número um, ou põem limites. Quando saiu da PGR havia investigações a José Sócrates? Que eu saiba não. Quer dizer, se havia escutas, etc, não eram feitas com o meu conhecimento. José Sócrates almoçou consigo três dias antes da detenção. Poderá ter usado esse almoço para aparecer em público com o ex-PGR antes de ser detido? Nunca farei um juízo de censura de uma pessoa, sem ter a certeza disso.

Nunca tinha almoçado a sós com José Sócrates. As únicas vezes que almoçava com ele era quando almoçava com o presidente do Supremo Administrativo, o Supremo Tribunal de Justiça, o bastonário. Ele, de vez em quando, fazia umas reuniões com os homens das leis, como dizia. Mais: nunca tinha falado a sós com José Sócrates, tenho ideia que uma vez me telefonou a desejar bom Natal. Se me perguntar se simpatizo com José Sócrates, simpatizo. Agora, não era amigo dele.

Recebi um telefonema de uma senhora que disse que era secretária, fui ter ao Avis uma hora atrasado. Estranhou na altura? Talvez não. Já tínhamos almoçado em conjunto. Eu já estava fora da PGR e ele já não era primeiro-ministro, não estranhei especialmente. Falámos numa conversa banalíssima. Ignorava, absolutamente, que houvesse um processo contra ele. Se soubesse não iria almoçar. Sempre fiz isso. Não se falou de nada, eu não tinha a mínima ideia disso.
O que não deixa de ser curioso é como é que as escutas se comunicam a jornais. Que ele estivesse sob escuta percebo. Se o andavam a investigar, está certo. Agora, como é que o semanário que divulgou isso soube? Só se foi através das escutas, ou seja, quem escutou a seguir comunicou ao semanário seu amigo que havia um almoço.

Depois erraram tudo, a única coisa que acertaram foi no almoço. As escutas estão ao serviço dos jornalistas. Quem é que pode acreditar no segredo de justiça?

 Pinto Monteiro

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