BANCADA DIRECTA: "No Palco da Saudade" é uma rubrica do nosso homem de teatro Salvador Santos e que se destina a recordar os nomes das figuras que engrandecerem os palcos dos teatros portugueses e do mundo.. Hoje é a vez de ser lembrado o histórico Almeida Garret. É o "Teatro no Bancada Directa"

sábado, 27 de junho de 2015

"No Palco da Saudade" é uma rubrica do nosso homem de teatro Salvador Santos e que se destina a recordar os nomes das figuras que engrandecerem os palcos dos teatros portugueses e do mundo.. Hoje é a vez de ser lembrado o histórico Almeida Garret. É o "Teatro no Bancada Directa"

"No Palco da Saudade" é uma rubrica do nosso homem de teatro Salvador   e que se destina a recordar os nomes das figuras que engrandecerem os palcos dos teatros portugueses e do mundo.. Hoje é a vez de ser lembrado o histórico Almeida Garret. 
É o "Teatro no Bancada Directa"

"No Palco da Saudade"
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto)

ALMEIDA GARRETT

Iniciador do romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo e da prosa moderna, jornalista, político, legislador, este notável cidadão nascido na cidade do Porto em 1799 é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. Considerado por muitos autores como o escritor português mais completo de todo o século XIX, que nos legou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários, foi nos Açores, na Ilha Terceira, para onde os pais o levaram aos dez anos de idade para escapar à segunda invasão francesa, que se iniciou nas letras.

Ali recebe uma educação clássica e iluminista (Voltaire, Rousseau…) que lhe ensina o valor da Liberdade, orientada pelo seu tio Frei Alexandre da Conceição, Bispo de Angra do Heroísmo, ele próprio escritor. Com pouco mais de dezoito anos, Almeida Garrett vai estudar Direito para Coimbra, onde é fortemente influenciado pelas ideias liberais que então germinavam na Universidade.

É nessa altura que edita a sua primeira obra, o poema “O Retrato de Vénus”, que a censura considera ultrajante, levando-o a responder em tribunal. Essa atitude censória, longe de o condicionar, leva-o a investir cada vez mais na escrita. E é assim que surge a sua primeira peça teatral, a tragédia “Catão”, representada em 1821, em Coimbra, pouco depois de ter recebido com grande entusiasmo e otimismo a notícia da revolução liberal. No ano seguinte é nomeado funcionário do Ministério do Reino, ao mesmo tempo que funda com a sua primeira mulher o jornal O Toucador.

Mas, em 1823, com a reacção miguelista da Vila-Francada, é obrigado a exilar-se em Inglaterra. Durante o seu exílio, que o leva também a França, Almeida Garrett toma contacto com a literatura romântica (Vítor Hugo, Byron e Walter Scott…), redescobre Shakespeare e, influenciado pelas recolhas de cancioneiros populares, começa a preparar o seu “Romanceiro”. Em 1825 e 1826, publica em Paris os poemas “Camões” e “Dona Branca”, primeiras obras portuguesas de cunho romântico, fruto da metamorfose estética em si operada pelas novas leituras. Em 1826, durante um período de tréguas, mostra-se confiante na Carta Constitucional, acordada entre D. Pedro e D. Miguel, e regressa a Portugal, dedicando-se ao jornalismo político nos periódicos O Português e O Cronista. Mas a retoma do poder absoluto obriga-o exilar-se de novo em Inglaterra.

Londres, entre 1828 e 1830, Almeida Garrett atravessa um período de grande criatividade e a sua escrita conhece uma fase de intensa divulgação. É nessa altura que publica, por exemplo, a “Lírica de João Mínimo”, o tratado “Da Educação” e o tratado político “Portugal na Balança da Europa”, onde analisa a história da crise portuguesa e exorta à unidade e à moderação. Regressa depois, em 1832, à Ilha Terceira para incorporar-se no Exército Liberal, com o qual participa no célebre desembarque do Mindelo.

Durante o Cerco do Porto, que marca o início do fim da Guerra Civil Portuguesa de 1828-1834, escreve o romance histórico “O Arco de Santana” e colabora com Mouzinho de Albuquerque nas reformas administrativas. Mas o rápido desencanto com a prática política caseira leva-o a aceitar a nomeação de cônsul-geral em Bruxelas.

Depois desta espécie de terceiro exílio, motivado sobretudo por aquilo que considerou de insustentável promiscuidade da corrida dos liberais aos cargos públicos, que lhe permite um contacto direto e bastante fecundo com a língua e a literatura alemãs (Herder, Schiller, Goethe…), Almeida Garrett regressa a Lisboa, em 1836, separa-se da sua primeira mulher e funda o jornal O Português Constitucional.

Nesse mesmo ano, após a Revolução de Setembro, é incumbido pelo governo de Passos Manuel da organização do Teatro Nacional. Nesse âmbito, desenvolve uma ação notável, criando e dirigindo a Inspeção Geral dos Teatros e o Conservatório de Arte Dramática, tendo também intervenção direta no projeto de edificação do Teatro Nacional D. Maria II. Em 1838, Almeida Garrett torna-se deputado da Assembleia Constituinte e membro da comissão de reforma do Código Administrativo, ao mesmo tempo que escreve algumas das mais importantes peças do repertório dramático nacional: “Um Auto de Gil Vicente”, “Dona Filipa de Vilhena” e “O Alfageme de Santarém”.

É por esta altura que inicia uma relação com Adelaide Deville, que morrerá em 1841 deixando-lhe uma filha (episódio que inspirará “Frei Luís de Sousa”, peça fundamental da nossa dramaturgia). Entretanto, sendo ele um dos mais férreos opositores da ditadura de Costa Cabral, é demitido sem grandes surpresas do cargo de inspetor-geral dos teatros e dedica-se então quase em exclusivo à escrita de “As Viagens na Minha Terra”.

O triunfo do movimento político da Regeneração (1851) trouxe de novo Almeida Garrett à política activa. Fundou por essa altura um novo jornal, a que chamou A Regeneração, e foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas devido ao seu espírito independente saiu em 1853 do governo regenerador. Regressou então à escrita, iniciando o romance “Helena”, que não concluiu devido ao seu falecimento em 1854.

Nota do Autor:

Com esta evocação desce o pano sobre a rubrica “no palco da saudade”, que marcou presença na BANCADA DIRECTA por 190 vezes. Até breve.

Salvador Santos
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2015. Junho. 27

Nota do blogue Bancada Directa

Os administradores deste blogue, Pedro Sousa (New Bedford. USA e Adriano Ribeiro (Sintra) agradecem ao Salvador Santos a prestimosa colaboração que deu com a sua rubrica "No Palco da Saudade. 

Apresentamos novamente os nossos sinceros agradecimentos


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