BANCADA DIRECTA: Mas afinal a casa é minha e os outros é que querem mandar nela.....E o triste é que querem que a pobreza se instale. Um retrato dos sofrimentos do povo grego

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Mas afinal a casa é minha e os outros é que querem mandar nela.....E o triste é que querem que a pobreza se instale. Um retrato dos sofrimentos do povo grego


Certos painéis de alegado debate televisivo têm-me feito repescar nas minhas memórias alguns episódios que me remetem para a matriz cultural onde essas doutas opiniões vão angariando apoios. 

Lembro-me, por exemplo, da primeira assembleia de condóminos a que compareci na qualidade de proprietário de uma fracção de um imóvel, quando fui obrigado a explicar à senhora administradora, que pouco antes me disse que aquilo sempre tinha sido uma família harmoniosa onde ninguém nunca levantou problemas, que eu agora também fazia parte dessa “família” e que não tinha que pedir licença para reivindicar direitos que não dependiam do que ali se decidisse. 
Ou da vez que essa mesma senhora me apareceu à porta às 9 da madrugada, explicação dela, para que o empreiteiro que a acompanhava verificasse o estado da parede exterior do prédio pela janela do meu apartamento, de como lhe pedi para regressar mais tarde e que avisasse sempre que uma visita daquelas se tornasse necessária, de como insistiu com ares autoritários, que era a administradora do prédio, de como deu meia volta depois do meu “pois, mas esta casa é minha e aqui só entra quem eu quero e quando eu quero” e de como tive que repeti-lo para apaziguar a solidariedade que os meus vizinhos dedicaram à invasora que elegeram soberana da minha privacidade e das minhas horas de sono. 

 Regressando aos pregadores que fizeram saltar estas linhas, a versão que escolheram para rebater a recusa de Alexis Tsipras em prostituir o mandato democrático que recebeu do seu povo e em deixar morrer a democracia da Pátria que a viu nascer aos pés das imposições dos credores apostou na sua sobreposição com outras vontades populares, alegadamente democráticas e investidas do poder supremo do dinheiro. Mas mesmo nada democráticas. 

Tal como os meus vizinhos com a minha vida, os comentadores do regime reconhecem aos vizinhos alemães o direito a condenarem os gregos à miséria, o direito dos vizinhos finlandeses a exigirem uma penúria ainda maior para os reformados gregos, o direito do amigo FMI a recusar a substituição dos cortes nas pensões de reforma dos gregos por reduções em gastos com armamento, o direito dos franceses a recusarem a todos os gregos desempregados o direito a assistência na Saúde e esse luxo chamado electricidade aos mais empobrecidos pela brutalidade do ocupante externo, o direito de todos eles a continuarem a financiar a imposição de uma solução final austeritária contra a vontade soberana de um povo e o direito dos três partidos do nosso rotativismo a alinharem-se com estas imposições, a aplicarem-nos voluntariamente a mesma receita e a replicarem o desastre grego numa versão que vendem como sucesso à prova de contraditório nos meios de comunicação que dominam como querem nesta democracia moldada pelo seu quase monopólio da opinião.

Bancada Directa / O País do Burro

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