BANCADA DIRECTA: Quem tem mérito tem de ser recompensado. Mas há muitas formas de se ter o tal mérito. E quando convém, não há meias medidas

sábado, 30 de maio de 2015

Quem tem mérito tem de ser recompensado. Mas há muitas formas de se ter o tal mérito. E quando convém, não há meias medidas


Carlos Costa, o exemplo do mérito 

 A recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é um justo prémio. E tem uma longa história


Começou a 27 de Setembro de 2009. Nessa data, os eleitores decidiram que o Parlamento não teria uma maioria de um só partido. O partido do Governo tentou formar uma coligação para o novo Executivo ou fazer um acordo parlamentar, mas ninguém na oposição aceitou o convite. 


Apesar disso, e sem ter feito qualquer pressão para se obter outro desfecho nem revelando qualquer incómodo com as consequências da situação, o Presidente da República deu posse a um novo Governo minoritário. Aqui, façamos uma pausa para imaginar as alternativas que tinha o PS nesse cenário. 


Caso se recusasse a governar em minoria, teria de ser marcado novo acto eleitoral. O tempo que tal levaria a preparar seria ocupado por um Governo sem qualquer legitimidade para governar para além das despesas correntes, e isto estando-se ainda a tentar sobreviver à maior crise económica global dos últimos 70 anos. 

A campanha seria feita sem a mínima certeza de se vir a obter uma maioria e a oposição repetiria a mesma cassete da eleição de Setembro, promoveria o mesmo sectarismo da recusa de estabilidade e agitaria a bandeira da irresponsabilidade contra aqueles que, tendo ganhado as eleições, se recusavam a respeitar o mandato popular por recusarem a democracia e só obedecerem à sua sede de um poder absoluto. Teria sido uma coisa linda de se ver, e tão mais linda quanto a Grécia estava mesmo aí a rebentar e o mundo a mudar. 

 A escolha de Carlos Costa veio em Abril de 2010, pela mão de um Governo socialista que já sobrevivia em modo PEC desde Março desse ano. Isto é, a Europa estava completamente à deriva, sem instrumentos formais nem vontade política para ajudar os países mais ameaçados pelo efeito dominó da crise grega. 


A Irlanda seria a próxima vítima, enquanto Portugal tinha uma claque interna que apostava todas as fichas no afundanço nacional. A lógica era simples: já que o Governo estava a ser cada vez mais pressionado pelos parceiros europeus para assumir medidas de austeridade, e posto que elas iam sendo realizadas, havia que dizer que esse caminho estava errado. 


Ao mesmo tempo, culpava-se o capitão do navio pela tempestade, martelando-se sem descanso na retórica da culpa. Figurões portugueses iam para o estrangeiro anunciar que o País não tinha condições para fugir ao resgate, dando o seu melhor para que os seus desejos se concretizassem. 


Cá dentro, qualquer dado que pudesse ser positivo para a imagem do Governo, nem que fosse dizer-se que Portugal tinha um clima temperado, era de imediato submergido pelo berreiro da legião do ódio que não suportava boas notícias.

E de mérito em mérito a recompensa surgiu. 

Alegaram que não se muda um vendedor no meio de uma venda importante. (Deputada Cecilia Meireles. CDS.PP. Parlamento. 2015. Maio.29). Saber vender também tem o seu mérito

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