BANCADA DIRECTA: A disciplina obscena da direita Muitas vezes sou confrontada com a piada antidemocrática, de quem não entende o que é um Partido livre e plural

domingo, 10 de maio de 2015

A disciplina obscena da direita Muitas vezes sou confrontada com a piada antidemocrática, de quem não entende o que é um Partido livre e plural

A disciplina obscena da direita
Muitas vezes sou confrontada com a piada antidemocrática, de quem não entende o que é um Partido livre e plural, concretamente com a frase o PS está dividido porque x ou y fizeram declarações parcialmente discordantes com o SG. 
Basta isto para aparecer o grito eufórico dos coleccionadores de jornais a clamar o PS dividido. 

Curiosamente, essas vozes sem substância são as mesmas que encerram um anticomunismo primário, situado em 1975, incapazes de darem um salto para a contemporaneidade, sempre acusando as regras do PCP, internamente aprovadas, de disciplina partidária. Numa atitude bipolar, não difícil, mas demasiado fácil de acompanhar, são o oráculo contra o PCP que não tem vontades individuais, mas apenas uma vontade colectiva e disciplinada, uns safados, portanto. Esta gente é sobretudo do PSD, e na prática acompanhada pelo CDS.

Anotam nas margens dos jornais, que coleccionam, factos banais para um socialista, como votar livremente contra a orientação não vinculativa da bancada (acontece variadíssimas vezes, o que é valorizado dentro da pluralidade de um Partido livre). Lendo as atas da AR ficamos a saber que o reputado constitucionalista e ex- juiz do TC votou a favor da chamada lista de pedófilos para logo a arrasar numa declaração de voto, acusando a proposta de inconstitucionalidade, com fundamentação exaustiva, na linha dos inúmeros pareceres que Paula Teixeira da Cruz ignorou. 

Aprende-se com a declaração de voto, mas não se percebe como é possível que o Partido que se afirma como o palco da unidade contra os Partidos desunidos ou os Partidos de voz única impõe disciplina de voto sobre uma matéria crucial de direitos fundamentais. Mais não se compreende como é que Deputados como Paulo Mota Pinto preferem a disciplina à consciência jurídica, livre e ética. Eis então o Partido da unidade livre. 
O mesmo que impôs a disciplina de voto num referendo inconstitucional sobre a co-adopção em casais do mesmo sexo, num ataque jamais visto a crianças concretas, e todos assistimos aos Deputados e Deputadas que sabíamos serem contra aquele horror a obedecerem qual carneiros e a desdobrarem-se em declarações de voto, que talvez os tenham feito dormir melhor, mas que não aliviaram em nada o insulto aviltante a crianças eventualmente sujeitas ao escrutínio popular. 

É o mesmo PSD cheio de jovens na primeira fila, sem aflição alguma com a discussão acerca de um possível processo disciplinar a aplicar ao histórico do PSD, Guilherme Silva, que teve o atrevimento de votar contra o OE. É o mesmo PSD que nas suas bancadas tem advogadas e advogados, alguns, em confidências, assustados com a inimaginável tutela de mérito que Paula Teixeira da Cruz quer impor à Ordem dos Advogados, mas disciplinados a votar a favor, porque representam o Partido e não o povo. 


Talvez seja tempo dos medíocres coleccionadores de declarações de homens e mulheres livres, famintos por trocar a liberdade por fractura, reflectirem sobre a casa onde hoje habitam, esse PSD esquecido que cada Deputado, constitucionalmente, representa o povo. 


E é livre. 


Bancada Directa / Expresso on line / Isabel Moreira

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