BANCADA DIRECTA: PSD e CDS.PP casaram no Dia da Liberdade. Os casamentos de Santo António primavam e continuam por serem actos de amor de pessoas necessitadas de apoio da Sociedade. Esta união pré- eleitoral entre partidos da direita prima por ser um casamento de conveniência e despudorado. Como insulto ao 25 de Abril foi uma atitude lamentável.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PSD e CDS.PP casaram no Dia da Liberdade. Os casamentos de Santo António primavam e continuam por serem actos de amor de pessoas necessitadas de apoio da Sociedade. Esta união pré- eleitoral entre partidos da direita prima por ser um casamento de conveniência e despudorado. Como insulto ao 25 de Abril foi uma atitude lamentável.

PSD e CDS.PP casaram no Dia da Liberdade. 
Os casamentos de Santo António primavam e continuam por serem actos de amor de pessoas necessitadas de apoio da Sociedade. 
Esta união pré- eleitoral entre partidos da direita prima por ser um casamento de conveniência e despudorado. Amor nem pensar
Como insulto ao 25 de Abril foi uma atitude lamentável.

O acordo pré-eleitoral CDS/PP com o PSD ontem firmado link foi um 'fogacho' pré-eleitoral mas parte de falsos pressupostos. Um deles é quem pediu, ou condicionou, em 2011, a intervenção externa perante uma difícil situação financeira que, tendo componentes internas, nasce de manobras especulativas do sistema onde assentam arraiais os ‘investidores’ (institucionais na sua maioria), travestidos como implacáveis e inomináveis ‘credores’. 


Quando, em 2011, o largo espectro político-partidário paroquial adoptou a solução de proceder a uma ruptura política interna não mediu as consequências. Uns (a Esquerda) rejeitaram a austeridade pensando que existiriam outras soluções alternativas, outros (a Direita) embrulharam-se em promessas de ‘cortes nas gorduras’ do Estado, jurando poupar os cidadãos
Ambos estes cenários revelaram-se absolutamente fantasiosos. E o custo desta ‘fantasia’ recaiu sobre os portugueses. Há, todavia, uma categórica afirmação que passados 4 anos não pode ser esquecida nem desvalorizada. Passos Coelho comprometeu-se a cumprir o programa da Troika (conhecido antes das eleições de 2011) e “ir mais além das metas acordadas” link. Esta terá sido uma das poucas intenções manifestadas que cumpriu. De salientar que se tratou de um compromisso pós-eleitoral perante o Presidente da República. 

Este, por outro lado, viria a revelar-se um fiel companheiro governamental na aplicação de uma desastrosa politica austeritária. Agora suspira por um entendimento interpartidário. Vá lá entender-se a equivoca personagem. O outro equívoco é o de que a governação conjunta durante os últimos 4 anos foi um sucesso linear, explícito e incontestável. 


Na realidade, a dívida não parou de crescer, o desemprego mantém-se a um nível intolerável, a pobreza cresceu exponencialmente e os apoios sociais caíram a pique. Existem, de facto, indicadores macroeconómicos que melhoraram, mas como reconhece a própria maioria governamental não atingiram as pessoas. E em Setembro/Outubro são as pessoas que votam… 

O FMI que recebeu antecipadamente o dinheiro emprestado também não votará. Na realidade, é difícil contornar esta iniquidade: uns recebem antecipadamente no decurso de uma crise ainda não debelada e num clima de indefinição futura e para os outros foi aventada a hipótese de pagamentos em suaves prestações anuais, condicionalmente, i. e., se a situação (orçamental, nacional e europeia) evoluir bem. 

Esta dualidade de critérios caracteriza bem a atitude deste Governo. É isto que estará em julgamento nas próximas legislativas. O acordo tem, como é habitual nestes entendimentos, intenções ocultas. A primeira é meramente contabilística. A ida em coligação às eleições – com o método de Hondt – poderá beneficiar a 'frente eleitoral de Direita', embora descaracterize as opções (nuances) partidárias, face a um plano de tentar a todo o custo a permanência no poder. Não fica qualquer espaço para as habituais tiradas de ‘desapego ao poder’. 

Outra vertente deste acordo pré-eleitoral é permitir o clássico 'sacudir a água do capote'. No dia seguinte às eleições os 2 dirigentes partidários subscritores do presente acordo apressar-se-ão a endossar ‘um’ ao ‘outro’ os resultados tentando cada um salvaguardar a sua posição partidária. O primeiro acto ocorreu ontem (sem surpresas), segue-se o enredo eleitoral que não expurgou todas as possibilidades de correr mal e o terceiro acto vem depois e não oferece garantias de qualquer estabilidade. Finalmente, existe como é habitual nestas situações a canibalização partidária. 

Tradicionalmente, o partido de maiores dimensões tende a canibalizar o mais pequeno, capitalizando as suas áreas de influência (partidária). Este é um desafio que os militantes do CDS não deixarão, ao longo da campanha, de ponderar. A ‘irrevogável’ avaliação ficará para depois.


Bancada Directa / Ponte Europa

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