BANCADA DIRECTA: A minha homenagem àquela mãe e àquela filha que lutam para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Entrar-se em Mestrado e as exigencias são tão díspares quanto a “timings” de apoio. Bolonha será assim tão apetecível? Muitos, mas mesmo muitos ficam pelo caminho………

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A minha homenagem àquela mãe e àquela filha que lutam para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Entrar-se em Mestrado e as exigencias são tão díspares quanto a “timings” de apoio. Bolonha será assim tão apetecível? Muitos, mas mesmo muitos ficam pelo caminho………


A minha homenagem àquela mãe e àquela filha que lutam para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Entrar-se em Mestrado e as exigências são tão díspares quanto a “timings” de apoio. 

Bolonha será assim tão apetecível? 
Muitos, mas mesmo muitos ficam pelo caminho……… 

Há pouco, chegou até mim uma das muitas histórias do género que se vivem por estes dias por esse país fora. Uma mãe contava-me a sua boa e a sua má notícia da semana. A boa, que a filha tinha conseguido entrar em mestrado. A má, que a mesma filha, bolseira de licenciatura, não tinha dinheiro para a primeira propina, a qual pelos vistos, apesar dos protestos, lhe foi exigida imediatamente juntamente com a garantia de lhe ser devolvida na eventualidade da bolsa lhe ser atribuída. 

São 200 e tal euros mensais, mais do que sobra do ordenado da mãe depois de pagas a renda de casa, água, luz e outros luxos do mesmo género, também mais do que a miúda recebe pelas quatro horas diárias que faz na caixa de um supermercado para ter dinheiro para as deslocações, alimentação, fotocópias ,– e livros são extravagância que está acima de qualquer possibilidade, e restante material escolar que a mãe não pode comparticipar. 


Veio à conversa Bolonha, que antes as licenciaturas eram de cinco anos, que as encurtaram para três, que passaram a chamar "mestrado" aos restantes dois e que quem quer obter formação equivalente às antigas licenciaturas de cinco anos passou a ter que pagar estes dois últimos anos a preço de "mestrado", muito superior ao da propina dos três primeiros anos, e com apoio social escolar ainda mais racionado e ainda mais miserável do que aquele a que têm direito os alunos de licenciatura. 


E vieram à conversa os agradecimentos dos ultra da claque rosa ao prisioneiro 44, Primeiro-ministro do Governo que implementou o Processo de Bolonha, e as homenagens que mereceu o grande homem da Ciência – digo-o sem qualquer ironia – que o primeiro escolheu para executar Bolonha na qualidade de titular da pasta da Ciência e Ensino Superior. 

Estas linhas são a minha homenagem àquela mãe, àquela filha e a todos os meus compatriotas que, sem se fazerem notar, lutam diariamente contra as dificuldades do inferno que todos vamos herdando daqueles que sempre têm lugar cativo no paraíso dos grandes homens disto e daquilo. Alguns conseguem vencê-las. Muitos, cada vez mais, ficam pelo caminho. Todos eles são os meus grandes homens e as minhas grandes mulheres. 

Porque? Porquê? 

A Comissão Europeia, os Ministérios da Educação, as conferências de reitores e de presidentes de estabelecimentos de ensino superior e as associações representativas do movimento estudantil a nível nacional e europeu têm desenvolvido esforços, impensáveis há ainda poucos anos, tendentes à concretização do espaço europeu de ensino superior. (...) “a economia do conhecimento mais competitiva e mais dinâmica do mundo, capaz de um crescimento económico duradouro acompanhado de uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de maior coesão social”. 

Se conseguir realizar este ambicioso objectivo, a Europa poderá então afirmar-se competitivamente com outros parceiros a nível mundial, na área de ensino superior e da ciência. 


Tenderá assim a emergir uma Europa do ensino superior, nascida da concretização do Processo de Bolonha, que estará em posição de falar a uma só voz enquanto espaço integrado competitivo de educação e ciência e, deste modo, ganhar maior protagonismo na cena mundial e ter uma palavra a dizer no delinear dos modelos das sociedades do conhecimento do século XXI.»

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