BANCADA DIRECTA: Pelo “Reino da Safardácia” enquanto uns vivem muito bem e à francesa, outros nem um colchão de palha para dormir têm. Uma crónica do nosso colaborador Dom Paio Peres Correia

sexta-feira, 13 de março de 2015

Pelo “Reino da Safardácia” enquanto uns vivem muito bem e à francesa, outros nem um colchão de palha para dormir têm. Uma crónica do nosso colaborador Dom Paio Peres Correia


Pelo “Reino da Safardácia” enquanto uns vivem muito bem e à francesa, outros nem um colchão de palha para dormir têm. 
Uma crónica do nosso colaborador Dom Paio Peres Correia 

 FABULAS DE VOLTAREN (1) 

 
Havia, nos tempos que já lá vão e que parece estão a voltar, um rapaz muito convencido, que nasceu na antiga Safardácia, junto à estrada 125 azul, que é logo ali em frente, é só cortar à direita, a seguir à bomba de gasolina. 

 Cresceu, foi à tropa, casou e fez-se um homenzinho. Porém era e ainda não mudou, muito teimoso e queria à viva força ser presidente da Safardácia e nem se importaria vir a ser rico. 


Já agora – dizia! Acabou satisfeito, reformado e a gozar uma boa vida, a apanhar sol, banhos de praia e muita sardinha assada no carvão, queixando-se levemente do reumático na falta de outras complicações. Rebentavam-lhe os cantos da boca por exagerar na ingestão de figos, mas neste mundo nem todo são rosas e água de malvas. 


 A esposa Maria – um nome tão comum a todas as Safardanas autóctones tratava-lhe das maleitas e dava-lhe à noite chá de limão para a azia. 


Naquela casa era impensável gastar dinheiro em comprimidos azuis. Podereis tomar assim as vossas conclusões. Sobrava sempre para os Safardanos… 
Era ela que guardava ciosamente os maços de notas sob o colchão de palha (e viva a ecologia) com todas as eventuais consequências mas ele dizia que todos os seus amigos banqueiros andavam a roubar mais do que o costume e não lhe pareciam ser de confiança. 

E se mais não estavam presos era porque sabiam dominar melhor que outros a arte de bem roubar em toda a banca, legalmente! 

 O povo da Sarfadácia continuava pobre e dependente da costumada caridadezinha costume antigo ainda muito cultivado por gente de bem. Sabiam que a felicidade não tem nada a ver com o vil metal e os pobres entram mais facilmente no reino dos Céus. Graças a Deus e aos pecadores ricos. 


 Esta é a moral da história, ou isto não se chame uma fábula de Voltaren (1) (


1) Voltaren- Nome próprio Cretense discípulo de Esopo contemporâneo de La Fontaine, inspirado numa bula de comprimidos para as dores menstruais e outras enxaquecas.

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