BANCADA DIRECTA: Caloteiros!...Há sempre dos bons e dos maus. Fora as coincidências, claro. Apresentamos agora como se comporta um caloteiro assumido. É o seu manual de comportamento e pensamento (Qualquer semelhança com a realidade é coincidência)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Caloteiros!...Há sempre dos bons e dos maus. Fora as coincidências, claro. Apresentamos agora como se comporta um caloteiro assumido. É o seu manual de comportamento e pensamento (Qualquer semelhança com a realidade é coincidência)

Caloteiros!...
Há sempre dos bons  e dos maus. 
Fora as coincidências, claro. 
Apresentamos agora como se comporta um caloteiro assumido. 
É o seu manual de comportamento e pensamento (Qualquer semelhança com a realidade é coincidência) 

 - O caloteiro nunca ofende, é sempre ofendido. 

- O caloteiro coloca a honestidade acima de tudo. A dele. 
- Excepção feita aos que o conhecem demasiado bem. 
- O caloteiro tolera os adversários, desde que não ameacem o seu lugar.
 - E o elogiem. 
- O caloteiro respeita a presunção de inocência e só a despreza se necessário. 
- O caloteiro não gosta de ser chamado caloteiro, acha que o retrato é injusto. 



E a justiça é muito importante para o caloteiro, ele não suporta injustiças. 
- O caloteiro é sempre justo, mesmo quando reconhece não ser «exemplar». 
- O caloteiro não pensa. Ele é mais um homem de acção. 
- O caloteiro não tem saudades de Salazar, tem inveja. 
- Acha apenas que lhe faltam os meios. 
- Alguém que impedisse a divulgação dos factos contra si. 
- E publicasse calúnias contra os adversários. 
- Ou mesmo factos, se lhe fossem úteis. 
- O caloteiro sabe que a descolonização foi muito mal feita. 
- O caloteiro gostava de uma Pátria maior, a que julgava dele. 
- E de mandar nela. 
- O caloteiro acha que os políticos são todos corruptos. 
- E por ele ia tudo preso. 
- Mas diz que nem todos os políticos são iguais. 
- O caloteiro não é político, ocupa o lugar que os amigos lhe impuseram. 
- O caloteiro acha que pagou todas as contas. 
- Pelo menos, nunca deixou de pagar o que o Fisco o convidou a pagar. 
- O caloteiro acha que as dívidas são para pagar. 
- Mas pagá-las, antes de serem noticiadas, é eleitoralismo. 
- O caloteiro sempre pensou em pagar, apesar de prescrito o calote. 
- E só não pagou a totalidade porque o credor negou qualquer dívida. 
- O caloteiro gosta de um presidente que não se meta na luta eleitoral. 
- E aprecia que repita o que dizem os outros assessores. 
- O caloteiro acha que isso é isenção.
- O caloteiro sente-se injustiçado e não é como o preso. 
- O caloteiro acha que a prisão preventiva é o mínimo para quem o ataca. 
- O caloteiro respeita a Justiça. 
- Quando é aplicada a adversários. 
- O caloteiro é contra o direito à diferença. 
- Mas ofende-se que não lhe reconheçam o direito à diferença. 
- O caloteiro sabe que é crime enriquecer no lugar que ocupa. 
- Mas não aceita a confusão com os lugares que ocupou. 
- O caloteiro sofre de amnésia. 
- O caloteiro não sabe onde trabalhou durante alguns anos. 
- O caloteiro esqueceu-se de quem lhe pagou. 
- Mas reconhece que desconhecia que tinha de pagar impostos. 
- O caloteiro é pela transparência. 
- Mas recusa a devassa às suas declarações de IRS. 
- O caloteiro pede um subsídio de reintegração pela exclusividade de funções.
 - Mas não se recorda se outras funções, em simultâneo, eram pagas. 
- O caloteiro é a favor da democracia.
 - Mas acha que uma democracia, com esta oposição, não é democracia. 
- O caloteiro detesta que lhe chamem caloteiro. 
- O caloteiro sabe que, ao negar que o é, está a ser manhoso. 
- Outras vezes não sabe mesmo. 
- O caloteiro odeia as Finanças e a Segurança Social. 
- Mas defende que todos devem cumprir as suas obrigações. 
- O caloteiro só não paga por distracção e falta de dinheiro.
 - O caloteiro nunca perde autoridade para exigir aos outros o que não faz. 
- O caloteiro não cumpriu porque não foi convidado a fazê-lo. 
- Ou foi.
 - Sem carta registada. 

 (Texto adaptado de uma obra de Rui Zink)

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