BANCADA DIRECTA: Quem é o senhor que anda a dizer que agora a Democracia que nasceu na Grécia é um “sonho de crianças”, enquanto que na terra dele, infelizmente a nossa, vegeta um “sonho que é um pesadelo” com esta austeridade que está para durar para mal dos portugueses? Difícil será com estas atitudes manter-se o sonho de uma Europa comum. Depois admirem-se se voltarem as ditaduras aos países mais fracos....

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Quem é o senhor que anda a dizer que agora a Democracia que nasceu na Grécia é um “sonho de crianças”, enquanto que na terra dele, infelizmente a nossa, vegeta um “sonho que é um pesadelo” com esta austeridade que está para durar para mal dos portugueses? Difícil será com estas atitudes manter-se o sonho de uma Europa comum. Depois admirem-se se voltarem as ditaduras aos países mais fracos....


Quem é o senhor que anda a dizer que agora a Democracia que nasceu na Grécia é um “sonho de crianças”, enquanto que na terra dele, infelizmente a nossa, vegeta um “sonho que é um pesadelo” com esta austeridade que está para durar para mal dos portugueses? Difícil será com estas atitudes manter-se o sonho de uma Europa comum. Depois admirem-se se voltarem as ditaduras aos países mais fracos....

 A Grécia e a União Europeia 

O novo Governo grego, o «sonho de crianças», como um estouvado e inimputável PM lhe chamou na sua abissal ignorância, e subserviência ainda maior aos poderosos, tem um problema com a União Europeia, mas esta tem um problema maior com a Grécia. Há vários países cuja dívida jamais poderá ser saldada nas condições actuais e nem todos os governos suportam ver 20% dos seus cidadãos em confrangedora miséria e no maior desespero. 

Surpreende, mesmo em governantes a quem as madraças juvenis facultaram um curso tardio, quiçá por equivalência política, que não tenham aprendido no 4.º ano de escolaridade que um total é 100%, que o superavit de alguns países exige o défice de outros, que o capitalismo, descontadas virtudes conhecidas, tem intrínsecas maldades a ocorrê-lo e a atirar os povos para o desespero, a revolta e a revolução, sendo esta última a única situação em que os poderosos podem sair prejudicados. 

 A Grécia não é a causa do beco em que a União Europeia (UE) aparece mergulhada, é a consequência gravosa de a última ter deixado substituir políticos por contabilistas e, por fim, ter permitido aos incapazes e oportunistas o assalto às alavancas do poder. A Grécia foi espoliada, desprezada e humilhada. 

Cansou-se e é fácil destruí-la. Hoje não é preciso enviar exércitos, basta deixá-la morrer à fome, mas, tal como sucede com uma infecção que não é tratada, é o corpo todo que se contagia e engana-se quem considera a cirurgia solução, esquecendo as meseta que alastraram para os órgãos nobres da UE, isto é, para os bancos dos países ricos que exageraram nos juros e perderão o capital. A vitória do Syriza foi a vitória da democracia grega e não o regresso dos coronéis ao poder. Demonizar a decisão eleitoral de um povo é ter da democracia uma leve ideia e da vontade popular uma visão míope. 
Só mesmo um filho da troika a pode contestar. A Grécia, berço da democracia e da civilização em que nos revemos, pode ter abreviado o fim desta época histórica da Europa mas não cabe a Alexis Tsipras a responsabilidade do fracasso. Ele apenas se limitou a perguntar à UE se há salvação. 

 É fácil esmagar o Syriza e satisfazer a obsessão de muitos. Impossível é, depois, insistir no sonho de uma Europa comum e na preservação da paz e da democracia. Adivinha-se facilmente onde despontarão as primeiras ditaduras

O texto é do "Sorumbatico" e do "Ponte Europa"
O titulo do post é do Bancada Directa.

Sem comentários:

Obrigado Pela Sua Visita !