BANCADA DIRECTA: Historias do Ninonino. Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais. Hoje apresentamos o 7º e ultimo episódio desta série da autoria da dupla “Os Bisontes”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Historias do Ninonino. Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais. Hoje apresentamos o 7º e ultimo episódio desta série da autoria da dupla “Os Bisontes”.


Historias do Ninonino.
Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais.
Hoje apresentamos o 7º e ultimo episódio desta série da autoria da dupla “Os Bisontes”.

OS CRIMES DO ALTO DO PINA
7º (e felizmente último) EPISÓDIO
Não há-de o pessoal do INEM andar de estado psicológico pelas ruas negativas da amargura. Com quatorze saídas em simultâneo para a Rua Morais Soares para acudir e tentar dar vida aos mortos é "muita areia para a camioneta deles". Mas parece que não se atrasaram tanto como agora acontece nos serviços de urgencia hospitalares em atender os doentes

Ao ter tido conhecimento de uma "calta complometedola encontlada num lestaulante em São Pedlo" acudiram-me à memória recordações do passado, que já quase se tinham perdido na poeira dos muitos anos que passaram entretanto. Mas em resultado de conversas à lareira, como se usava em épocas passadas, pude recordar um punhado de acontecimentos que julgo importante dar à estampa.

Foi num Restaurante de S. Pedro de Penaferrim onde habitualmente se reuniam amigos descendentes de desiludidos escritores policiais e inspectores de uma coisa a que os antigos davam o nome de "Judite" já em situação de reforma, que o caso dos horríveis crimes do Alto do Pina vieram à baila numa noite de sábado, após um lauto repasto bem regado com um tinto de 2015, que escorregava pelas gargantas sequiosas dos convivas sem qualquer dificuldade ou constrangimento.

Reuniam-se de vez em quando arrastados pela tradição herdada de parentes queridos que em vão lhes tinham tentado transmitir o apego às coisas policiárias, no que não terão obtido grandes resultados, se excluirmos o amor ao garfo e à boa pinga. -"A data deste vinho não vos lembra nada de especial?- perguntou a certa altura da noite o Verbanove, especialista em tintos, antes de engolir mais uma queijada de Sintra. -"Espera lá... 2015? Isso lembra-me qualquer coisa...
   Esclarecimento importante. Neste blogue foi recebido um comunicado dos seis anteriores autores desta novela colectiva que pretendem dissociar-se desta onda de sangue com as 14 mortes verificadas. Desta carnificina lavam as suas mãos, não vão o Rosario e o Alexandre suspeitarem deles e pregarem-lhe com algumas preventivas

Não foi o ano em que o Paulo Portas deixou de casar com uma princesa espanhola porque ela exigiu que o dia 1.o de Dezembro passasse a ser feriado em Espanha para festejar terem-se visto livres dos portugueses?" - disse o Zé Viriato. E o Arnoso: -"Que disparate! Não me lembro que esse alguma vez tenha estado para casar! Foi mas foi o ano em que o Cristiano Ronaldo se naturalizou espanhol para ver se algum dia podia ser campeão do mundo! Ou estou enganado?

Já não sei, foi há tantos anos. Alto! Agora me lembro, vocês não ligam é às coisas importantes que aconteceram neste país no Século de Pinto da Costa! 2015 foi o último ano em que o Jesus jogou a ponta de lança no Benfica! Não foi?" E o Zé: "Burro! O Jesus nunca foi ponta de lança! Era guarda-redes!" -"Mas que cambada de ignorantes!" - avançou o Tempicos Júnior - "Então vocês não se lembram do caso que deu volta ao mundo dos "Grandes e Horríveis Crimes do NONINONI? Se não estou em erro deram-se por volta da passagem do ano para 2015." -"É isso!" - exclamou o Boavidinha - "Até me lembro de se dizer que a rua Morais Soares teve de estar cortada ao trânsito durante oito dias para a retirada dos corpos e lavagem do pavimento.
   
Isto contou-me o meu avô, porque nós nessa altura morávamos no Porto." -"Sim, senhores, agora até me estou a lembrar de ouvir falar da grande confusão que andou pelos jornais por causa da publicação de um relatório policial do teu avô, ó Júnior, chegaste a saber disso?" - disse o Jéjé da Planície, emborcando mais um copo - "Acho que estava todo engatado, o relatório." -"Eu sei, mas a culpa não foi do meu avô." - respondeu o Tempicos Júnior - "Houve alguém que inventou esse relatório como se fosse autêntico e o publicou numa coisa antiquada que se usava muito na época, acho que se chamava "blogues" ou coisa parecida, lançando uma grande confusão com informações que não faziam sentido." -"Pois foi, parece que alguém da minha família meteu a pata na poça" - afirmou o Adrien dos Passarinhos - "e arranjou uma trapalhada tremenda. 
Foi uma verdadeira onda de sangue no relato feito pelo Tempicos Junior. Para ajudar à realidade da descrição do derramamento de sangue o Tempicos Junior aviou estes três bifalhaços muito mal passados no interior. Aviou-os ao mesmo tempo que durou o relato


Na verdade e como aliás já era do conhecimento geral, nem a Mimi era amante do Lobão, mas sim a Arlete, nem o crime foi executado com um facalhão. O facalhão estava na cena do crime apenas espetado na cartolina dourada escrita com caracteres chineses. 

Na altura ainda ninguém sabia qual tinha sido a causa da morte." -"Eu só me lembro de ouvir falar numa torrente de crimes que até parecia uma daquelas brincadeiras que se fazem com pedras de dominó e em que basta derrubar uma para as outras irem logo todas abaixo até não ficar nenhuma de pé." - disse o Verbanove abrindo mais uma garrafa do ouro da terra. - "Mas afinal quem é que sabe como as coisas se passaram?" -"Eu sei!" - exclamou o Tempicos Júnior - "Foi a minha Avó Lenocas que tinha o hábito de escrever um diário que eu um dia espreitei às escondidas, que me deu a conhecer tudo o que aconteceu.

Como nunca mais pude esquecer o que li, vou tentar contar em poucas palavras: "De facto a Arlete, que a princípio parecia estar apenas desmaiada, veio a verificar-se ter sido envenenada por via oral com cianeto de potássio. As investigações da polícia concluíram que o veneno foi transmitido através de um preservativo que foi encontrado por ali num cesto de papeis. O Lobão, que misteriosamente não foi encontrado no local embora tivesse sido visto a entrar no quarto da Arlete abraçado a ela, foi imediatamente alvo da suspeita do crime. "Foi ele, foi ele! Eu conheço-lhe bem os hábitos!" - gritou a Mimi assim que se soube do caso. Surpresa geral.

O desaparecimento do Lobão acabou por ser explicado. A janela do quarto estava aberta e foi por aí que um tal João Janelas, que era chinês de Macau, o voltou a raptar saltando ambos para o telhado de uma marquise. Daí o Janelas conseguiu arrastar o Lobão até à Suíça onde residia. Diga-se em abono da verdade que dormia numa arrecadação da Pastelaria Suíça no Rocio. Convencera-se de que desta ia conseguir os 2750 euros do resgate, pois da outra vez devia ter sido drogado por uns estranhos homenzinhos verdes que lhe sacaram a massa.
O vinho clarifica as ideias e puxa a verdade nas investigações. Como se sabe os autores desta novela colectiva são todos uns abstémios "do caraças" e foi preciso um lote de garrafas de vinho bom para eles se desinibirem. E então as garrafinhas estavam em boa posição para serem atacadas

A mensagem aparentemente escrita em chinês veio a verificar-se mais tarde ser a bula de uma embalagem de Imodium Rapid comprada em Macau, e foi deixada ali por engano. O preservativo também teria sido comprado em Macau. Mas a verdade é que o Zé Cego, que calava há muito uma valente paixão pela Arlete (uma fada que uma vez lhe apareceu em sonhos prometeu-lhe recuperar a vista se fosse beijado por uma rapariga com o nome começado por um A) não acreditou na história e ninguém lhe tirou da cabeça que o adereço impermeável tinha sido adquirido na Farmácia do Sr. Armando.

No dia seguinte, se já era cego mais cego ficou pelo ciúme, esperou o Armando à saída da Farmácia e matou-o à machadada. Vá lá que lhe acertou no pescoço à primeira. Foi um reboliço no bairro, mas o pior foi quando a Mimi, que tinha uma enorme inclinação pelo Sr. Armando, que lhe dava borlas em medicamentos para as dores da menstruação, nessa mesma tarde arrastou o cego para o meio da Morais Soares, dizendo-lhe que na realidade se chamava Ana e não Mimi, prometeu beijá-lo, mas na verdade empurrou-o para debaixo de um autocarro da carreira 18, provocando-lhe morte imediata.

No dia seguinte, ainda corriam as autópsias e a polícia ainda não prendera ninguém por falta de provas concretas, o Quim Coxo, que segundo se apurou tinha uma relação homossexual com o Cego, resolveu vingá-lo e estrangulou a Mimi em plena Praça Paiva Couceiro com uma cuequinha roxa que pertencera ao enxoval da Arlete. Foi então que entrou em cena a mãe do Zé Cego, que tinha sido amante do Sousa da Leitaria, local onde muitas vezes ela e o Quim tomavam o pequeno almoço

Escandalizada ao ter conhecimento das imoralidades que se passavam naquele bairro e particularmente do que houvera entre o Coxo e o Cego, na manhã seguinte envenenou o galão do Quim com veneno para matar ratos. E enquanto assistia ás agonias da morte, gritava espumando da boca: -"Agora que já vinguei a morte do meu filho cego posso dizer-te à frente de toda a gente que também tu, também tu eras meu filho! Meu Deus, ele era teu irmão! Além de coxo, eras incestuoso! Morre canalha, que pior que tu só o teu pai que era o Tópê Agarrado, nem vos conto que vícios é que ele tinha para não deixar a família mais mal colocada do que já está!"
..........louco de raiva com todas estas brutais revelações, não se conteve e esfanicou ali mesmo a cabeça à amante com a máquina de cortar fiambre, urrando: -"Diz lá se preferes em fatias fininhas ou grossas! Morre, minha porca!" 

Claro que as coisas não ficaram por aqui e o Sousa, que tinha estado toda a vida convencido de que era o pai dos dois deficientes, louco de raiva com todas estas brutais revelações, não se conteve e esfanicou ali mesmo a cabeça à amante com a máquina de cortar fiambre, urrando: -"Diz lá se preferes em fatias fininhas ou grossas! Morre, minha porca!" O agente da polícia encarregado de tratar destes casos foi surpreendido por esta altura a telefonar para a esquadra dizendo que afinal não devia já ser preciso reservar tantas celas como tinham pensado: -"A coisa está a compor-se e se tudo continuar como até aqui, no final só vai ser preciso prender um."

E estava então o Sousa a ser conduzido para o carro celular, quando o Tópê Agarrado, certamente avisado de tudo pelo Toino a quem vendia droga, apareceu em alta velocidade numa motocicleta de alta potência e mandou para os anjinhos o amante da ex-mulher, bem acompanhado por dois polícias, num triplo atropelamento de que ainda hoje se fala no Alto do Pina. Nem o Tópê escapou para completar a lotação do Noninoni que era de quatro.

O resto conta-se em poucas palavras, pois o Lobão que afinal era sócio do João Janelas, voltou para ambos receberem a massa do resgate e, não pudendo esconder o desapontamento por ver assim a humanidade tão diminuída, pegaram à má fila no Toino e no Cucas e exigiram-lhes que arranjassem os 2750 euros com a ameaça de duas armas brancas.
   
Seguiu-se uma inevitável refrega da qual resultou a morte dos dois rapazes à facada. Coitados, nem sequer tinham conseguido chamar ainda a reportagem da TIC. Depois o Janelas teve um violento ajuste de contas com o assanhado Lobão, tendo sido obrigado a fugir pela janela que já conhecia, só que a marquise já lá não estava e o tipo estatelou-se no pátio tendo tido morte imediata. Quem Janelas nasce, em janela acaba.
  Depois o Janelas teve um violento ajuste de contas com o assanhado Lobão, tendo sido obrigado a fugir pela janela que já conhecia, só que a marquise já lá não estava e o tipo estatelou-se no pátio tendo tido morte imediata. Quem Janelas nasce, em janela acaba.

Conclusão, o único detido foi o Lobão, que se intitulava General da Marinha porque dizia a toda a gente ser afilhado do Américo Tomás. E ao ser conduzido pela guarda ainda se queixava: -"Caramba, não me acusem de ser um "serial killer", porque eu só matei uma! Tudo isto começou porque eu me enganei no frasco do tempero. Devo ter posto cianeto em vez de maionese. Coitada da Arlete, gostava tanto de maionese! Se ao menos tivesse usado piri-piri, nada disto tinha acontecido!

Como ela não gostava de piri-piri tinha gritado logo, coitada! Ela ainda gritou, mas eu julguei que era de prazer!" E, vencido pela emoção, caiu redondo mesmo ali com um ataque cardíaco. O polícia de novo ao telefone: -"Ó chefe, este filme podia chamar-se "O NONINONI APITOU CATORZE VEZES"! Ainda o que nos vale é isto ser um país de brandos costumes! Só ainda não conseguimos foi apanhar os autores! Mas não vamos desistir."

Tempicos Júnior finalmente calou-se e olhou em volta. Estava toda a gente a dormir e não havia uma única gota de vinho nas garrafas vazias. -"Se julgam que eu vou contar a história outra vez, estão muito enganados! É por estas e por outras que este país não anda para a frente."

FIM
20/01/2015.
OS BISONTES

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