BANCADA DIRECTA: Historias do Ninonino. Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais. Hoje apresentamos o 6º episódio da autoria do Inspector Boavida: "Os noninonis do Alto do Pina"

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Historias do Ninonino. Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais. Hoje apresentamos o 6º episódio da autoria do Inspector Boavida: "Os noninonis do Alto do Pina"

 Historias do Ninonino.
Uma novela colectiva de escritores policiais que têm por objectivo na sua escrita descobrir os autores de ilicitos criminais.
Hoje apresentamos o 6º episódio da autoria do Inspector Boavida: "Os noninonis do Alto do Pina"

OS NONINONIS DO ALTO DO PINA
6º. Episódio

O homem das danças (Salvador de sua graça) não se intimidou com as trapalhadas e chinesices que lhe chegaram de um certo passaroco de Sintra. Ninguém melhor do que ele sabe o que se passa nos bastidores desta aventura mirabolante de noninonis.

Na rua dos Baldaques, onde mora, vive uma comunidade de chineses que tem por mentor um tal Catoga, senhor conhecido no mundo das troikas como repórter fotográfico de reuniões de empobrecimento dos povos, alegadamente bem relacionado com vistos Silver e outras trapalhadas quejandas.
Antes de ir para as suas danças no União o Salvador pairava um pouco pelo Ginásio do Alto do Pina. Conversa puxa conversa não há dúvida que o dançarino aprendeu nesta casa a escola toda sobre tudo e sobre todos, inclusivé "chinocas". É o Alto do Pina com a Rua Barão de Sabrosa no seu esplendor em frente à Rua 4 de Agosto com o seu chafariz

E é numa dessas trapalhadas, que resulta de um acontecimento com contornos muito estranhos que se alastrou por todo o Alto do Pina, da Morais Soares à Alameda, que tem ocupado ultimamente os seus dias, enquanto investigador policial em part time, convicto de que está perante uma poderosa rede colonizadora de países da periferia da Europa em declínio e com governantes pouco escrupulosos.

Ao que se diz, um tal Thu Shai Dha Qui vem assediando os moradores do bairro com vista à aquisição das suas casas a preços tentadores, ameaçando com represálias físicas todos aqueles que se negam a colaborar.

Esta situação estará, aliás, na origem dos vários noninonis que têm irrompido por lá nos últimos tempos. E ele não tem dúvida de que o incêndio no antigo prédio de dois pisos, o sequestro do Lobão do Mar, o disco voador da galáxia Inteligência Pura, a Arlete de cuequinha roxa inanimada no chão de sua casa, são fenómenos que estão todos ligados.
Até a mãe do Zé Cego já anda a aprender a lingua mandarim na perspectiva de poder vender amendoins e tremoços aos "chinocas" que passem à sua porta

Para já, o mais grave é que a boa da Arlete foi desta para pior, descascada e fria, ela que sempre vestiu e aqueceu de esperança os sonhos libidinosos dos homens do bairro, desde o coxo que corre ao cego que vê. E agora, na hora da sua morte, até o Lobão do Mar deu à sola, indo viver para a Suíça, na casa de um amigo do nosso ex-Primeiro, de medalhas limpas e desinfectadas.

Por lá, pelo Alto do Pina, o Cuca e o Tóino continuam empenhados em tentar demonstrar aos repórteres da TIC que estão por dentro de tudo o que se passa no bairro, contando para o efeito com a ajuda da mãe do Zé Cego, que já anda a aprender mandarim para melhor entender o que dizem os emissários amarelos compradores de casas – mas a verdade é que a TIC mandou toda a sua gente para Évora e está-se nas tintas para os velhos bairros da lusitana cidade do futuro Primeiro Costa.
Mimi desinibiu-se, passou ela também a usar cuequinhas roxas na ausencia do seu Lobão do Mar, e segundo se diz reforçou a sua amizade com o detective Tempicos e já se consta que......

Por sua vez, o Sousa da Leitaria anda a esfregar as mãos de contente, na esperança de fazer um bom negócio com a venda do seu estabelecimento e montar na aldeia uma fábrica de tabaco de enrolar, que é – segundo ele – um setor em franca expansão. Por seu turno, o Armando da Farmácia já anda de olhos em bico só de se imaginar sócio de um qualquer chinês que queira apostar na exportação de uns comprimidos azuis de sua produção.

Quem anda muito eufórica e estranha é a donzela Mimi, que desfila pelas ruas de sorriso estampado no rosto, vestida de samurai com um longo facalhão à cinta. Dizem as más-línguas que ela já nem usa faca e garfo às refeições, tendo optado definitivamente pelos dois pauzinhos.

E por falar em dois paus, convém recordar que ela vive enfeitando a testa de um sujeito que é tu-cá-tu-lá com o ET que aterrou no bairro e daqui já não quer sair. Diz ele que só sai de Lisboa quando se fizer a habitual festa de fim de Primavera no Marquês, o que deixa o Sousa da Leitaria, que é do norte, de candeia às avessas.
Ésta novela segue os padrões normais. Só no ultimo episódio é que se sabe quem é o criminoso. Vamos a ver o que os "Búfalos" reservam aos nossos leitores.

Mas para agravar ainda mais o ambiente de cortar à faca que se vive no bairro, fala-se agora no regresso ao Alto do Pina de um detective que dá pelo petit nom de Tempicos, que se assumiu como procurador de um sujeito de nome ainda desconhecido na compra dos edifícios sede do Musical e do Ginásio, duas populares colectividades onde a malta costuma gastar as solas nos bailarinos de fim-de-semana. Há quem diga que é o tal repórter troikista que está por detrás disto tudo, em nome de uma organização chinesa de nome EDP – 北京市發展公司.

Mas o homem das danças já concluiu que não é verdade. À luz do que apurou, aquela Empresa de Desenvolvimento de Pequim está a salvo de suspeitas. E embora ainda não saiba quem é o cabecilha dos acontecimentos que têm posto em polvorosa os moradores deste pacato bairro, tudo indica que haja ramificações para os lados de Ranholas, onde um casal de ruminantes está envolvido na tramoia.

Mas para que não se pense que se trata de um falso testemunho que visa destruir a honorabilidade destas queridas personalidades públicas, eis uma carta comprometedora encontrada num restaurante em São Pedro: “Calo amigo Búfalo. Confolme nossa convelsa à polta do Teatlo, conto com a vossa colabolação na plocula de intelessados em aceital a compla de moladias pol palte de nossos ilmãos chineses. Fico à espela de notícias até ao calnaval. Ilei mascalado de Lei Momo pala que ninguém pelceba quem eu sou. E hei de leval comigo um noninoni de último modelo, com uma silene especial. Votos de um bom Ano Novo”.

Inspector Boavida
Porto/ Costa da Caparica/ Lisboa (Mouraria)
Dezembro. 2014



 O autor deste episódio










 

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