BANCADA DIRECTA: Uma figura versatil do nosso meio artistico. Ele fez teatro de opereta, teatro de revista e foi um óptimo actor de cinema. Falamos de Alberto Ribeiro, que o nosso homem do teatro Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”. É o Teatro no Bancada Directa

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Uma figura versatil do nosso meio artistico. Ele fez teatro de opereta, teatro de revista e foi um óptimo actor de cinema. Falamos de Alberto Ribeiro, que o nosso homem do teatro Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”. É o Teatro no Bancada Directa

Uma figura versatil do nosso meio artistico.
Ele fez teatro de opereta, teatro de revista e foi um óptimo actor de cinema.
Falamos de Alberto Ribeiro, que o nosso homem do teatro Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”.
É o Teatro no Bancada Directa

“No Palco da Saudade”
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto)

ALBERTO RIBEIRO
O teatro de revista, a opereta e o cinema foram os seus territórios de criação mais apetecíveis, embora a rádio, os discos e os concertos a solo tivessem sempre um lugar de eleição no seu percurso enquanto cantor.

Senhor de uma potente voz, de cambiantes suaves, de timbre quente e de grande facilidade nos agudos, granjeou muito cedo uma enorme popularidade, que se estendeu além-fronteiras. Espanha, Venezuela, México, Estados Unidos e Brasil foram alguns dos países que o acolheram por diversas vezes como uma grande vedeta internacional.

Em Portugal, foi também um dos mais queridos artistas do segundo terço do século XX, arrastando multidões até todas as salas de espetáculos onde atuava, incluindo as das antigas colónias de Angola e Moçambique. Filho de um conhecido comerciante de Ermesinde, terra onde nasceu em 1920, tudo parecia indicar que Alberto Ribeiro seguisse as pisadas do pai.
Alberto Ribeiro actua nos festejos do Carnaval de Loulé em 1951. Fez três espectáculos no Cine -Teatro Louletano

Mas acabou por ser influenciado pelos seus dois irmãos, que tinham por hábito organizar serões de música em casa. Um dia cantou a pedido do irmão, surpreendendo a família. Entretanto, com a mudança para a cidade do Porto, quando tinha pouco mais de nove anos, o gosto pela música impôs-se. No antigo café Portugal, local onde se cantava o fado, desafiaram-no a mostrar os seus dotes de fadista e… o rapaz foi logo contratado!

Decidido a seguir a carreira de cantor, quando fez quinze anos rumou a Lisboa. Sem dinheiro, emprega-se numa fábrica de tecelagem, onde trabalha de dia, ocupando as noites nas casas de fado. E ao fim de uma semana já estava contratado para cantar no consagrado Café Luso. Convicto de que precisa educar o seu extraordinário aparelho vocal, Alberto Ribeiro passa a estudar música e canto com a professora Maria Antónia Palhares, que mal o conhece e escuta a sua voz prevê que aquele jovem se tornaria em breve num ídolo nacional.
Um dos maiores exitos de Alberto Ribeiro foi este disco intitulado Coimbra. Temas : "Coimbra". "Fado Hilário". "Canção do Cigano" e Canção do Alentejo". (1949) ?

Não se enganou. Em 1939, o Teatro Apolo abre-lhe as portas da revista com “Toma Lá Cerejas” e, partir daí, participa em largas dezenas de revistas e operetas que foram sucesso nos nossos mais diversos palcos do teatro musicado. “Na Ponta da Unha”, “Sempre em Pé”, “Alto Lá com o Charuto”, “Cantiga da Rua”, “O Mundo em Marcha”, “Nazaré”, “A Viúva-Alegre” e “As Pupilas do Senhor Reitor”, onde interpreta o papel de Pedro, foram alguns dos espetáculos que o guindaram para o estrelato.

A ascensão de Alberto Ribeiro a primeira figura do teatro de revista chega ao conhecimento de Célia Gamez, uma das mais influentes personagens do teatro popular em Espanha, que vem expressamente a Lisboa para ouvi-lo cantar e logo o contrata como estrela da sua Companhia.
Cartaz do filme "Capas Negras" (1947/1948)

Foram dezoito meses de sucesso, que o levaram a percorrer todo o território espanhol, interpretando operetas e outros espetáculos musicais como “La Cinecienta del Palace”, “Yola” ou “Rumbo a Pique”. A sua popularidade valeu-lhe a gravação de inúmeros discos em Barcelona e o convite para filmar “Un Ladrón de Guante Blanco”, ao lado do cómico espanhol Óscar de Lemos.

Seduzido por um conjunto de propostas do empresário Piero Bernardon, que fazia do teatro musicado o seu principal foco de trabalho em Lisboa, Alberto Ribeiro regressa a Portugal, onde participa na opereta “Mouraria”, ao lado de Amália Rodrigues, uma dupla que viria a ser replicada no filme “Capas Negras” do realizador Armando de Miranda.

Após o sucesso deste filme, surgiu o convite para uma temporada no Brasil, onde é recebido quase em delírio. Anunciado como a “Voz de Veludo de Portugal”, enche o Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, com um espetáculo a solo, e percorre depois as cidades de São Paulo, Belém do Pará e Recife, então como atração da revista local “Leilão de Garotas”, conquistando uma verdadeira legião de admiradores.
Cartaz do filme "Rosa de Alfama". 1953

Depois de oito meses de permanência no Brasil, Alberto Ribeiro regressa a Portugal para protagonizar “Cantiga da Rua”, um filme do realizador Henrique de Campos que deu origem a uma opereta com o mesmo título, estreada a 9 de Abril de 1950, no Teatro Maria Vitória. A partir daí, os sucessos repetiam-se. Criou ele próprio uma estrutura que produziu um espetáculo que o levaria a várias países dos continentes americano e africano, tendo contratado para o efeito a atriz espanhola Elita Martos, por quem acabaria por se apaixonar e casar.

Entretanto, volta ao cinema com “Rosa de Alfama”, de Henrique de Campos, e decide retornar ao Brasil, onde faz grande fortuna. No seu regresso definitivo a Portugal, no início dos anos 1960, Alberto Ribeiro reaparece no Parque Mayer, com a remontagem da opereta “Nazaré”, fazendo de seguida uma digressão que o levaria a diversas partes do mundo.

Participa depois no filme de Henrique de Campos “Canção da Saudade” e, de súbito, no auge da sua popularidade e prestígio, abandona a vida artística sem qualquer explicação. Sabe-se que se desencantara com as rivalidades estéreis que corroíam o ambiente nos bastidores do espetáculo e que vivia amargurado com as intrigas que circulavam sobre a sua vida mais íntima, realidades que o levam a deixar de vez os palcos.
Mas a verdade é que nunca deixou propriamente de cantar. Fazia-o anonimamente, longe das luzes da ribalta e dos olhares maliciosos de gente de poucos escrúpulos, num coro da sua terra natal. Faleceu a 26 de junho de 2000, sem que lhe tivessem feito a homenagem que merecia.

Salvador Santos
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2014. Novembro. 23

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