BANCADA DIRECTA: Surto anormal da bactéria "legionella". Vamos lá tratar dos doentes com eficiencia e dedicação, mas, sobretudo, vamos ver a causa do surto, para evitar mais atingidos.

domingo, 9 de novembro de 2014

Surto anormal da bactéria "legionella". Vamos lá tratar dos doentes com eficiencia e dedicação, mas, sobretudo, vamos ver a causa do surto, para evitar mais atingidos.

Freguesias limítrofes de Vila Franca de Xira. Não há ainda razões para andarmos alarmados, mas é preciso tomar precauções.
Surto anormal da bactéria "legionella".
Vamos lá tratar dos doentes com eficiencia e dedicação, mas, sobretudo, vamos investigar  a causa do surto, para evitar mais atingidos.
Aconselhamos uma vistoria responsavel aos reservatorios de agua que circulam nas torres de arrefecimento das unidades industriais do Concelho de Vila Franca de Xira e Loures.

Contribuições
História
A Legionella pneumophila é uma bactéria que ficou conhecida devido a um trágico acidente onde numa convenção da American Legion em 1976 no Bellevue Strafford Hotel, Filadelfia; onde repentinamente 34 participantes faleceram e 221 contraíram uma pneumonia grave. A busca do motivo dessas mortes levou ao conhecimento mais apurado da bactéria, apesar já ser, na época, uma bactéria conhecida.

A Legionella pneumophila é uma bactéria ubiquitária e saprófita da água, não fermentadora da lactose, sendo nutricionalmente exigente. É oxidase positiva, catalase positiva e hidrolisa o hipurato. Patógeno intracelular facultativo, apresenta um sistema de secreção tipo IV, chamado dot/icm responsável por sua capacidade de invadir a célula hospedeira.

A infecção pela bactéria ocorre principalmente na inalação de vapor, gotículas de água ou neblina contaminada com a Legionella, oriundas principalmente de chuveiros domésticos, torres de resfriamento, condensadores evaporativos e bandejas de gotejamento de condensados sobretudo quando existem algum depósito de água como nos aquecedores por acumulação.

Por esse motivo a NBR 10674 indica que a água aquecida deve estar entre 40°C e 70°C de modo a não permitir a reprodução da bactéria.

A Legionella pneumophila multiplica-se no interior das   dust cells, lesionando as células infectadas por acção de: fosfatases, lipases e nucleares, provocando o    recrutamento de novos fagócitos. Há produção de  anticorpos na bactéria.

 Após a inalação para os pulmões, a L. pneumophila entra nos macrófagos alveolares via coiling, ou por convencional fagocitose, passando a replicar-se no vacúolo especializado. 


Uma proteína da membrana exterior liga-se ao componente do complemento 3 (C3), facilitando o reconhecimento pelos fagócitos, e induzindo poros na membrana do macrófago. 

Outra proteína da membrana exterior (OMP) chamada macrophage invasion potentiator (macrófago potenciador de invasão) (MIP) determina a entrada da célula. 

Quando os nutrientes começam a escassear, a produção de citotoxinas pelas bactérias em stress, levam a ruptura dos macrófagos e o ciclo recomeça. 

A secreção de proteases (são enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas) pela L. Pneumophila contribui para o dano dos tecidos. 

A propagação da doença leva o recrutamento de fagócitos oriundos do sangue, mas L. pneumophila é relativamente resistente aos neutrófilos e multiplica-se dentro dos monócitos.

A L pneumophila pode originar infecções  assintomáticas ou sintomáticas. As infecções sintomáticas podem ser:
 Febre de Pontiac - forma menos severa, origina uma dor aguda de tipo gripal, sem sinal radiológico de pneumonia e autolimitada.

Doença do Legionário - forma mais grave, com sinal radiológico  de pneumonia  podendo evoluir para pneumonia graveA prevenção da contaminação das águas faz-se pela adição de cloro contínua a longo prazo, ou pela elevação da temperatura da água para temperaturas entre os 60 e os 70 graus Celsius                 
Tratamento

O tratamento farmacológico só se aplica à  Doença do Legionário, já que a Febre de Pontiac ao fim de 1 a 5 dias cura espontaneamente. Como  antimicrobiano de primeira linha, deve-se usar  eritromicina.                             . Como   antimicrobiano  de segunda linha, pode-se utilizar a  rifampicina, mas nunca em monoterapia. A Legionella pneumophila produz  beta-lactamases, sendo resistente aos  beta-lactâmicos  (nomeadamente a penicilina )                                 


Sem comentários:

Obrigado Pela Sua Visita !