BANCADA DIRECTA: E andam estes governantes a festejar euforicamente a redução dos numeros do desemprego. Mas a realidade é bem diferente. Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses. Desta maneira o desemprego tem mesmo de baixar. No recôndito da sua vida privada Pedro Passos Coelho deve coçar a cabeça desalentado com toda esta ilusão que se está a a criar aos portugueses.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

E andam estes governantes a festejar euforicamente a redução dos numeros do desemprego. Mas a realidade é bem diferente. Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses. Desta maneira o desemprego tem mesmo de baixar. No recôndito da sua vida privada Pedro Passos Coelho deve coçar a cabeça desalentado com toda esta ilusão que se está a a criar aos portugueses.

E andam estes governantes a festejar euforicamente a redução dos numeros do desemprego.
Mas a realidade é bem diferente. Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses.
Desta maneira o desemprego tem mesmo de baixar.
No recôndito da sua vida privada Pedro Passos Coelho deve coçar a cabeça desalentado com toda esta ilusão que se está a a criar aos portugueses.

Ora vejam o estudo do investigador  José Carlos Marques, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Saídas tendem a agravar-se em 2014, sendo que a crise acentuou o carácter europeu da emigração portuguesa. Saem mais homens do que mulheres e continuam a ser maioritariamente pouco escolarizados No ano passado, emigraram cerca de 110 mil portugueses. No ano anterior, em 2012, já tinham emigrado 95 mil.

“O mais provável é que em 2014 este número volte a aumentar ligeiramente”, admite o investigador José Carlos Marques, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. No ano passado, emigraram cerca de 110 mil portugueses. O número, retirado do relatório estatístico do Observatório da Emigração, confirma as previsões mais pessimistas dos especialistas que têm analisado a sangria demográfica do país. No ano anterior, em 2012, já tinham emigrado 95 mil.

Porque o relatório mede as saídas dos portugueses com os dados sobre as entradas nos países estrangeiros de destino, José Carlos Marques admite que a realidade seja ainda mais dura: “Nem todos os portugueses que saem vão inscrever-se nos consulados dos países de destino”. Na caracterização dos portugueses que procuram trabalho lá fora, constata-se que 61% têm apenas a escolaridade básica, o que contraria a tese da “fuga de cérebros”.
Na medição do impacto da crise sobre os fluxos migratórios, o estudo constata que a emigração diminuiu no arranque da crise, mas voltou a crescer a partir de 2011. Entre 2007 e 2012, saíram do país, em média, 82,5 mil portugueses por ano, “mas em crescimento, oscilando entre 70 mil e 95 mil ao longo do período”, conforme se lê no relatório coordenado pelo investigador do ISCTE Rui Pena Pires, e encomendado pelo gabinete do secretário de Estado das Comunidades.

Em meados deste ano, José Cesário já alertava para o crescimento número de “situações graves de isolamento e pobreza” entre os que emigram de Portugal. Este relatório não faz esse tipo de avaliação. Mas mostra que a crise acentuou o carácter europeu da emigração portuguesa. Entre 1960 e 2010, “a percentagem de emigrantes portugueses a viver na Europa passou de 16% para 67%”, ou seja, “multiplicou por nove, passando de 165 mil para mais de milhão e meio”.

Mais recentemente, entre 2008 e 2012, a Europa foi o destino escolhido por 80 a 85% dos emigrantes portugueses. Para Angola e Moçambique terão ido cerca de 10 a 12% e apenas 1% para o Brasil. “Apesar da crise, ainda existem na Europa bolsas de emprego em alguns sectores específicos nos quais os portugueses têm alguma facilidade em se inserir”, explica José Carlos Marques, para apontar ainda o “factor proximidade” na escolha do destino.

“É mais fácil ir e experimentar procurar emprego na Europa do que ir à aventura para Angola ou Brasil. E os custos envolvidos também são de natureza diferente”. No mapa-mundo da emigração portuguesa, Reino Unido, Suíça e Espanha perfazem o conjunto dos principais novos destinos. O conjunto da população portuguesa emigrada nestes três países aumentou em cerca de 600% (contra um aumento de 68% para a generalidade dos países europeus).

Mas com diferenças entre os países. O Reino Unido, que é hoje o principal destino da emigração portuguesa, registou em 2013 um aumento de 50% no número de novas chegadas, atraindo sobretudo os portugueses mais qualificados. Já em Espanha a emigração portuguesa não diminuiu: colapsou. Após a crise financeira, a entrada de portugueses decresceu cerca de 80%. Em 2007, entraram 27.178 portugueses naquele país e, em 2013, apenas 5302.
O decréscimo da emigração para Espanha resultou sobretudo da crise na construção. “O colapso de emigração portuguesa para Espanha foi, portanto, o colapso da emigração portuguesa mais desqualificada e precária, eventualmente com processos de remigração”. Já o Brasil, Canadá e Estados Unidos, assim como a Venezuela, somam muitos emigrantes portugueses sim, mas envelhecidos e em declínio, já que as novas chegadas àqueles destinos são insuficientes para compensar a mortalidade e eventuais movimentos de retorno e reemigração. Os investigadores distinguem ainda um terceiro conjunto de países com grandes populações portuguesas emigradas envelhecidas mas em crescimento, devido à retoma dos fluxos: é o caso da Alemanha, França e Luxemburgo.

No global, os portugueses a residir fora de fronteiras rondam os 2,3 milhões. “Contando com os descendentes directos destes emigrantes, a população de origem portuguesa nos países de emigração ultrapassará os cinco milhões”, contabiliza o relatório. Portugal é, no contexto europeu, o país com maior emigração. Os portugueses emigrados representam mais de um quinto (21%) da população residente. No reverso desta medalha, a imigração atira-nos para o fundo da tabela: os imigrantes representam menos de 6% da população residente, se excluirmos os retornados nascidos nas ex-colónias, e com tendência para decrescer.

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