BANCADA DIRECTA

quinta-feira, 10 de julho de 2014


O nosso cronista Dom Payo Peres Correia também se julga que tem mérito para ir para o Panteão Nacional. 
Leiam o seu apelo: 

ESTE VOSSO AMIGO QUER TAMBÉM IR PARA O PANTEÃO 

Não, não estou a falar por falar. Não é brincadeira. O Panteão é uma coisa séria e eu quero ir para lá. Democracia é isso: todos termos o direito ao nosso Panteão. 

Pergunto: o que é preciso fazer para um tipo como eu, que nunca tive processo na PIDE, nem conheci nenhum comunista durante toda a minha longa vida. Tenho sido um bom português. 

Poeta de letras originais de fado. Com um curriculum destes quem sou eu para ficar atrás de Amália que cantava bem mas não me animava porque era sempre fado triste da viela. Camões está no panteão mas só escreveu uma obra de jeito. Aliás de difícil separação das orações para a rapaziada das escolas. 

Ninguém pode com o Camões. Não me estou a referir à sua azarada deficiência visual. Reconheço que via ele mais com um do que muita gente que anda aí com todos abertos. A freguesia é muita e o espaço exíguo. Ninguém fica satisfeito com os quinze minutos de glória, na “Casa dos Segredos” - querem todos a eternidade! 

Também aceito ficar de pé, pois sempre se ocupa menos espaço. Num túmulo vertical. O túmulo não abdico e em pedra de lioz que dizem faz muito bem ao reumático e não nos esqueçamos que são os ossos que lá vão bater para a eternidade. Até me podem dar o apodo de “português (poeta) desconhecido”. Não me importo nada. Alguém se importa que o soldado o seja? 


Quero o meu momento de glória – e que seja eterno enquanto dure – conforme já lá dizia o meu colega poeta Vinícius de Morais, outro letrista como eu, talvez até melhor. Um dos grandes poetas da língua portuguesa. Também ele deveria ir para o Panteão Brasileiro. Mesmo que actualmente já não escreva. O uisqui deu-lhe cabo da letra. E as ninfas do canastro. Mas foi de papinho cheio…graças às letras dos sambas. 

Uma coisa garanto: se não me colocarem no Panteão, com todas as honras, não escrevo mais letras para fado. Estão a gozar? Não se esqueçam que o fado é património da humanidade, caramba. E quem sou eu para ser o eleito para tal desígnio? Apresento-me: Meu nome é D. Payo Peres Correia,( muito prazer…) 

Monárquico. Maçon. Misantropo. Andei na guerra e por um triz não fui medalhado num 10 de Junho. Desertei. Fui preso e fugi. Sou de rija têmpera e de antes partir do que torcer, ou será o contrário? Esta memória está a falhar-me… Agora estou num lar. Não vos aconselho – é só cheiro a velho!


Lisboa. 2014. Julho. 06

Ass) Dom Payo Peres Correia

Sem comentários:

Obrigado Pela Sua Visita !