Gosto de escrever banalidades!
É a expressão moralista do nosso cronista "Olho Vivo e Pé Ligeiro".
Disserta sobre ética e moral e a sua forma de estar na vida.
O que em boa verdade deveria ser um atributo de nós todos.
GOSTO DE ESCREVER BANALIDADES
Todo o mundo escreveu coisas importantes e alguns por isso
receberam prémios literários e até – calculem – medalhas de enfiar pela cabeça
num 10 de Junho qualquer.
Confesso que nunca persegui ser importante. Para mim campa rasa
e um pequeno letreiro de “Zé-ninguém”. Já agora para não parecer assim tão
modesto o nome escrito em cursivo e uma leve cercadura florida a dourado. Não é
pedir demasiado. É que às vezes na falsa modéstia anda um dedinho de vaidade.
Não quero parece-lo.
Eu – confesso – gosto de escrever banalidades. Coisas que
sucedem e nos deixam perplexos porque não percebemos os factos. Coisas do dia a
dia, sem importância.
Hoje vou escrever sobre um digno magistrado que foi
convidado para ser administrador não executivo do BES. O nosso homem é um tipo
muito alto (dizem que mede 2 metros!) e eu conheço-o de vista, exactamente
porque ele dava nas vistas atrás da Manuela Ferreira Leite ali pelos corredores
da Assembleia.
É uma alta figura, pelo menos.
Dizem que é do PSD e foi durante largos anos do Tribunal
Constitucional, aí também convidado por alguém do seu partido. Se não estou a
mentir.
Eu acho que os partidos servem para isso para convites e
assim.
É por isso que eu nunca me inscrevi em partidos. Não gosto de
convites e quando quero qualquer coisa compro ou fico só a olhar, com pena de
não a obter, mas depois a vontade passa.
Há nestas banalidades que escrevo muito de ingenuidade. Mas
a culpa é minha.
Também não sou nenhum iluminado.
Mas pergunto:- O que é que um tipo alto e juiz tem a ver com
um lugar em que tem uma grande posição mas que depois não executa? Pode ser
traumatizante!
Será que ser administrador não executivo é um lugar
execrável que serve só para ir lá receber o ordenado ao fim do mês e não fazer
nada em troca?
Eu sou um pouco totó, tenho que referir, mas não acredito
nisso.
Numa sociedade tal como a que vivemos, segundo dizem,
ninguém dá almoços grátis, quanto mais um emprego!
Eu cá para mim julgo
que nem é pelo curriculum do personagem. O que fará num banco um juiz? Para
julgar se as notas são falsas? Só para dar sentenças?
Será porque o dito senhor também foi – fez parte, na
Assembleia – daqueles que controlam a polícia do Estado?
Também não acredito porque se a polícia é secreta nem mesmo
eles sabem nada do que por lá se passa!
Ou bem que a polícia é secreta ou bem que não é.
É por isso que só escrevo banalidades: fico sem saber nada
do que por cá se passa.
"Olho Vivo e Pé Ligeiro"
Lisboa. 2014. Julho. 01
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