E eu que não tinha fé nenhuma neste homem. Afinal nem o facto do sogro ser quem é, o impede de reconhecer o que é melhor para Portugal. Eis Luiz Montez e Patricia
Luiz: podes ter ganho alguns inimigos, mas o melhor para uma pessoa coerente é estar bem com a sua consciência.
Vamos á noticia
Eram muitos, algumas centenas. Caras conhecidas da televisão,
dos jornais, do mundo da cultura. Chegaram à hora certa, ao mercado da Ribeira,
em Lisboa, para dar o seu apoio a António Costa. Porque "é preciso
mudar" o estado da nação e o tempo urge na corrida que começa por ser à
liderança do PS, para depois passar ao Governo do país.
Costa é apresentado como o candidato a primeiro-ministro, a hora
é de aquecer os motores e acelerar na corrida. Mas nem por isso o candidato
chegou a horas. Atrasou-se, chegou tarde. Mas isso pouco importou, porque entre
copos e reencontros, o tempo passa depressa neste ambiente político, onde todos
sabem haver "um longo caminho para frente" e, por isso mesmo, sempre
é melhor ir aconchegando os estômagos e aquecendo as almas.
Havia um arzinho de Sócrates no ar, mas o próprio não
compareceu. Alguns dos seus ministros, ou melhor, ministras, como Isabel Alçada
e Gabriela Canavilhas, estavam lá. O ex-secretário de Estado Paulo Campos ou
Rui Vieira Nery também.
E estavam sobretudo "caras conhecidas" que
compõem sempre bem o cenário político. Tomás Taveira, o arquitecto, voltou à
cena mais velho e mais careca. Como o músico Júlio Pereira ou António Mega
Ferreira. Ou Nicolau Breyner, ou a versão reduzida dos Trovante, com João Gil e
Luís Represas a representá-los. Ou Virgílio Castelo e Io Apolloni, Orlando
Costa e Maria do Céu Guerra. Ou dois prémios Pessoa, a historiadora Irene
Pimentel e Carrilho da Graça.
O mercado encheu. Compôs-se bem o cenário, mas a surpresa maior
foi a presença do genro do Presidente da República, o produtor musical Luis
Montez, que no final do discurso de António Costa foi literalmente assaltado
pelos jornalistas para explicar a sua presença. "Sabia que corria o risco
de fazer inimigos, mas é preciso ser coerente", disse ao Expresso. Para
Montez "este é o melhor para o país". E quem quiser que faça as
leituras que quiser.
O discurso de Costa não foi uma proeza de oratória. O candidato
ainda está a aquecer as turbinas, a apalpar terreno a evitar danos colaterais.
Alargou-se nos agradecimentos e pediu a cada parágrafo uma mobilização pelo
país. E, claro, fez o elogio do papel da cultura, do conhecimento e da ciência,
ou não fosse isso o que a plateia queria ouvir.
E as primeiras palmas vieram
quando assumiu que "a cultura precisa de um Ministério". E pouco
importa que "hoje não seja o dia de apresentar o meu programa de
Governo". Na verdade, pode não ter programa, mas já começa a ter uma lei
orgânica.
Será esta a primeira promessa eleitoral da campanha que ainda nem
sequer começou? Oficialmente, claro está.
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