Num universo de 500 votos tiveram mais 100 do
que há seis meses.
Os críticos de Paulo Portas não só subiram em percentagem
como em número de votos na concelhia de Lisboa do CDS– por junto, mais uma
centena do que há seis meses . E a urna da Juventude Popular foi dos críticos.
A noite em que o 'portismo' não ganhou para o susto
Concelhia de Lisboa do CDS foi a votos e os críticos de
Paulo Portas tiveram o melhor resultado de sempre. E ganharam na urna da
Juventude Popular.
Quase 500 votos, contados e recontados pela noite dentro,
deixaram Paulo Portas e os seus fiéis em sobressalto até quase às duas da manhã
desta sexta-feira. Em causa estava a concelhia de Lisboa do CDS, que pela
primeira vez em 20 anos teve duas listas concorrentes. E a lista B, dos
críticos da actual direcção do partido, provocou um susto ao 'portismo'
A lista
encabeçada por Pedro Pestana Bastos acabou por ficar pelos 46%, contra 53% da
lista A, liderada pelo deputado e autarca de Lisboa João Gonçalves Pereira, que
se recandidatava a um terceiro mandato na estrutura concelhia.
Apesar da derrota, a diferença de cerca de 30 votos (as
contabilidades divergem), numa eleição com uma afluência recorde de 478
eleitores, animou o sector crítico de Portas, organizado em torno do movimento
Alternativa e Responsabilidade (AR), de que Pestana Bastos é um dos rostos mais
conhecidos.
"O resultado mostra que há um caminho de mudança no CDS que
está a ser percorrido, que começou no congresso e que continuou em Lisboa. Os
47% em Lisboa mostram que este caminho é irreversível e imparável", diz ao
Expresso o advogado, que é sócio de escritório de Luís Nobre Guedes, outra
figura que se tem destacado pelo distanciamento em relação à direção de Paulo
Portas.
O vencedor, João Gonçalves Pereira, contraria a euforia dos derrotados,
sublinhando que alcançou "um resultado confortável". "Tenho a
certeza de que tive um bom resultado, porque ganhámos. E não considero que a
diferença de 7% para a lista B seja assim tão pequena", sublinha.
Críticos ganham na mesa da Juventude Popular
Até esta semana, o AR só tinha ido a votos em Lisboa nas
eleições para delegados aos congressos do CDS - e o seu melhor resultado foi no
início do ano, quando se ficaram pelos 30%. Agora, os críticos de Paulo Portas
não só subiram em percentagem como em número de votos - por junto, mais uma
centena do que há seis meses. Mas Gonçalves Pereira considera essa comparação
ilegítima: "Há a tentativa de passar a ideia de que foi o melhor resultado
de sempre, mas não é correto comparar eleições diferentes".
Outro dado importante para a lista B foi a vitória na urna da
Juventude Popular, por 42 votos contra 30. Facto tanto mais relevante, notam,
tendo em conta que os dois primeiros candidatos da lista A (Gonçalves Pereira e
Adolfo Mesquita Nunes) são destacados ex-dirigentes da JP. "O CDS já
percebeu que precisa de mudar por dentro para evitar o pior e para reconquistar
a confiança", conclui Pestana Bastos.
Também neste caso o vencedor põe água na fogueira, lembrando que muitos
militantes da JP, por serem também inscritos no CDS, não contam como votos da
juventude partidária. "Não é correto dizer que a juventude votou mais num
do que noutro, porque ninguém sabe isso."
Polémica na contagem dos votos
A contagem de votos acabou por ser envolta em polémica, por
causa de um erro de impressão de boletins, que lançou a confusão. Como havia
três eleições concelhias distintas (comissão política, mesa da assembleia
concelhia e eleição de delegados à assembleia distrital), existiam boletins de
voto de três cores diferentes.
Mas a meio da votação faltaram boletins, foram
impressos mais, mas com duas cores trocadas.
Como cada eleitor recebeu um boletim de cada cor, houve quem
votasse duas vezes para um órgão e nenhuma para outro. Apesar das dúvidas, e de
algumas horas de impasse, a lista perdedora optou por não impugnar os
resultados.
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