BANCADA DIRECTA: Reflexões sobre a Ucrânia. (2). Na verdade os ideais de Perestroika esmoreceram e nem o Muro de Berlim colapsou na totalidade em 1989. Não senhor, para trás ficaram resquícios sob a forma de muralhas interiores de frágeis sustentações, tal como são originadas nesta crise do território autónomo da Crimeia. Em pano de fundo avizinha-se a possibilidade de haver um referendo, o que muito agradaria aos russos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Reflexões sobre a Ucrânia. (2). Na verdade os ideais de Perestroika esmoreceram e nem o Muro de Berlim colapsou na totalidade em 1989. Não senhor, para trás ficaram resquícios sob a forma de muralhas interiores de frágeis sustentações, tal como são originadas nesta crise do território autónomo da Crimeia. Em pano de fundo avizinha-se a possibilidade de haver um referendo, o que muito agradaria aos russos.

Reflexões sobre a Ucrânia. (2). 
Na verdade os ideais de Perestroika esmoreceram e nem o Muro de Berlim colapsou na totalidade em 1989. 
Não senhor, para trás ficaram resquícios sob a forma de muralhas interiores de frágeis sustentações, tal como são originadas nesta crise do território autónomo da Crimeia. 
Em pano de fundo avizinha-se a possibilidade de haver um referendo, o que muito agradaria aos russos. 
Vamos recuperar o final do nosso post de anteontem sobre este tema 
Só referir que a Alemanha estava disposta a lutar na Crimeia até ao último ucraniano, enquanto Durão Barroso fazia umas ameaças, como porta-voz, e o Papa, a partir do Vaticano, convidava à oração. Esqueceram-se que em 5 de Maio de 1992 a Crimeia proclamou a independência e, mais tarde, concordou em permanecer ligada à Ucrânia, como República autónoma. Mas com todas as liberdades de cidadania para os 60% de russos que residem na Crimeia e que agora viram as suas liberdades de cidadania em perigo. Os russos apenas querem assegurar que os seus conterrâneos que vivem na Crimeia não sejam agredidos e vitimas de violência. 

Os acontecimentos de Kiev fazem prever o pior quanto a respeito pelas liberdades individuais. O concreto desta crise que agora envolve a permanência dos militares russos no território autónomo da Crimeia foi que as manifestações e a violência que se viveram nas ruas de Kiev e em outros pontos da Ucrânia resultaram na substituição de um presidente de tendências pró russas por um outro presidente de tendências ainda mais visíveis com a Europa, melhor com as benesses prometidas pela União Europeia. 

E qual foi o papel dos alemães no meio disto tudo? É necessário lembrar que num espaço de um século a Alemanha estará directa ou indirectamente implicada na origem de três guerras não consolidadas como vencedores fora do seu território, mas também é verdade que dentro do seu espaço vital interno fica estável e com caminhos abertos para progredir. 
Ucrânia. Capital Kiev. Largo da Independência. Centenas de mortos nas manifestações

A desagregação da Jugoslávia deu animo à e entusiasmo ( pensa-se, não sei se é verdade ou não) à Sr.ª Merkel , entusiasmo este que aplicou directamente na Ucrânia nos seus problemas financeiros internos, levando consigo por arrastamento a União Europeia, que se serve dela quando lhe convém para as suas politicas económicas e fica indiferente quando aplica e obriga a que a austeridade seja um prato forte nos países mais fracos e pobres. 

Em Kiev, a população excitou-se, pôs em fuga o presidente pró-russo e inventou um pró-europeu; a Crimeia, habitada por 58,3% de russos, substituiu as forças ucranianas por outras, pró-russas, enquanto 24,3% da população (ucraniana) teme o vigor da entrada russa. A Crimeia é uma região muito sofrida ao longo destas ultimas décadas com os mesmos problemas e conflitos populacionais que se verificavam na Jugoslávia quando esta foi desmembrada. 
O território da Crimeia pertenceu sempre à extinta URSS e era um espaço mal definido junto à Ucrânia. Situação resolvida aparentemente quando em 1954 Nikita Khrushchev o integrou administrativamente a Crimeia na Ucrânia. O pretexto foi a comemoração do trezentos anos da junção da Ucrânia à Republica Soviética. 

O que aconteceu na realidade era que a população na altura era de maioria russa que se foi esbatendo na sua densidade, mas actualmente ainda anda na proporção de 60% de russos e 40% de ucranianos enraizados. A população tártara, muito significativa na altura da junção referida foi sendo afastada dos seus locais de vivência por deportações em massa, por uma fome prolongada (1944) e hoje apenas resta muito pouco desta população. 

Sem esquecer os papeis preponderantes dos europeus nesta crise ucraniana, temos também de referir os papeis negativos dos dirigentes ucranianos que levaram o desespero às suas gentes que se viram reduzidas a uma miséria degradante e a um país falido, que agora olha desesperadamente para aqueles que os podem ajudar. 

  Pintura que mostra a retirada das forças russas na Guerra da Crimeia. Episódio da tomada da fortaleza Malakov defendida pelos russos. 
A Guerra da Crimeia foi um conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Crimeia (no mar Negro, ao sul da actual Ucrânia), no sul da Rússia e nos Bálcãs. Envolveu, de um lado o Império Russo e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Reino da Sardenha - formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda - e o Império Otomano (actual Turquia). Esta união, que contou ainda com o apoio do Império Austríaco, foi formada como reacção às pretensões expansionistas russas.

E agora com a perspectiva da Rússia onerar os preços do gás, teme-se que esta população tirite de frio por não poder pagar o custo deste combustível, sempre indispensável nos lares dos ucranianos. E esta população que já carpiu a sua sorte em Kiev e na Crimeia ainda vai ficar pior. 

Adriano Rui Ribeiro / Bancada Directa

Contribuições 

A União Europeia, satélite dos EUA, repetiu o golpe da Geórgia, que foi uma derrota da Nato. 

A Crimeia ameaça ser uma derrota ainda maior, para evitar uma tragédia. A Rússia não esquece a qualidade de grande potência que, debilitada, teria o assédio das Repúblicas islâmicas surgidas da derrocada do império soviético e incapaz de as conter. 

A guerra fria conseguiu o equilíbrio do terror, com a China a preferir os EUA à Rússia. A Europa, que devia tentar atrair a Rússia para o mesmo espaço civilizacional onde se encontra, hostiliza-a e empurra-a para uma aliança sino-russa, que parece desenhar-se, a caminho do Pacífico. 

No horizonte paira uma aliança nipónico-americana, perante a insignificância europeia que não consegue deter uma política externa comum, uma força militar convincente ou uma estratégia de paz credível.

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