BANCADA DIRECTA: Cavaco desorienta as gentes com a previsão de mais 20 anos com austeridade. Para além deste Cavaco não me dizer nada, prefiro deliciar-me para saber quem esfaqueou o peida gadocha! É o problema nº 1 desta época da secção Policiário do Jornal Publico a cargo do Luís Pessoa, mais conhecido pelo Inspector Fidalgo

domingo, 9 de março de 2014

Cavaco desorienta as gentes com a previsão de mais 20 anos com austeridade. Para além deste Cavaco não me dizer nada, prefiro deliciar-me para saber quem esfaqueou o peida gadocha! É o problema nº 1 desta época da secção Policiário do Jornal Publico a cargo do Luís Pessoa, mais conhecido pelo Inspector Fidalgo


Cavaco desorienta as gentes com a previsão de mais 20 anos com austeridade. 
Para além deste Cavaco não me dizer nada, prefiro deliciar-me para saber quem esfaqueou o peida gadocha! 
É o problema nº 1 desta época da secção Policiário do Jornal Publico a cargo do Luís Pessoa, mais conhecido pelo Inspector Fidalgo 

UM PROBLEMA POLICIAL COM “PASSARINHOS” PARA DECIFRAR. 

Antonio Raposo é um nome bem conhecido dos leitores do Bancada Directa e dispensa apresentações. 

Dou a palavra ao Luís Pessoa na apresentação deste problema 

Como se costuma dizer, “a pedido de várias famílias”, o prazo para envio das propostas de solução dos problemas da prova n.º 1 foi alargado em dois dias, terminando às 24 horas de hoje, dia 2 de Março. A concessão de mais um fim-de-semana poderá permitir aos nossos “detectives” mais algum tempo para ultimarem as suas propostas, preparando-as para a selecção das melhores 512 que vão passar à eliminatória seguinte da Taça de Portugal. 
Entretanto, seguindo o calendário previamente definido, hoje é dia de ficarmos a conhecer o problema que integra a parte I da prova n.º 2, de autoria de uma dupla de confrades, dos mais activos e ao mesmo tempo mais antigos, do Policiário: A. Raposo & Lena. 
Depois de uma longa carreira “a solo” do confrade A. Raposo, a qualidade manteve-se, integrando uma dupla de grande sucesso, com a sua companheira de sempre, Lena. Podemos dizer com toda a propriedade que temos uma dupla decifradora de bons recursos, produtora de grande qualidade e conviva de excelência! 
A parceria A. Raposo & Lena é bem um símbolo do que é o Policiário, em todas as suas vertentes e a quem agradecemos a sua renovada intervenção e presença assídua. 

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL – 2014 
 PROVA N.º 2 – PARTE I “HOJE HÁ PASSARINHOS…” 
 Original de A. RAPOSO & LENA 
Passarinhos fritos era um petisco dos melhores naquela época.

Estamos nos anos 60, na cidade de Lisboa, mais propriamente nos arredores do conhecido bairro da Picheleira. Como peça fundamental de convivência citadina, existe a Cova Funda, uma taberna à maneira, onde se joga à sueca, se consomem passarinhos fritos, jaquinzinhos e umas iscas com elas. 

O vinho, em barril, vem directamente do produtor, o bom carrascão, do Cartaxo. Na cozinha temos a menina Fatucha, filha do Taberneiro Elias – homem da serra da Estrela que aterrou na cidade grande e se estabeleceu, faz um tempão. Fatucha é o elo de ligação entre a rapaziada que vai ou voltou da guerra colonial. A moçoila era cheiinha de carnes, faces rosadas, fartos seios e trato fácil. 
Esta do "pingarelho" está muito bem metida. Tem afinidades com passarinhos fritos pois é uma armadilha que funciona com formigas de asas para apanhar os ditos

 A rapaziada, a rebentar de hormonas, gostava do clima e frequentava a casa. Naquele dia, lá estavam eles: o Pinguinhas, o Peida Gadocha, o Malacueco, o Marreco, o Pingarelho e o Olho Vivo. Andavam todos a azucrinar a Fatucha e segundo constava a moça não permitia avanços. Tempicos, nessa altura, morava por perto, e fazia parte do grupo. 

Ao passar à porta da Cova Funda chegava-lhe os cheiros das iscas cruzado com o perfume barato da Fatucha e, não resistia, sempre lhe ficou o gosto dos petiscos e de molhar o pãozinho em prato alheio. Ficou fã dos passarinhos fritos, um amor de toda a vida, tal como o seu Benfica. 

A cozinheira (Fatucha) raramente mudava o óleo da frigideira e os jaquinzinhos perdiam a piada. Lá estavam todos. No bairro eram conhecidos como “os seis da vida airada”. Quatro numa mesa no meio da tasca a jogar à sueca e um ao balcão a fazer companhia a Tempicos a trincar passarinhos fritos. 
 Sai uma carçaça com uma ou duas iscas. Era tradicional que os fritadores nunca limpavam as fritadeiras. Juntava-se mais óleo quando baixava o nivel

O resto era a paisagem das pipas, por detrás do balcão, cujas torneiras ao abrir chiavam como se chorassem o carrascão a sair, era a zona da estrita responsabilidade de Elias. Pelo meio das pipas um estreito corredor levava à cozinha e aos lavabos. Em fundo uma ladainha vinha do televisor, apesar de a preto e branco mas já com o locutor a fazer o relato da bola, aos berros mas que ninguém ligava, pois o Benfica não jogava naquele dia. 

A Fatucha andava num vaivém, a bandear as grossas coxas, e a levar pratinhos com jaquinzinhos enfiados em palitos e um ou outro apalpão às escondidas e que ela invariavelmente respondia com um “teja quieto!”. A jogatina a certa altura parou para balanço dos resultados e foi aproveitado por um jogador para pôr a bexiga em ordem. 

A natureza inexorável. Quando o anafado Zé regressava para a continuação da jogatina, aproxima-se da mesa do jogo e caiu na cadeira a queixar-se das costas. De facto, alguém, no entretanto dera-lhe uma bela facada nos rins. O seu parceiro de jogo ficou boquiaberto. Tempicos, de costas para a cena, a trincar os passarinhos, empurrados por uns copos de três, não deu por nada. 

Nem o companheiro Quim – ambos a petiscar ao balcão - avançado centro do Penha-de-França que sofria de acentuada escoliose mas era o melhor marcador de golos de cabeça da equipa. Elias arrepanhou os poucos cabelos. 
Não é esta a imagem real do estabelecimento em causa na actualidade. Hoje é, por sinal, um bom restaurante. Só me faz confusão como é que Tempicos se deslocava da Morais Soares para esta zona  do Bairro das Actores, já perto da Creche do Alto do Pina. Se gostava de "covas fundas" até havia uma jeitosa no principio da Barão de Sabrosa

 Tempicos naquela época andava a fazer o tirocínio para Inspetor da PJ e avocou o caso, já naquele tempo lhe atribuíam um olhar perspicaz. Diziam-lhe as células cinzentas que a moça tinha um rapaz debaixo de olho e aos outros não passava “cartolina” e isso criava um ambiente de competição e ciúme no grupo. Começou a tomar as suas notas num caderninho de capa preta: “

- O espertalhão do Manel estava a fazer as contas do jogo e não viu nada. Aliás, tinha ganho a última vasa, mais o seu infortunado parceiro anafado: 

- O pelintra do Tozé estava a ver o jogo de futebol na tv e… nada enxergou. - O Zé só se queixava e queria ir para o hospital. - O tacanho do Tó estava a olhar a rua e nada viu. 

- O Elias estava a encher copos e não se apercebeu de nada.” Tempicos, à socapa, revistou por todo o lado e conseguiu descobrir, escondido num bolso do avental da Fatucha, um papel com o seguinte texto: “Espero-te às nove na esquina da mercearia.”- Pingarelho. ..... 

Passaram-se quase 50 anos e Tempicos voltou ao caderninho preto entretanto guardado. Recordou o caso e redesenhou a cena e os intérpretes e a pergunta mantinha-se: 

-Quem tem mais hipóteses de ter esfaqueado o Peida Gadocha? 

Desenhe a cena do crime e ponha em todos os actores os nomes e respectivas alcunhas.

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