BANCADA DIRECTA: Jorge Lacão. Se já era um símbolo parlamentar do PS agora tornar-se-à inevitavelmente o símbolo das longas intervenções e não dizer e nem perguntar nada! Assim desta maneira o PS mostra-se cada vez menos como uma alternativa credível. Ou então terá de haver uma vassourada sustentada

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Jorge Lacão. Se já era um símbolo parlamentar do PS agora tornar-se-à inevitavelmente o símbolo das longas intervenções e não dizer e nem perguntar nada! Assim desta maneira o PS mostra-se cada vez menos como uma alternativa credível. Ou então terá de haver uma vassourada sustentada

Jorge Lacão. 
Se já era um símbolo parlamentar do PS agora tornar-se-à inevitavelmente o símbolo das longas intervenções e não dizer e nem perguntar nada! 
Assim desta maneira o PS mostra-se cada vez menos como uma alternativa credível. 
Ou então terá de haver uma vassourada sustentada 

O deputado que leva uma hora a fazer uma pergunta 

Artigo de Ricardo Costa 


O Parlamento português viveu um momento histórico na passada terça-feira. Não foi um grande discurso ou um debate fabuloso, muito menos um protesto imaginativo nas galerias ou uma citação em aramaico de Assunção Esteves. 

Nada disso, desta vez o momento histórico teve lugar numa Comissão e deu-se numa interpelação do deputado do PS Jorge Lacão à ministra da Justiça. E o que fez Lacão? Lembrou-se de uma pergunta inquietante, fez uma exposição notável, representou os seus eleitores brilhantemente? Não, Lacão falou, falou, falou e... falou. 

 Mais precisamente falou durante cinquenta e nove (59) minutos. Acontece que o monólogo passava por ser uma pergunta à ministra, que ali estava para responder às perguntas dos deputados. Ou seja, quando teve a oportunidade de fazer perguntas a Paula Teixeira da Cruz, o deputado Jorge Lacão decidiu ler um papel durante 59 minutos. 

Mais precisamente, em vez de fazer uma pergunta ou um conjunto de perguntas, resolveu ouvir-se a si próprio durante uma hora - perdão, uma hora menos um minuto -, com o objectivo claro de não fazer nenhuma pergunta, muito menos de obter respostas. 
Tanta experiência adquirida em anteriores funções, dá para perguntar o que aconteceu a Jorge Lacão para ter este comportamento

Os deputados de vários partidos e a ministra assistiram a tudo isto de boca aberta, protestaram e Lacão acabou por abandonar a sala depois de uma segunda investida, agora com uns modestos 15 minutos. Lacão abandonou a sala em protesto porque não o deixaram falar, depois de ter falado 59 + 15 minutos. 

Os deputados do PS saíram atrelados a ele, talvez para o continuarem a ouvir nos corredores ou no jardim. Caros eleitores, já sabem, se virem Jorge Lacão um dia na rua, mudem de passeio imediatamente ou finjam que estão a correr para o autocarro. 

Já viram se ele vos pergunta pelas horas ou como é que se vai para Campo de Ourique? 

Lá se vai uma hora do vosso dia.
 Contribuições
A situação mais em pormenor


O deputado do PS Jorge Lacão decidiu esta terça-feira ler um texto durante uma hora na sua primeira intervenção para interpelar a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, que está a ser ouvida na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais.

O presidente da Comissão, Fernando Negrão, pediu-lhe para terminar, mas o deputado recusou-se e foi criticado por todas as bancadas de falta de respeito e de abuso. Nesta comissão não há tempos estabelecidos para as intervenções dos deputados, mas Fernando Negrão admite vir a reaquacionar o modelo depois do "incidente". 

Depois de uma intervenção inicial da ministra (21minutos), foi dada a palavra à bancada do PS.
O deputado Jorge Lacão quis fazer uma intervenção de fundo sobre política de justiça. Quase 30 minutos depois, Fernando Negrão pediu-lhe para terminar, mas o socialista indignou-se e recusou-se a fazê-lo.
O presidente criticou: "Este é um espaço de liberdade, todos eles têm fragilidades. Há sempre alguém à espreita para se aproveitar das fragilidades e acabar com a liberdade". No final da intervenção de Jorge Lacão, Fernando Negrão notou: "Falou durante 59 minutos, o que é inacreditável e impossível para gerir". 
Fernando Negrão colocou a possibilidade de a comissão vir a decidir limitar os tempos de intervenção. Tanto o PCP como o CDS recusaram. mas todos criticaram o deputado do PS.
"O que acabou de fazer não é razoável, é um abuso das regras desta comissão e uma desconsideração", afirmou António Filipe do PCP dirigindo-se ao antigo presidente da comissão dos Assuntos Parlamentares. A mesma crítica foi partilhada por Cecília Honório do BE e Teresa Anjinho do CDS.

Hugo Velosa, do PSD, referiu que Jorge Lacão poderia ter avisado antecipadamente os deputados de que iria fazer uma intervenção escrita. A defesa do socialista foi feita por Ana Catarina Mendes, que em nome da bancada, repudiou a acusação de que houve subversão do regimento.

Na sua intervenção de "balanço" da política de Justiça, Jorge Lacão acusou a ministra de "falhanço" e de ter "espatifado" os prazos do memorando sobre mapa judiciário e colocação de juizes. "O Governo e a maioria têm feito é uma gestão politicamente danosa", afirmou, referindo que não lhe dá uma "conotação criminal". 
Na resposta à intervenção do deputado socialista, a ministra da justiça começou por repudiar as críticas e dirigiu-se a Lacão: "A tentativa de prova de vida foi infeliz. Porque os senhores não tinham prova de vida no seu Governo".  

Sem comentários:

Obrigado Pela Sua Visita !