BANCADA DIRECTA: E enquanto as opiniões surgem de todos os quadrantes, o primeiro-ministro lá vai enchendo de ilusões transitórias este pobre povo português.Mas também apetece perguntar: Praxes que é para que eu te quero?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

E enquanto as opiniões surgem de todos os quadrantes, o primeiro-ministro lá vai enchendo de ilusões transitórias este pobre povo português.Mas também apetece perguntar: Praxes que é para que eu te quero?

 Praxes para que te quero? Reflexões da minha parte 

Aqui há uns três / quatro anos, no seguimento de uma acção praxatória aviltante para um caloiro, publiquei um post sobre o tema, o que motivou uma reacção enérgica de um membro da Comissão de Praxes do estabelecimento a que eu me referia. 

O motivo da reacção era de que eu tinha cometido um erro concreto. Claro que foi um êrro de pormenor, porque eu tinha assinalado que os finalistas tinham de mergulhar num lago central do pátio de entrada, Isto lá para as três ou quatro da matina, quando afinal eles mergulhavam numa tina de plástico encostada ao dito lago, uns obrigados mas outros voluntariamente. É aquela história de se matar um pato com um tiro (pum) e afinal matou-se com dois (pum-pum). 

Não quis desenvolver muito o assunto e as motivações ainda hoje se mantêm. Trata-se, não de um familiar directo, mas de uma pessoa filha de um casal muito próximo da família. O estudante, ainda caloiro do 1º ano, quando chegava a casa nos fins-de semana, podia não falar dos seus progressos nos estudos e nas disciplinas, mas o tema “praxes” preenchia as suas conversas ininterruptamente. Já no segundo ano ostentava sempre uma bandeira de orgulho, quando vinha a casa, pois afirmava que não podia ainda praxar os caloiros, mas ele não era praxado. 
Resumindo: esteve 7 anos a estudar, quando o seu curso era de 4 anos, não tirou aproveitamento algum, depois ainda tinha artes de ir passar os fins de semana ao local do estabelecimento dizendo que estava a estudar para tirar o mestrado. 

Hoje trabalha e tem uma ocupação profissional. Não será um emprego e um lugar de estalo. Dará para sobreviver se a sua convicção em convencer os contactados os levem a adquirir os produtos que mercadeja. Mas são produtos básicos que não precisam de qualquer formação especifica para serem vendidos 

Com o curso que estudou nem de perto e nem de longe tira proveito dele. Conto isto porque tenho a opinião de que as praxes limitam muito as consciências emocionais de quem as sofre, prejudica o desenvolvimento normal das matérias estudadas e muitas vezes, mais tarde, as vitimas tendem a vingar-se noutros com aquilo que sofreram.. 

É a Lei do equilíbrio! 

Dou à mostra dos meus caríssimos leitores um texto sobre “praxes” do “Ponte Europa” de Coimbra 
PRAXE: ‘Morte que mataste lira’… 

A ‘praxe’ entrou na ordem do dia. Não querendo fazer a história desta recorrente ‘tradição académica’ (chamemos-lhe assim), são incontornáveis as questões que estas ‘cerimónias’ levantam e que se agudizaram nos dias que correm. Um importante relatório da AR publicado em 2008 (Comissão Parlamentar de Educação e Ciência) ganhou foros de relevante actualidade e merece ser revisitado. 

Deixemo-nos de subterfúgios. A ‘praxe’ tal como é possível observar à luz de uma percepção sociológica moderna não assenta nem representa qualquer tipo de ‘integração’ dos novos alunos do ensino superior na instituição universitária e, mais concretamente, nesta fase da vida académica. Se essa fosse a sua intenção a oportunidade seria outra e ocorreria na entrada para ensino preparatório e/ou secundário. 

Porque na realidade e em termos formais e abstractos será difícil distinguir [apenas circunscritos ao grau de ensino, à faixa etária, ou ‘tradicionais/históricas’ motivações] substanciais diferenças entre o ‘‘bullying’ e algumas das ‘praxes universitárias’ que, nos recentes dias, vamos conhecendo pelos órgãos de comunicação social. 
 Coimbra. Neste edifício existem duas republicas de estudantes.

Na verdade, os ‘rituais’ que incorporam estas práticas inscrevem-se no mais execrável elitismo social e exteriorizam a deformada percepção que um (cada vez mais restrito) grupo de privilegiados (‘casta’) tem sobre um país real a caminho de fracturantes desigualdades. Esta a ‘mercadoria’ que se vende aos cidadãos como sendo (de qualidade) ‘superior’. Se os contornos sociais e humanitários não fossem tão graves poderíamos abordá-la como sendo mais um caso de publicidade enganosa. 

Finalmente, quando em 1969, em plena ditadura salazarista, organizações estudantis (e não académicas) ‘decretaram’, num contexto de ‘luto académico’ e de luta política, o fim das ‘praxes violentas’ mal sonhavam com o que – passado meio século - estaria para acontecer. 

A história recente da 'praxe' fez-me recordar uma canção que ouvi algumas vezes na voz de Adriano: 
Morte que mataste Lira, 

Morte que mataste Lira, 
Morte que mataste Lira, 
Mata-me a mim, que sou teu! 
Morte que mataste lira Mata-me a mim que sou teu 
Mata-me com os mesmos ferros 
Com que a lira morreu 


A lira por ser ingrata 
Tiranicamente morreu 
A morte a mim não me mata 
Firme e constante sou eu 
Veio um pastor lá da serra 
À minha porta bateu 
Veio me dar por notícia 
Que a minha lira morreu… 

Bancada Directa / Ponte Europa

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