BANCADA DIRECTA: O Detective Tempicos volta a atacar com a novela colectiva “Tempicos e os pastelinhos de nata”. Hoje é o 6º episódio da autoria de “Arnes”, nortenha da Trofa. Eduardo, Eduardo! Toma cuidado! A Arlete nem te quer defender, não gosta de ti e nem quer o teu amor! Só pretende o teu Ferrari “Testa Rosso”!.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Detective Tempicos volta a atacar com a novela colectiva “Tempicos e os pastelinhos de nata”. Hoje é o 6º episódio da autoria de “Arnes”, nortenha da Trofa. Eduardo, Eduardo! Toma cuidado! A Arlete nem te quer defender, não gosta de ti e nem quer o teu amor! Só pretende o teu Ferrari “Testa Rosso”!.

O Detective Tempicos volta a atacar com a novela colectiva “Tempicos e os pastelinhos de nata”. Hoje é o 6º episódio da autoria de “Arnes”, uma miuda nortenha da Trofa. 

Eduardo, Eduardo! Toma cuidado! 
A Arlete nem te quer defender, não gosta de ti e nem quer o teu amor! 
Só pretende o teu Ferrari “Testa Rosso”!.

6º Episódio 
“Um drama na pensão Kumbala” 
Autor: Arnes. Trofa 

 E tudo volta ao inicio. 

Arlete desce as escadas desenfreada, ainda a conferir o interior da carteira e pede a Ruca da Bica que lhe faça um frete urgente. Ruca que andava há muito a desejar ensinar-lhe a conga, seguiu-a escada abaixo e chegado ao táxi, abre-lhe a porta da frente.

Gesto que Arlete ignorou e entrou na parte traseira do carro. Ruca não conseguiu esconder a sua frustração, já fazia contas a umas escorregadelas de mãos no meter das mudanças e mais uma vez ia ficar-se pelo querer. Por este andar nunca mais meteria a dentadura naquele “filé” tão tenrinho. 
-Para o S. José, rápido- sussurrou Arlete ao ouvido do Ruca. Ruca até sentiu o rosto corar, tal foi a fúria que o assaltou, mas disfarçou e arrancou. Pensava para com os seus botões, que aquele “Bijou” iria ver o que se passava com o canalizador de meia tigela.

Uma voz melodiosa e suave interrompeu os seus pensamentos. 
-Ruca sabes se o Eduardo corre risco de vida? 
-Muito mal não devia estar, pois veio pelo seu próprio pé até ao táxi. Uma velhinha que passava, horrorizada pela faca espetada, ainda disse que chamava uma ambulância, mas ele recusou e entrou táxi dentro. Mas quem sabe? Afinal para morrer basta estar vivo, concluiu. Uma sincope caia-lhe que nem ginjas – pensou enquanto cerrava os dentes. Eduardo aquele pavão armado em corredor e engatatão. Pena não ter sido ele o atravessado pela lança. 
Lisboa. Centro Hospitalar Lisboa Central, vulgo Hospital de São José. Por aqui Eduardo foi bem tratado, mas não perdoou terem-lhe  rasgado o colete de protecção de objectos perfurantes. Mais tarde veio a saber-se que era um colete de forças.....

Arlete no banco traseiro encostou a cabeça e fechou os olhos. Veio-lhe à ideia o ar gazeado de Tempicos, quando se cruzou com ele à saída. Uma duvida assaltou-lhe o pensamento. Será que tinha abusado na dose do chá de cogumelos? Gostava muito de Tempicos e sofria ao vê-lo contar as suas aventuras com aquele ar garboso de garanhão e saber que agora só se ficava pela vontadinha, pois bem tinha ouvido a conversa da Fatinha, enquanto esta lavava a casa de banho. 
-Grande ordinário (grunhia ela) se ao menos os comprimidos lhe dessem para acertar na sanita, mas nem isso e eu que limpe. Aquilo agora nem com o tocar do hino se põe em sentido. 
Salvadorinho já conhecia os efeitos que derivam da toma de chá de cogumelos e disso tentava tirar dividendos com as nossas protagonistas. Imaginem os leitores a Arlete a dançar a conga com o Ruquinha e tocada a chá de cogumelos.

 Salvadorinho havia regressado de uma ida ao Brasil e em modo engatatão, tinha-lhe dado um chá de cogumelos enquanto lhe dizia. 
-Toma isto minha linda e vais ver as estrelas e os passarinhos a cantar. Nada que eu não pudesse fazer caso estejas interessada, mas entretanto vai sentindo a emoção. Pensou logo em fazer uma chávena para o Tempicos, quem sabe não lhe elevava a moral, já que o resto ao que parecia estava em estado de óbito.

E parecia ter dado resultado a julgar pelo ar dele, na manhã seguinte, quando leu a quadra que lhe deixara para ver a reacção. Agora temia que o efeito ainda se prolongasse. Quando voltasse via isso. 
-Chegamos- Disse Ruca em voz grossa, trazendo-a à realidade. 

Arlete entrou no hospital, convenceu o segurança que era a companheira e mãe de 3 filhos menores de Eduardo e lá conseguiu entrar nas urgências. Ao fundo do corredor viu um homem de costas e sentiu um calafrio. Era tal e qual o pobre Pedro que tinha sido atravessado por uma lança e ela tinha encontrado morto nas escadas. Aproximou-se em passos lentos e quando ele se vira, constata que se trata de Eduardo. 
 Eduardo, Eduardo: endireita-me lá esse cano! Que é como quem diz toca a recuperar do que te espetaram nas costas. E lembra-te que tens três filhos menores...

Só naquela hora se deu conta das parecenças que existiam entre os dois. Uma duvida rapidamente a assaltou. Pedro era um bom homem, não se lhe conheciam inimigos, nem nunca tinha visto nada de suspeito nos seus aposentos. Teria sido morto por engano? Quem o matou, tentou desta vez acabar com o verdadeiro alvo?
  
Eduardo sorria-lhe enquanto abria os braços e dizia: 
 -Minha pombinha, sabes que me salvaste a vida? 
-Eu? Mas nem estava junto a ti, quando te atacaram- respondeu Arlete. 
-Mas foste tu com a tua arte da agulha e do dedal que me forraste o blusão do cavalinho, lembras? E segundo o policia que veio aqui falar comigo, aquele forro era nada mais nada menos que kevlar, a fibra com que são feitos os coletes da policia.

Por isso a faca que se enterrou no cabedal do casaco, foi parada pelo forro e tudo não passou de um susto. Arlete lembrou-se dos retalhos que tinha encontrado no balde do lixo do quarto de Pedro, que trabalhava em revestimento de motores de aviões. Achou que ainda estavam em bom estado e tinha-os guardado. Quando Eduardo lhe pediu para dar um jeitinho ao forro do velho blusão, tinha-os usado.
Quem havia de dizer que o Ruca da Bica andava com os passes e os acordes musicais da Conga na cabeça. E queria praticar a dança  

O policia voltou com os papeis para Eduardo assinar. Leu em voz alta. 
-Afirma que não sabe quem o atacou, pois só sentiu um baque nas costas e ouviu uma voz a dizer-lhe que desta vez não escapava, apesar de nunca lhe terem atentado contra a vida. Quando se voltou, quem o atacou desaparecia na esquina e usava um fato e capacete de motoqueiro. Correto? 

Eduardo acenou que sim com a cabeça. Mais uma vez Arlete, teve a sensação que Pedro tinha sido assassinado por engano em vez de Eduardo e ironicamente tinha-lhe mais uma vez salvo a vida. Quem poderia querer Eduardo morto?

Bem vistas as coisas, não faltava quem lhe quisesse fazer a folha. Vejamos: Tempicos tinha sido trocado por ele nos braços e na cama da Fatinha. Salvadorinho tinha dado com eles abraçados na arrecadação da caldeira, pois andavam a encontrar-se às escondidas, mas com promessa de casamento logo que Fatinha fizesse testamento a favor de um dos dois, pois não lhe eram conhecidos herdeiros.
Tempicos afanosamente tentava descobrir quem era o usuário do fato e capacete de motoqueiro....A referencia à fibra tipo "Kevlar" dos coletes da policia prova que a miuda anda a saber umas coisas... (ver 2ª nota de Bancada Directa)

Ameaçou que contava tudo à dona da pensão, para ela saber com quem se tinha metido, enquanto se virava para Arlete e lhe dizia que ela ainda havia de ser dele e só dele. Ainda haviam de dançar o tango juntos com uma faca na liga e uma rosa na boca. Duarte, andava furioso, pois uma inundação tinha-lhe arruinado a estreia e todo o cenário onde tinha investido as suas parcas economias, depois de Eduardo lá ter ido trocar uma torneira que pingava.

Gritou-lhe que só tinha pena de não lhe ter dado com a chave de fendas na cabeça e mandado para um encontro com o criador. Ruca da Bica, não escondia de ninguém a animosidade que sentia de Eduardo. Já tinha feito intrigas à Fatinha, que ele só lhe queria apanhar a pensão. Que biscas daquelas cheirava-os a léguas.

Dr. Aurélio escutou-o um dia a ameaçar Eduardo que lhe dava com a “fruta” no focinho, se os últimos comprimidos azuis não fossem da melhor qualidade. O seu cliente do norte queria material que lhe garantisse a satisfação da Brasileira, pois ouvira uns sussurros nos treinos que todos queriam experimentar a brazuca. Não entendeu ao que se referia, mas que ele estava furioso, ai isso estava e logo ele que costumava ser um homem tão calmo. Hoje tinha visto a forma como se escapou do interrogatório do tal Novena, remetendo explicações para Eduardo.

E o tal Novena, que só tinha visto de relance. Pela pinta mais parecia um trintário e pelo à vontade, muito intimo da dona da pensão. Podia haver coelho naquela lura. Tinham que falar com a policia, para que dessem um novo rumo às investigações.

 Arnes
Trofa.  2013. Dezembro. 16


A autora deste episódio
 1ª nota de Bancada Directa
Quando a miuda estava no activo na Judite era subordinada de Tempicos. 
Quando estavam de piquete e havia uma “saída controlada activa" ela em vez de levar a mala CSI para se obterem impressões digitais e pistas circunstanciais, saía de pistola armada e pronta a entrar em acção. Vestia sempre o colete à prova de bala.
Tempicos à socapa esvaziava-lhe o carregador. Sabe-se lá o que pensam as mulheres.....

2ª Nota de Bancada Directa
A miuda sabe umas coisas....

Kevlar é uma marca registada da DuPont para uma fibra sintética de aramida muito resistente e leve. Trata-se de um polímero resistente ao calor e sete vezes mais resistente que o aço por unidade de peso. O kevlar é usado na fabricação de cintos de segurança, cordas, construções aeronáuticas, velas, coletes à prova de bala, linha de pesca, na fabricação de alguns modelos de raquetes de tênis e  na composição de alguns pneus. Os tanques de combustível dos carros de Fórmula 1 é composto deste material, a fim de evitar que objetos ponteagudos perfurem os tanques no momento da colisão

Esta cultura não estava ao alcance de Tempicos

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