BANCADA DIRECTA: Neste tempo de Natal as lágrimas alagam os olhos dos administradores do blogue Bancada Directa. O detective Tempicos cansou-se de atacar e agora anda radiante numa qualquer ilha das Maldivas numa "ménage a trois" de fazer inveja a qualquer um. A felicidade estende-se à Fatinha e à Arlete......s....

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Neste tempo de Natal as lágrimas alagam os olhos dos administradores do blogue Bancada Directa. O detective Tempicos cansou-se de atacar e agora anda radiante numa qualquer ilha das Maldivas numa "ménage a trois" de fazer inveja a qualquer um. A felicidade estende-se à Fatinha e à Arlete......s....


Neste tempo de alvorecer do Ano Novo da graça de 2014 as  lágrimas alagam os olhos dos administradores do blogue Bancada Directa. Tempicos: "get out"!.....
O detective Tempicos cansou-se de atacar e agora anda radiante numa qualquer ilha das Maldivas numa "ménage a trois" de fazer inveja a qualquer um. 
A felicidade estende-se à Fatinha e à Arlete......
Ruca da Bicha. Eduardo, Salvadorinho, Aurélio e Duarte que se lixem! Ficam sossegadinhos, bem aconchegadinhos com a Natália para o que der e vier (por acréscimo) se ressuscitarem....

TEMPICOS E OS PASTELINHOS DE NATA
8º Episódio, último e derradeiro 

Tempicos começava a perder a paciência. A morte em formato de assassinato do Pedro Manuel, um rapaz que prometia, a tentativa de assassinato de Eduardo que apesar de lhe ter roubado a dona da pensão, foi mais uma facada na classe operária. 

A lança que o chanfrado do Salvadorinho lhe atirou e lhe perfurou a omoplata acabou por não lhe causar grande mossa… Ultimamente o fracasso das suas performances atribuídos exclusivamente aos comprimidos azuis falsificados, e ainda as esquivas de Arlete que muito prometeu mas que sempre apresentou um grande jogo de cintura. 

As investigações que efetuava na Pensão Kumbala tinham chegado a um “cul de sac” que é como quem diz em águas de bacalhau. Mas um homem da fimbra de Tempicos não desiste e investe sempre contra tempestades e chuva miudinha. Desistir “ jamais “ - em francês ( jámé), para entendimento da nossa colónia de leitores em Paris. Arrostava ainda com o desgosto de ter sido preterido no confronto de garanhões que levou a Fatinha a preferir o Eduardo. 

Para Tempicos, homem prático e arguto a coisa tinha que ser resolvida à sua maneira: à bruta! Lera muito livros de Agatha Christie e tinha o maior respeito pelos métodos de investigação de Hercule Poirot. Foi assim que planejou a cena: reuniria toda a gente na sala de jantar da pensão Kumbala. Faria uma inquirição breve directa e eficaz, utilizando as “células cinzentas” que lhe sobravam no cérebro, apesar do peso dos anos. 

Uma encenação à maneira. Combinara a estratégia com a sua aliada Fatinha (de novo do seu lado) com quem fizera as pazes uma vez afastados os odores do canalizador Eduardo das narinas sensíveis da sua antiga amásia. Tempicos perdoou-a. Entre a cozinha e a sala, apanhou-a, empurrou-a contra a porta e rodeou-lhe a cintura selando-a freneticamente com um beijo repenicado que deixaria Bogart a roer as unhas de inveja, se acaso fosse vivo. 
Claro que foi do Tempicos a ideia de encharcar de pomada de beladona os pastelinhos de nata. A sorte dos nossos heróis de meia tigela é que a beladona não era desta qualidade. Venenosa quanto baste.

Fatinha baixou a guarda. Depois, Tempicos partiu para a outra. A cabritinha Arlete. Contou-lhe um segredo e ela embarcou no jogo. Do que lhe disse nada transpirou. Só ela arfava ainda com os zunzuns da proposta. Tempicos, satisfeito disse para consigo: “isto – meu amigo – é como andar de bicicleta. Quem aprende nunca esquece! “ Eram “cinco de la tarde “ na pensão Kumbala e o pessoal estava já reunido na sala de jantar. 

Sentados e alinhadinhos estavam todos os suspeitos: Ruca-da-Bica, Duarte, o renascido e retemperado Eduardo com o seu inseparável odor a ferro-velho, Salvadorinho, o Rei do Quizomba e a sua amásia Natália, o Dr. Aurélio - o sete mais dois, para os íntimos, o Novena, de botinas e sotaina. Tempicos, tomou a palavra: “Meus caros, lastimo informar mas temos entre nós o criminoso!” - Ganda avaria! – adiantou o Salvadorinho. 

Tempicos fingiu que não ouviu e continuou: “- Enquanto tomamos um cafezinho e hoje excepcionalmente acompanhados por uma dúzia de pastelinhos de nata, oferta da dona Fatinha, que ainda estão quentinhos, pois acabei de os trazer da Fábrica dos ditos em Belém, ali ao lado do Cavaco. São os autênticos. A menina Arlete poderá já servi-los. Ficam muito bem com o cafezinho.” Arlete entra em cena com uma bandeja repleta de pastelinhos, canela e cafezinhos, deixando-a no centro da mesa. Toda a gente avançou ao ataque e num ápice os pastelinhos voaram e o cafezinho correu pelas gargantas dos suspeitos. 
À primeira trincadela viu-se logo, melhor, saboreou-se o travo da beladona

Só a Dona Fatinha, Tempicos e Arlete não comeram os pastelinhos. Ninguém reparou nisso e deviam tê-lo feito… Nem cinco minutos se passaram e já o Dr. Aurélio afirmava que o pastel que comera tinha um leve sabor a beladona. Novena que fora em tempos padre persignou-se e bocejou. Natália, desconfiada perguntou se a beladona era bom para o estômago. 

Ao que Aurélio – sempre com o seu afinado humor negro disse que lá bem não devia fazer assim muito. - Midríase – é o que o Ruca está a ter – parece um goraz de olho gazeado! Afirmou o médico com um sorriso aparvalhado. Eduardo começou a transpirar e o ar ficou irrespirável. Arlete e Fatinha foram para a cozinha, tratar da loiça, ou fingir que. Entretanto Ruca-da-Bica levantou-se e logo de seguida caiu redondo com a cabeça dentro da bandeja agora vazia de pastelinhos. 


Natália atirou-se ao pescoço de Salvadorinho a beijá-lo repetidamente na face ao mesmo tempo que este continuava o solilóquio: - “ maconha, maconha, maconha…” O Dr. Aurélio foi o último a cair redondo. E quando o fez ainda conseguiu soletrar: “BE-LA-DO-NA.” Tempicos levantou-se e risonho chamou as duas amigas, Arlete e Fatinha e mostrou- lhes os bilhetes de avião para as Ilhas Maldivas.
 Vamos, embora que o avião não espera! A polícia quando chegar vai dar como veredicto o suicídio colectivo, tão em moda ultimamente. Nós vamos para o bem-bom, os três. Nunca experimentei o “menagem-à-trois” uma recomendação insistente nos livros do meu amigo Marquês de Sade. 

Alguma vez teria que ser. 

FIM

O autor deste episódio e da coordenação da novela, não nas Maldivas, mas sim no seu recanto algarvio

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