BANCADA DIRECTA: “Tempicos e os pastelinhos de nata. O Detective Tempicos volta a atacar. Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. Hoje temos o Episódio nº 3 da autoria de Onaírda (Sintra)

sábado, 23 de novembro de 2013

“Tempicos e os pastelinhos de nata. O Detective Tempicos volta a atacar. Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. Hoje temos o Episódio nº 3 da autoria de Onaírda (Sintra)

“Tempicos e os pastelinhos de nata. 
O Detective Tempicos volta a atacar. 
Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. 
Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. 
Hoje temos o 3º episódio da autoria de Onaírda (Sintra) 


Episódio nº 3. 
“Divagações e suspeições sobre quem matou Pedro Manuel”. 



Estamos em Novembro. 
Na Associação de Reformados da “Judite” preparava-se uma das salas para as festividades do Natal. Tempicos não fazia parte dos corpos gerentes da Associação, mas desde que se tinha reformado era ele quem fornecia todos os anos, sem falhar um sequer, a árvore de Natal. 

Como havia contenção de custos Tempicos pediu ao Ruca da Bica para lhe arranjar um pinheiro natural e de borla que ele arrancaria por aí nos arredores da capital. Pedido muito sensato (não para a floresta), não só porque o Ruca tinha transporte, como conhecia muito a propósito onde havia os pinheiros bons para arrancar, porque ele andando atrás dos tentilhões nas horas vagas conhecia onde os havia. Tentilhões e pinheiros, claro! 


 Já com o pinheiro entregue Tempicos aproveitou a colaboração de um colega inspector no activo e pediu-lhe orientações para tentar descobrir quem matou Pedro Manuel na Pensão Kubala. Investigação paralela era o que ele queria para daí tirar proventos para o seu ego de ex-inspector. -Assunto sério e complicado, mas vai ter de me contar todos os pormenores sobre os residentes e pessoal da pensão para alinhavarmos as hipóteses concretas: disse o investigador a Tempicos. 

No entanto esse ex-colega conhecia de sobra quem era Tempicos e o seu fraco perante apaixonadas de ocasião, pelo que receava, e com razão, que as suas conclusões chegassem ao conhecimento de Fatinha ou de Arlete que se aproveitariam das fraquezas do ex-inspector nas funções de alcova. Preferiu entregar o relatório que obteve a partir de Tempicos, a outro excelente inspector, o famoso “Teórico” que se encarregaria de ajudar a equipa a quem estava distribuida a investigação 


Então vamos dar visibilidade ao tal relatório e ao que ele conseguiu apurar numa fase prévia das suas investigações 


Investigações

Fatinha: 
Não era só no Rossio que Fatinha alimentava os pombos generosamente. Também o fazia noutros locais, tal como este.

Proprietária da Pensão Kubala. Adquirida com dinheiro vindo de heranças familiares. Praticamente só de tarde e à noite a sua presença era notada na pensão. Todas as manhãs deslocava-se a pé para o Campo de Santana e Rossio para dar comida aos pombos. Sobras de pão, arrozes e massas. 

Descia a Almirante Reis até ao Bairro das Colónias, subia a Rua de Santa Barbara, passava pelo Paço da Rainha e depois descia a Calçada de Santana para alcançar o Rossio. Ao passar pelo Largo da São Domingos aproveitava e tentava arranjar clientela para a sua pensão. Clientela africana e desta maneira angariou dormidas para o Pedro Manuel que frequentava o local e convivia com negros de varias etnias. Negócios de todo o cariz. Drogarias nem pensar. 


Tinha tido um “affaire” amoroso com Tempicos ( a Fatinha, claro!), saturou-se desta relação e Eduardo canalizador foi o substituto do latin lover do Alto do Pina.. Disse que era inocente da morte de Pedro Manuel, mas deu um pormenor interessante. Dois dias antes da morte do Pedro encontrou numa das despensas um estojo com uma lança africana de 3 sectores. Alguém o tinha lá posto para depois o levar. Fatinha adiantou-se e levou-o para o escritório da pensão. No dia seguinte quis apreciar a lança, mas viste-a. Alguém a surripiou e deixou o estojo vazio. 


Arlete. 

Arlete. Não havia o nosso Tempicos de andar bem enrabichado com esta cabritinha. Para ela Tempicos era uma relação para sempre

Nasceu na Trofa mas era angolana por raízes familiares. Tipo cabrita, boa como o milho e cheia de curvas nos sitios ideais. Era empregada de Fatinha e era pau para todo o serviço. Tinha praticado atletismo na especialidade de lançamento do dardo, depois de ter chegado à metrópole cinco anos antes. Enrolou-se vivamente com Tempicos e estava satisfeita com a performance sexual do dito. Quando regressasse a Angola Tempicos prometeu-lhe que iria com ela. Boa e confiada rapariga que não conhecia o malandreco do Tempicos. 

Arlete era assediada por quase todos os residentes da pensão incluindo Pedro Manuel.  Disse que tinha sido ela a descobrir Pedro Manuel morto com uma lançada nas costas ao fundo da escada para o andar superior. Disse que era inocente. Ainda disse que estava apaixonada por Tempicos e que este era melhor do que muitos homens mais novos. 


Eduardo 

O Ferrari "testa rosso" só andava nas faldas do Caramulo. Para a Serra de Sintra Eduardo trouxe a sua reliquia "Alfa Romeu" para um ralie em que fez boa figura (imagem real)

Era do tipo “muita parra e pouca uva”. Andava já à algum tempo a querer por o rabo com a Fatinha ao Tempicos e conseguiu. Nos últimos tempos, em vez de ir canalizar para ganhar a vida, ia todas as manhãs à Tarantela no Largo Dona Estefânea e comprava invariavelmente uma duzia de pasteis de nata. Muitos destes bolinhos ainda o Tempicos lhe punha o dente, mas acabou. 

Agora o Eduardo carregava com a Fatinha para Alfama, Graça e Bairro Alto e pespegava-lhe com sardinhas, vinho tinto carrascudo e pão casqueiro de 2ª. Dizia-se na pensão que era um amor assardinhado. Eduardo em tempos era um fanático das corridas, e não se sabe como, chegou a ter um Ferrari “Testa Rosso”. Era de um vermelho lindo. Especializou-se em descidas da Serra do Caramulo a uma velocidade de 300 Kms/hora. O Ferrarri desapareceu e agora tinha uma carrinha vermelha para a sua ocupação de canalizador e não só, pois a Fatinha só o deixava sair se ela fosse ao lado dele. 


Disse que não matou o Pedro Manuel e que nesse dia tinha ido à Marinha Grande contactar elementos da sua antiga banda, onde tocava viola, para darem um concerto na pensão. Eduardo sabia muito bem o que queria. Ser proprietário da Pensão Kubala Considerava-se inocente da morte do Pedro 


Salvadorinho 

Natália era a namorada do Salvadorinho. Era eximia na arte de atacar o varão com beleza sensual. Aqui terminava a sua actuação ao som da musica do fado "O cacilheiro". Pedro Manuel ia vê-la todas as noites e isto burilava com os ciúmes do Salvas. A segurança no agarrar do varão também indicia que podia agarrar com firmeza uma lança africana. São só conjecturas que passa pela tola do Tempicos  

Salvadorinho era um mestre na arte de dançar. Disse que não matou o Pedro Manuel e nem tinha qualquer interesse. De momento só tinha a intenção de abafar a Arlete na sua cama. Era a sua prioridade Não vale a pena falar mais de Salvadorinho, porque posso cometer alguma inconfidencia, ele fica com o “burro, amua e deixa de colaborar com a sua rubrica “No Palco da Saudade” cá no blogue da rapaziada 

Ruca da Bica. 
Taxista com viatura de sua propriedade. Fazia “praça” na Praça da Figueira, depois de ser corrido da “praça” do Aeroporto da Portela por enganar-se (para ele, claro) nos preços que praticava com os turistas, o que é muito frequente acontecer aos distraídos quando passam pelos mamarrachos da Avenida da Republica e da Avenida Fontes. 

A maioria dos seus clientes eram africanos e por isso alguém deixou esquecido no taxi um estojo com uma lança africana. Levou-a para a pensão e guardou o dito no seu quarto debaixo do sofá cama. A lança até lhe podia servir para apanhar tentilhões atingindo-os quando voassem perto dele. Três dias antes da morte do Pedro Manuel alguém surripiou o estojo do seu quarto e só viu a lança bem cravada nas costas do Pedro. Não tinha interesse na morte do Pedro, pois este era seu amigo. Foi ele que lhe disse para ele ter cuidado com o Tempicos pois o detective chamava-lhe o Ruca da Bicha. Ruca disse-lhe que não fizesse caso e não ligasse, porque Tempicos tinha um defeito linguístico e trocava os P pelos B. O detective andava ressabiado com o taxista pois tinha de pagar as corridas de taxi. Por isso o denegria. 


Dr. Aurélio 

Era um santo homem. Como médico tratava graciosamente todos os residentes da Pensão Kubala. Uma vez a Arlete apareceu com um antraz no bum-bum e ele andou cerca de dois meses a dar-lhe massagens para a saliência desaparecer. Desapareceu o furúnculo da Arlete e ele ficou com menos seis quilos com o esforço das massagens. Não era suspeito do assassínio do Pedro Manuel. 

Duarte 
Duarte era um pintarola do caraças e também queria dar uma trincadela na Arlete. Para a cativar pintou-a em três dimensões o que agradou muito à cabritinha e desgostou Tempicos

Duarte era "porficional de artes" (constava da sua ficha na pensão). Era um pintarolas e pouco se sabia dele. E como isto já vai um pouco longo o melhor é ficarmos por aqui. Mas temos de estar com um pé atrás com ele. Não inspira confiança 

Tempicos 

Paris. Não esquecer que as paixões assolapadas de Tempicos pelo belo sexo começaram nesta cidade-luz. Há documentação advinda do próprio. Não é de excluir que nesta altura Tempicos tenha convencido Arlete para dar uma volta por Paris e que a cabritinha se queira ver livre de impecilhos tal como Pedro Manuel. São só conjecturas.

Tempicos não era alvo de qualquer suspeita. Mas factos são factos e têm de ser esclarecidos. Tempicos tratava com formalidade Pedro Manuel, mas tinha tido ultimamente um “quiproquo” com ele, pois foi por seu intermédio que Tempicos arranjou quem lhe fornecesse os tais comprimidos manhosos para fazer crescer a direito as couves galegas. Simplesmente o fornecedor vendeu-lhos falsificados e foi o fiasco que se viu com a Fatinha. Tempicos disse que Pedro Manuel tinha sido conivente na venda e que retirou lucros da mesma. 

Pedro Manuel respondia-lhe afirmando que era o Eduardo que punha canela (?) a mais nos pasteis de nata


Fim do episódio nº 3. 

A saga continua





Episódio nº 3

O autor


2 comentários:

Adriano Ribeiro disse...

Dª Maria de Lourdes Bonito
Agradeço o seu mail sobre este post e esta novela.
São opiniões e delas deve dar publicidade. Respeito o seu pedido
Quanto à questão que me pôs,sobre o local onde estão os pombos a comer, claro que não se trata nem do Rossio e nem da Avenida da Liberdade. É muito longe. O local é uma praça em frente ao edifício do Congresso de Buenos Aires na Argentina.
Tenha um bom Fim-de-semana e obrigado por ler o nosso blogue.
Adriano Rui Ribeiro

Anónimo disse...

Senhor Adriano
Pelo que li até hoje dos artigos anteriores parecem-me pessoas muito felizes e sem preocupações. O que não está muito de acordo com aquilo que a maioria dos portugueses andam a sofrer.
Mas igualmente respeito o "modus vivendi" a que se dedicam
Cumprimentos para sua família
Maria de Lourdes Bonito

Obrigado Pela Sua Visita !