BANCADA DIRECTA: “Tempicos e os pastelinhos de nata. O Detective Tempicos volta a atacar. Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. Hoje temos o Episódio nº 2 "Mataram o Pedro Manuel, aqui, na nossa escada!" Autoria de “Zé” (Viseu)

sábado, 16 de novembro de 2013

“Tempicos e os pastelinhos de nata. O Detective Tempicos volta a atacar. Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. Hoje temos o Episódio nº 2 "Mataram o Pedro Manuel, aqui, na nossa escada!" Autoria de “Zé” (Viseu)

“Tempicos e os pastelinhos de nata." 
O Detective Tempicos volta a atacar. 
Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. 
Os outros que o façam nesta novela colectiva. 
Nós fazemos-lhe a vontade. 
Hoje temos o Episódio nº 2  "Mataram o Pedro Manuel, aqui, na nossa escada!"da autoria de “Zé” (Viseu)

Titulo deste episódio”Mataram o Pedro Manuel, aqui, na nossa escada!”

Arlete, mal recuperou a voz, berrou a plenos pulmões:
- Mataram o Pedro Manuel, aqui, na nossa escada!!!
Foi a confusão total… depressa desfeita pela voz firme de comando de Tempicos, rejuvenescido ao seu tempo de P. J.
- Ninguém sai daqui! Ninguém põe um pé nessa escada!
- Dr. Aurélio, vamos avaliar a situação…

Lá foram os dois.
Tempicos, ao primeiro olhar, pegou no telefone e ligou para o 112, pedindo emergência médica e comunicando um homicídio, confirmado por um sinal do médico, que resmungou – Em cheio no coração… está mais morto que o escudo português! Ajoelhou-se e, já que nada podia fazer pelo corpo, tratou-lhe da alma, como tão bem aprendera no seminário – descanse em paz. Ninguém respondeu.

Tempicos surpreendeu-se e subiu. Quase ninguém, numa sala que, há segundos, estava cheia. Apenas numa mesa, acabrunhados, aqueles que lhe pareceram os hóspedes residentes e o pessoal da Pensão. Os outros tinham seguido (parcialmente) as suas ordens – ninguém tinha posto um pé naquela escada; tinham posto os dois, acelerados, na escada de emergência das traseiras e safaram-se todos. E sem pagar a conta, o que contribuía, substancialmente, para agravar a situação e toldar o ambiente… Se calhar, não gostavam de ver sangue, digo eu…
Eduardo … o canalizador marado em automóveis de corrida …(do texto). Há que esclarecer que Eduardo tinha um Ferrari "testa rosso" e deliciava-se nas rampas da Serra do Caramulo acompanhado de uma senhora que tinha sido o grande amor da vida do Detective Tempicos. Agora Eduardo fazia o seu "metier" de canalizador numa carrinha vermelha de caixa aberta. As voltas que a vida dá! Com a Fatinha ao lado.

Chegaram os piquetes do INEM e da polícia.
Encerraram os residentes e pessoal na sala e correram todos os cantos da Pensão, sem encontrarem mais vivalma…
Casa isolada e polícia científica a processar a escadaria.
Aos costumes disseram nada; ou seja, no interrogatório individual, todos disseram que estavam a trabalhar ou a comer e não tinham dado por nada nem visto ou ouvido qualquer coisa de suspeito.
Reunidos de novo na sala, a conversa foi, obviamente, sobre o caso…

Aurélio reflectiu sobre a brevidade da vida, acrescentando que, às vezes (que Deus me perdoe!), quem semeia ventos…
Diz bem, meu caro doutor (falou Tempicos, O Grande), o que não faltava era inimigos aos Pêpê. Um tipo que passava avida a assaltar velhinhos e restaurantes e a roubar dinheiro a quem podia … corria riscos. Dizia-se que só não ia dentro porque tinha grandes padrinhos. Talvez uma inadaptação à vida de Lisboa, ele que viera do Norte, depois de ter estado em Angola…
Lisboa. Praça da Figueira. Ruca da Bica estacionava o seu taxi neste local para "tomar" clientes. Com o Largo de São Domingos ali tão perto (local de paragem de gentes africanas) não admira que os seus clientes fossem em grande quantidade de origem angolana. Daí o seu conhecimento destas pessoas e se calhar algo mais. 

Angola, diz muito bem (opinou Ruca da Bica) – eu bem os vejo no meu táxi… Mas a culpa é da D. Fatinha, que abre a porta a toda a gente. Agora, estamos em sarilhos…
O que tu foste dizer!

D. Fatinha, democrata exemplar e defensora extreme dos direitos do homem, não aguentou mais e (no jeito de "se é prá acontecer, pois que seja agora") apontou-lhe o dedo… Numa voz que fez tremer a estátua do Marquês, disparou-lhe, em cheio – não lhe admito xenofobias nem racismos. Esta é uma casa de liberdade!
Duarte (para os residentes, o Pintarolas; para os de fora, o intelectual do Grupo) aplaudiu e gritou – Viva a Maria da Fonte, terminando com uma tirada enigmática – "e, no entanto, ela move-se"…
Revolução da Maria da Fonte. Viva a Maria da Fonte e no entanto ela move-se.....Duarte já não estaria com a caixa dos pirolitos em bom estado para ter esta tirada enigmática

Salvadorinho entendeu a frase como uma provocação pessoal – isso é piada para a minha Natália? Ela move-se muito bem enquanto dança no varão, na casa onde trabalha. Mas aquilo é arte pura. A minha Natália é uma mulher séria.
- Quando não se ri, meu caro, concluiu Arlete, já de voz recuperada. Que triste ideia que eu tive ao ir procurar o Eduardo na escada, pois tinha uma coisa para lhe dizer.
- Saiu pouco antes de encontrarem o corpo, informou a negra Kuwu, quase branca do susto e confusão gerados. Vi-o a começar a descer a escada…
Palavras doutas e sábias do Dr. Aurélio comentando a vida breve de Pedro Manuel : quem semeia ventos colhe o que está na imagem

Eduardo … o canalizador marado em automóveis de corrida … ninguém tinha dado pela sua ausência…
Silêncio total. Aquelas cabeças giravam a dez mil rotações por minuto… Adivinhem lá em que estavam, todos, a pensar…
Fala –se no diabo e ei-lo que aparece – Eduardo, gingão, malandreco e convencido.

............vi quem era pois já estava atrasado. Fui beber um copo com um possível patrocinador. Estou em conversações com uma jovem navegadora, inteligente e que promete muito. Se a grana cair, artilho o meu vermelhinho e vamos gastar adrenalina nuns ralis de clássicos.

Quando ia a entrar, vi uma fita a rodear a porta, mas julguei que tinha sido posta pela Fatinha para indicar lotação esgotada.

Entro, sou agarrado por um polícia e vejo uns cromos com uns fatos de competição brancos, mas todos de pano desde as botas ao capacete. Fiquei excitado e não contive um arroto. Cruzes! Os cromos fixaram loucos e desataram a berrar que eu tinha poluído o local do crime. Só tive tempo de ver que estava um tipo no chão, com sangue e enfiado num espeto de rodízio muito esquisito .

Mal tive tempo de dizer que se não me deixassem vir cá acima fazer, urgentemente, o que tinha a fazer, então é que eu poluía o ambiente irremediavelmente, pois já não aguentava mais…
Calçaram-me uns pantufos brancos e empurraram-me escada acima…......

Todos o trespassaram com o olhar…
Nunca me viram? Qual é a vossa, ó meus?


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