BANCADA DIRECTA: Irlanda. A verdade é como o azeite. Vem sempre ao de cima. Qual milagre económico e qual recuperação milagrosa do programa de ajustamento financeiro? A Irlanda recusou o programa cautelar por causa desta Europa comunitária que nunca mais se endireita

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Irlanda. A verdade é como o azeite. Vem sempre ao de cima. Qual milagre económico e qual recuperação milagrosa do programa de ajustamento financeiro? A Irlanda recusou o programa cautelar por causa desta Europa comunitária que nunca mais se endireita


A verdade é como o azeite. 
Vem sempre ao de cima. 
Qual milagre económico e qual recuperação milagrosa do programa de ajustamento financeiro? 
A Irlanda recusou o programa cautelar por causa desta Europa comunitária que nunca mais se endireita

Irlanda recusou programa cautelar devido à falta de clareza europeia
Ministro das Finanças irlandês explica que eventuais condições nem chegaram a ser conhecidas e o país poderia ficar refém dos problemas políticos de outras nações.
O receio de que a negociação de um programa cautelar com os parceiros da zona euro pudesse descambar num processo negocial longo e acidentado, que acabasse por prejudicar a reputação do país, foi a principal razão para Dublin decidir sair do programa de ajustamento pelo próprio pé.

"Eu tinha este medo de poder acabar em Bruxelas, às três da manhã, lá para dezembro, com um caso de sucesso a ser transformado numa espécie de crise irlandesa, porque alguns países teriam que fazer passar a decisão nos seus parlamentos nacionais", afirma Michael Noonan em declarações ao "Sunday Business Post", acrescentando: "Vi o processo de tomada de decisões aqui sobre assuntos que pareciam razoavelmente claros acabar por ficar encalhado".

Na entrevista, publicada ontem, o ministro das Finanças irlandês explica que o seu governo manteve contactos com os parceiros de alguns países "chave" e com os responsáveis da troika e constatou que, além de obter conselhos diferentes, nenhum deles era baseado em dados sólidos: "Diziam-nos sempre, 'olhem, decidam como decidirem, apoiar-vos-emos na mesma, porque pensamos que a Irlanda está a fazer tudo bem e que vocês estão numa boa posição'".

Noonan diz que foi influenciado por vários fatores, o primeiro dos quais foi a impossibilidade de obter "uma leitura clara" sobre como todo o processo funcionaria.

"Havia uma certa incerteza sobre o processo"

Questionado sobre se não sentiu frustração perante a ausência de clareza em relação às eventuais condições que seriam exigidas como contrapartida pela ativação de um programa cautelar, Noonan responde de uma forma que ilustra como todo o processo de decisão no que diz respeito à crise do euro continua longe de um qualquer método científico: "Íamos apanhando coisas nos media, observações sobre que condições podiam ser pedidas por outros países, mas havia uma certa incerteza sobre o processo".

E reitera que a posterior aprovação do programa pelos diferentes países teria que responder à especificidade política de cada um, mais do que aos méritos ou necessidades da própria Irlanda: "Quase todos teriam que fazê-lo passar (ao programa cautelar) pelos respetivos parlamentos, haveria debates parlamentares nos países e quase toda a Europa é governada por coligações de um tipo ou de outro. Era muito difícil avaliar que condições poderiam ser acrescentadas a um pedido (de ativação do programa) à medida que fosse processado pelos diferentes parlamentos".

As outras razões apontadas por Noonan na entrevista são as que já havia identificado na reunião do Eurogrupo na semana passada, nomeadamente o facto de o país ter as necessidades financeiras asseguradas até 2015, de um cautelar pedido agora caducar dentro de um ano, em pleno período de testes de stresse à banca europeia, deixando a Irlanda exposta a possíveis problemas noutros países.
Noonan conta ainda que o BCE defendeu que um programa "seria útil" e que a Finlândia "pediria sempre (garantias) colaterais". 

E antecipa que Espanha e Itália teriam dificuldades em explicar às suas opiniões públicas a decisão de reforçar o apoio a um país que atualmente se financia a taxas inferiores às suas.

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