BANCADA DIRECTA: Soares cortado da foto que refere fotobiografia de Alvaro Barreirinhas Cunhal. Para quem conhece o feitio de Mario Soares, como eu o conheço, sabe perfeitamente que o "Marocas" está-se marimbando que o cortem daquela foto.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Soares cortado da foto que refere fotobiografia de Alvaro Barreirinhas Cunhal. Para quem conhece o feitio de Mario Soares, como eu o conheço, sabe perfeitamente que o "Marocas" está-se marimbando que o cortem daquela foto.

Soares cortado da foto que refere fotobiografia de Alvaro Barreirinhas Cunhal.
Para quem conhece o feitio de Mario Soares, como eu o conheço, sabe perfeitamente que o "Marocas" está-se marimbando que o cortem daquela foto.

Joaquim Vieira diz que Soares foi cortado da imagem que registou o regresso de Cunhal do exílio. Carlos Brito fala em "comportamento estalinista"

O jornalista Joaquim Vieira fala numa "cultura" dos regimes de inspiração socialista para reescreverem a história, presente na fotobiografia de Álvaro Cunhal, publicada este verão pelas edições Avante!. Em causa, a foto do regresso do histórico líder comunista a Lisboa, a 30 de Abril de 1974, após 13 anos de exílio na União Soviética, e que na opinião de Vieira "foi cortada para excluir Mário Soares".

Traços de um "comportamento estalinista", na opinião do ex-dirigente comunista Carlos Brito. A imagem em questão (na página 120 do livro "Álvaro Cunhal - Fotobiografia") mostra Cunhal a discursar em cima de uma chaimite, entre algumas figuras do PCP como António Dias Lourenço, que segura o microfone ao histórico do PCP.

No Facebook, no domingo, Joaquim Vieira perguntava: "O que aconteceu a Mário Soares?". Noutras imagens que registam o momento, o socialista aparece a menos de um metro de Cunhal. Porém, na imagem escolhida pelo PCP para ilustrar o regresso - e publicada nas redes sociais por Vieira para ilustrar a ideia -, Cunhal surge no canto superior direito, secundarizado em relação aos militares e jornalistas com quem partilha o plano.
"Aquela foto, com aquele enquadramento, não tem sentido nenhum. Não tenho o original para comprová-lo" - ressalva Vieira - "mas, como Mário Soares era adversário [do dirigente comunista], cortaram a foto de modo a que não fosse visto", diz o jornalista, que editou uma biografia de Soares e está agora a trabalhar numa biografia ilustrada de Cunhal.

A fotobiografia do PCP "exclui tudo o que são pessoas que não alinhavam com Álvaro Cunhal", acusa. Caso de Gorbatchov, no plano internacional, que não surge na fotobiografia, apesar de terem ficado registados vários encontros do secretário-geral do PC português com diversos líderes de outros países - Fidel Castro, Leonid Brejnev ou Agostinho Neto.

Exemplo, também de Carlos Brito, ex-dirigente do PCP e um dos elementos mais próximos de Cunhal. Brito - que não viu o livro nem visitou a exposição itinerante do líder do PCP - considera tratar-se de um "comportamento estalinista", a forma como figuras de destaque na história do partido são banidas. O dissidente comunista vê como uma "infantilidade" o modo "como se continuam a usar esses métodos", que se revelaram "ineficazes na luta pelo socialismo".
Há mesmo, no entender do ex-líder parlamentar do PCP e uma das figuras mais destacadas no partido nos tempos de Cunhal, uma "incapacidade real" de o PCP "lidar com a sua história e de compreender que outros podem escrever" sobre o PCP. "Era natural que eu aparecesse", tanto no livro como na fotobiografia, considera Brito. Sobre o momento em que vai receber Cunhal ao aeroporto, em 1974, Soares tinha já admitido, na biografia escrita por Joaquim Vieira, estar "desconfiado": "

À saída do aeroporto estava uma pequena multidão à espera de Cunhal. E, paradoxalmente, havia um tanque estacionado. (...) Um dirigente comunista, que não recordo quem fosse, convidou-me a subir para o tanque (...). Quando Cunhal se apercebeu de que eu estava ao lado dele, disse qualquer coisa a um camarada, o qual, pouco depois, me pediu para descer, porque - disse - tinha havido um equívoco", lê-se no livro "Mário Soares, uma vida".

O jornal  tentou obter uma posição do PCP sobre este assunto, mas até ao fecho da edição ninguém se mostrou disponível.

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