BANCADA DIRECTA: O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos apresenta a sua rubrica “No Palco da Saudade” e recorda hoje aquele que foi um galã do cinema português de seu nome Virgílio Teixeira

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos apresenta a sua rubrica “No Palco da Saudade” e recorda hoje aquele que foi um galã do cinema português de seu nome Virgílio Teixeira

In memoriam 
Virgílio Teixeira, de seu nome completo Virgílio Delgado Teixeira, nasceu no Funchal. Ilha da Madeira em 26 de Outubro de 1917 e faleceu nesta mesma cidade, no Hospital João de Almada, devido a uma crise respiratória, em 5 de Dezembro de 2010. 

Foi um grande actor do nosso Cinema Português, do Teatro  e da Televisão. 

O Teatro no Bancada Directa. 
Salvador Santos apresenta a sua rubrica “No Palco da Saudade” e recorda hoje aquele que foi um galã do cinema português de seu nome Virgílio Teixeira 

“No Palco da Saudade” Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto) 
VIRGÍLIO TEIXEIRA 

Não era um actor de grandes recursos interpretativos, mas conquistou um estatuto internacional invulgar no cinema. 

Começou a filmar em Portugal, mas foi a notoriedade atingida em Espanha que o levou até Hollywood, onde contracenou com alguns dos maiores nomes da meca do cinema, como Rita Hayworth, Sophia Loren, Rex Harrison e Yul Brynner, entre muitos outros. “Alexandre, o Grande” de Robert Rossen e “Doutor Jivago” de David Lean, foram os filmes que lhe granjearam maior projeção internacional. Mas a sua participação nas megaproduções “Os Sete Magníficos” e “A Queda do Império Romano” também foram em parte responsáveis pelo grande prestígio por ele alcançado além-fronteiras, nomeadamente em países como França e Itália. 
A primeira grande paixão de Virgílio Teixeira foi o desporto, onde chegou a atingir resultados de relevo, sobretudo na natação, no futebol e no ténis. Na natação, conseguiu por duas vezes o título de campeão nacional de saltos acrobáticos. No futebol, foi guarda-redes na equipa principal do Sporting Clube da Madeira, depois de ter integrado o plantel do Marítimo Sport Clube, ao serviço do qual conseguiu a internacionalização num confronto com a selecção das Ilhas Canárias. 

No ténis, ele não só conquistou algumas provas importantes, como teve oportunidade de disputar torneios com grandes astros do cinema, como Douglas Montgomery, June Clyde, Mary Maguire, June Knight ou Dolores del Rio, que espicaçaram a sua tentação pela sétima arte. Já antes Jorge Brum do Canto, quando estivera na Ilha do Porto Santo a rodar “A Canção da Terra”, quis despertar em Virgílio Teixeira o gosto pelo cinema. A sua bela figura de galã justificara o convite do realizador para uma breve participação no filme em rodagem, mas nessa altura o jovem tinha outros sonhos para o seu futuro. 
Porém, o convívio com os astros e a recorrente pergunta «porque não experimenta o cinema?», fizeram-no pegar nas malas e zarpar até ao continente anos mais tarde. Mas não foi nada fácil a vida em Lisboa. Apesar dos muitos contactos feitos previamente com gente do cinema, o jovem só conseguiu uma oportunidade para testar a sua vocação cinco meses depois de ter chegado à capital. Foi o realizador Armando Miranda quem lhe valeu. 

O jovem Virgílio Teixeira já andava desesperado. Não saía do Café Palladium, nos Restauradores, onde dissera que o podiam encontrar. E foi aí, à porta daquele histórico café lisboeta, lugar de artistas, boémios e nómadas, que chegou a proposta para fazer “Ave de Arribação”, um drama passado na costa algarvia. Ainda antes da estreia deste filme, surgiu o convite para uma pequena participação na comédia “O Costa do Castelo” de Arthur Duarte, onde conviveu com Fernando Curado Ribeiro, de quem se tornou grande amigo. 
No ano seguinte teve a sua prova de fogo: “Zé do Telhado”, de Armando Miranda, filme onde encarnou o famoso salteador do século XIX e que o tornou num dos galãs mais populares do cinema português, a par de António Vilar. Após o estrondoso êxito daquele filme, Virgílio Teixeira foi convidado para participar em três produções em Madrid: “Cero en Conducta”, “La Mantilla de Beatriz” e “Reina Santa”. Era o início de uma frutuosa relação com várias produtoras espanholas, que se manteria por mais de vinte anos, alternando com filmagens em Portugal, Itália, França e Estados Unidos. 

Em Espanha fez mais tarde “El Verdugo” e “Agustina de Aragón”, entre um conjunto de cinquenta filmes, contracenando com grandes nomes da cinematografia mundial, como Richard Burton, Frederic March, Julie Christie, Omar Sharif, Alec Guinness, Charlton Heston, Christopher Plummer ou Gina Lollobrigida. Apesar de ter participado em quinze filmes americanos, apenas três deles foram rodados em terras de Tio Sam, onde Virgílio Teixeira era carinhosamente tratado por Tex nas relações com os colegas de plateau. As restantes produções com a marca de Hollywood foram rodadas em França, Itália, Espanha e Reino Unido. 
The Sign of the Zorro. 1963

E a passagem por Londres ficou marcada pela sua excelente interpretação em “The Boy Who Stole a Million”, realizado por Charles Crichton, o único filme de produção estrangeira até então que teve como protagonista absoluto um artista de nacionalidade portuguesa. Em Portugal participou ao todo em 25 filmes, entre os quais se destacam “Vendaval”, “ “Ribatejo” e… “Fado, História de uma Cantadeira”, onde contracenou com Amália Rodrigues de quem ficou amigo para sempre. 

Aos cinquenta anos de idade, Virgílio Teixeira regressou à sua Madeira com o propósito de não voltar a representar. Mas dezasseis anos depois não resistiu a convites de realizadores amigos. Foram os casos de Barbet Schroeder, Quirino Simões e José Fonseca e Costa que o desafiaram a participar em “Os Batoteiros”, “Eternidade” e “A Mulher do Próximo”, respectivamente, filmes que acabariam por ser responsáveis por outras experiências que se lhes seguiram. 
A telenovela “Chuva na Areia” e as séries televisivas “Hotel Bon Séjour” e “A Casa da Saudade” foram os últimos trabalhos de Virgílio Teixeira como actor, que se refugiou depois definitivamente na sua ilha natal, onde viria a falecer com a bonita idade de 93 anos. Diz quem o viu dias antes que continuava a ser um homem bonito e charmoso, de grande elegância e simpatia, muito feliz com tudo o que a vida lhe deu. 

Salvador Santos 
Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2013. Agosto. 19

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