BANCADA DIRECTA: E digam lá meus caros leitores, se os portugueses não são o melhor povo do mundo. O Gaspar podia ter falhado todas as suas previsões mas neste aspecto não se enganou em afirmar “que somos o melhor povo do mundo”!.....

domingo, 30 de junho de 2013

E digam lá meus caros leitores, se os portugueses não são o melhor povo do mundo. O Gaspar podia ter falhado todas as suas previsões mas neste aspecto não se enganou em afirmar “que somos o melhor povo do mundo”!.....

E digam lá meus caros leitores, se os portugueses não são o melhor povo do mundo.
O Gaspar podia ter falhado todas as suas previsões mas neste aspecto não se enganou em afirmar “que somos o melhor povo do mundo”!..... 

 "O MELHOR POVO DO MUNDO" 


Tive um subalterno que para além de ser um óptimo trabalhador era do tipo “rezingão” com tudo o que não fosse trabalho. Não me fazia a vida negra, mas eu evitava contrariá-lo. Não me atacava pessoalmente mas os seus colegas viam-se negros com ele. Censurava asperamente todos aqueles que aceitavam pacificamente as regras das suas funções.

Havia aqui um contraste de comportamentos, porque enquanto ele cumpria a preceito não queria que os colegas fossem “cordeirinhos”. Tinha uma frase que hoje ainda recordo: dizia ele que “os portugueses não tinham sangue nas veias mas sim capilé” Adoecia frequentemente e tinha pena dele. Visitei-o varias vezes na sua casa, que era para os lados da Estação de Campolide, na parte baixa do Bairro da Liberdade..

Não entrando nas virtudes do capilé português tenho a presunção de que esta frase do capilé se aplica nos dias de hoje a muito boa gente. Eu acrescentaria, que podem não ter capilé no sangue os portugueses, mas têm uma coisa muito significativa: o sentimento da inveja


Os portugueses, em geral, têm inúmeras virtudes. Muitos há, porém, que têm também grandes e nocivos defeitos.
Custa-me dizê-lo, mas há verdades amargas e incómodas que têm de ser ditas. Sobretudo no momento actual, em que vivemos sob a pata de um governo que é exímio em explorar esses defeitos em seu proveito. Refiro-me, por exemplo, ao conformismo, a uma certa curteza de vistas, e à inveja. Muitos trabalhadores que ganham o salário mínimo, que o governo não deixa aumentar nem sequer para compensar a inflação, conformam-se com a sua situação, a ponto de considerarem que essa é a situação normal e que os que ganham um pouco mais são uns privilegiados. E têm inveja. Mas não têm inveja dos banqueiros que ganham obscenos milhões. Têm inveja do vizinho do lado que ganha 600 euros.


E em vez de se revoltarem contra o governo que não deixa que o seu salário aumente, revoltam-se contra o vizinho e acham muito bem que o governo lhe carregue nos impostos. E ficam muito contentes se souberem que os vizinhos estão atrasados nas prestações do automóvel, da prestação da casa e de outras despesas correntes normais Por sua vez, este que ganha 600 euros, rodeado de vizinhos que só ganham o salário mínimo ou estão desempregados, considera-se rico e irmana-se com os Espírito Santos e os Ulrichs, pensando que são do seu extracto social e , portanto, vota na direita como eles, claro!.

Depois há aquele cidadão que tem um vencimento jeitoso complementado com o do cônjuge. E lá aparece um casal com dois automóveis, casa ou vivenda a preceito, restaurantes por tudo e por nada, cafés, tabaco, e outras despesas certas mensais e mordomias vulgares. E assim aparecem os endividados E por cima surgem nas Televisões a lamentarem-se da crise que os estrangula. E depois lá aparece a Jonet a dizer que os portugueses só queriam e estavam habituados a comerem bifes do lombo.

Depois há o trabalhador por conta de outrem que vive essencialmente do seu salário, mas tem uma leirita de terra onde cultiva, com enorme trabalho, umas batatas que lhe saem quase tão caras como se as comprasse no supermercado. Mas é proprietário, torna-se acérrimo defensor da propriedade privada, pensando e votando como um latifundiário alentejano.

Numa coisa, porém, toda esta gente está de acordo: em vociferar contra os desempregados que recebem o seu magro subsídio e, acima de tudo, contra os que auferem o rendimento mínimo, considerando-os a causa de todos os males do País. Só assim se compreende que a direita ganhe eleições e nas sondagens não desça tanto como seria de esperar tendo em conta as suas desastradas e desastrosas políticas.


Assim se compreende também que o Gaspar diga que “os portugueses são o melhor povo do mundo”. É triste, mas é verdade. 


 (partes do texto é do “Ponte Europa”)

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