BANCADA DIRECTA: Será que Portugal vai mesmo a caminho de um colapso global? Vamos esperar para ver, agora com a certeza de que da parte do PS não haverá consenso na manutenção desta politica de austeridade

sábado, 20 de abril de 2013

Será que Portugal vai mesmo a caminho de um colapso global? Vamos esperar para ver, agora com a certeza de que da parte do PS não haverá consenso na manutenção desta politica de austeridade

Será que Portugal vai mesmo a caminho de um colapso global? 
Vamos esperar para ver, agora com a certeza de que da parte do PS não haverá consenso na manutenção desta politica de austeridade

A reafirmação pelo Governo das políticas que vinha seguindo e o anúncio ameaçador do seu agravamento na sequência da decisão do Tribunal Constitucional bem como a confirmação de que o PS não tem nenhuma política verdadeiramente alternativa colocam Portugal numa situação muito difícil e de desfecho imprevisível. A crise, aparentemente sem saída, em que o país se encontra não está apenas patente no plano económico, financeiro e social, está também muitíssimo presente no plano puramente institucional.
Antes de mais Portugal não tem um governo seu. Portugal tem um governo ao serviço de interesses estrangeiros, inclusive com representantes desses interesses em lugares chave da governação, o qual, com excepção do apoio que lhe presta uma matilha de comentadores mercenariamente a soldo desses mesmos interesses, não goza da mínima aceitação popular nem tão-pouco a generalidade dos cidadãos acredita na sua capacidade para atenuar a crise, sendo antes convicção corrente a de que a situação portuguesa se agravará tanto mais quanto mais dilatada for a sua permanência em funções.

Por outro lado, o Governo abriu um grave querela institucional com o Tribunal Constitucional, fazendo recair sobre este, demagógica e desonestamente, as funestas consequências das suas políticas. Colocando-se em conflito aberto com o órgão encarregado de velar pelo cumprimento da Constituição e tentando assim impedir o regular funcionamento das instituições, o Governo deu de facto um passo sem recuo no sentido de uma governação à margem das instituições.


Mais grave ainda é a actuação conjugada do Governo com os inimigos externos de Portugal e dos portugueses num crescendo de ameaças e de pressões absolutamente inaceitáveis e que nenhum Estado por mais fraco que seja pode aceitar, mesmo quando posto perante um ameaça militar iminente. Do lado do Presidente da República também nada se poderá esperar com vista à reposição da normalidade democrática não apenas por Cavaco Silva se encontrar politicamente envolvido com as opções do governo, mas também por neste preciso momento histórico, para azar e infelicidade dos portugueses, a Presidência da República estar ocupada por uma personalidade que em décadas de vida pública nunca demonstrou uma genuína compreensão dos valores democráticos.

Hoje, para os portugueses, o Presidente da República é um problema mais grave do que o próprio Governo, já que a permanência em funções de Cavaco Silva garante ao Governo via aberta para continuar a destruir Portugal durante os próximos dois anos. Cavaco Silva, uma personalidade votada à defesa de interesses menores, de natureza pessoal ou institucional, não está à altura do lugar nem tem a grandeza política necessária que o momento exigia, o que faz com que neste tempo trágico da vida dos portugueses não haja uma forte voz institucional que lute contra a governação de Portugal a partir do estrangeiro e frontalmente se oponha à humilhação de um país que nunca precisou de se hipotecar à Europa para existir e que continuará a existir sem ela, ou mesmo contra ela, se os portugueses estiverem à altura das circunstâncias.

E estar à altura das circunstâncias é antes de mais lutar sem tréguas contra o colaboracionismo dos banqueiros, do grande capital monopolista e oligopolista e acima de tudo contra aqueles que ocupando lugares cimeiros do Estado colaboram no plano institucional na destruição do país. Portugal tem saída e a primeira saída que Portugal muito rapidamente vai ter que pôr na ordem do dia é a saída do euro. Essa luta, que aqui se tem vindo a travar há mais de dois anos por há muito se ter tornado evidente não ser possível qualquer solução para a situação portuguesa no contexto da moeda única, precisa de ser aprofundada não quanto ao resultado final – a saída é inevitável- mas quanto ao tempo certo e ao modo de o fazer. Quanto mais tempo Portugal permanecer nesta situação catastrófica em que se encontra, cujo agravamento tende a acelerar-se com a passagem do tempo, pior será o modo de o fazer.

Se o PS não aderir muito rapidamente a uma posição que admita que a recusa europeia a uma política verdadeiramente alternativa tem como consequência inevitável a saída do euro, o mais certo é que essa saída venha a ocorrer à margem das instituições existentes. Infelizmente, pelas razões aqui tantas vezes apontadas, o PS dificilmente trilhará esse caminho não apenas por a “Europa connosco” fazer parte do seu código genético, mas também por a defesa do euro corresponder ao tipo de mentalidade e interesses dominantes no seio e na clientela do partido. De facto, além da orfandade que atingiria o partido se advogasse a saída do euro, a sua defesa está em consonância com o tipo de interesses que o PS representa. 

Os interesses da pequena burguesia urbana ainda relativamente imune à crise que encontra no euro a possibilidade de “fazer coisas” que com outra moeda não poderia fazer ou não poderia fazer com a regularidade com que o faz. Obviamente que a saída do euro não traz qualquer problema para quem não tem euros, como também não trará dentro de um prazo razoável, depois das naturais oscilações iniciais, para os trabalhadores por conta de outrem e até para os reformados. O mesmo se diga relativamente à maior parte dos empresários, com excepção daqueles que ao longo destes últimos quinze anos têm vindo a agravar o défice da balança de bens e serviços com compras desregradas de produtos estrangeiros, endividando perigosamente o país. Mais complexa é a situação dos bancos que carece de uma resposta técnica e politicamente correcta norteada acima de tudo pelo interesse nacional rectamente entendido.

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