BANCADA DIRECTA: Dezembro 2012

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os meus desejos para 2013 para todos são simples:
Vivam felizes cada dia que passam, uma vez que nunca mais terão os mesmos momentos novamente, nas mesmas circunstancias, no tempo que ocorrem!

Procurem em vós o caminho da felicidade, antes de encontrarem nos outros os vossos desejos e sucessos, pois cada um de nós é diferente em sua existência e essência, uma vez que todos temos trajectos próprios e diferentes caminhos a percorrer, conforme os seus actos passados, vivência presente para ter um futuro mais Próspero e mais Feliz...

Saúde, Paz e muita Alegria....

Bom Ano 2013 para Todos!

Pedro Sousa e Adriano Ribeiro

É este genero de pessoas que me enchem o coração.

Quanto mais conheço os homens mais gosto dos animais.
Ser-se solidário com estes gatos é uma prova de amor por seres indefesos e que não têm um lar que os abrigue e lhes dê de comer.
Bonito gesto o desta senhora. Bem haja!

Assim seja, mas duvidamos desta premissa.


A maior idiotice de 2012. Lamentável haver gente que pensa desta maneira........


domingo, 30 de dezembro de 2012

O Detective Tempicos e os seus amigos atacaram no Caribbe, mas já regressaram! Não se pode dizer que se deram lá muito bem, pois estiveram no “chilindró” na Ilha de Trinidad. Mas nem tudo foi mau! Agora já convivem nos Baldaques do Alto do Pina. Tempicos é que anda escondido na cave do edifício, consolado amiúde pelo cónego Novena. Espiritualmente, claro!

O Detective Tempicos e os seus amigos atacaram no Caribbe, mas já regressaram! 
Não se pode dizer que se deram lá muito bem, pois estiveram no “chilindró” na Ilha de Trinidad. 
Mas nem tudo foi mau! 
Agora já convivem em Lisboa nos Baldaques do Alto do Pina. 
Tempicos é que anda escondido na cave do edifício, consolado amiúde pelo cónego Novena. Espiritualmente, claro! 

SAGA PORTUGUESA 
CAPÍTULO 10 – EPÍLOGO 
Da autoria de Tempicos 

 A existência do barco do irmão gémeo do Sargento Estrela foi mais uma brincadeira de mau gosto, e o Carnaval ainda vinha longe. Era pura mentira. Não havia barco nem coisa nenhuma e o pessoal não gostou. Como era costume começou tudo à batatada. O mano gémeo foi corrido à pedrada e ainda sobrou um olho negro para o original. Dizia o Gustavito com o seu mordaz sentido de humor:- O Estrela ficou com um olho estrelado. Boa pinta ! Andava a pedi-las! 

Apesar de curta ainda foi uma boa estadia nesta Ilha da Trinidad. Pior, pior, foi a recepção que tiveram pois a policia arrecadou-os de imediato.

Ficaram apeados. Mais uma vez voltou tudo à estaca zero. Mais uma cambalhota no rumo da nossa história. Como diria o homem que comanda o caroussel – mais uma viagem! Quem não estava a gostar do rumo dos acontecimentos era o cónego Novena. Para ele era mais confessionários  hosteas e opas. Calmarias .E umas “beatas” para entreter o vício. (aqui o termo beata leia-se como ambivalente) 

Reinava a confusão e todos andavam de nervos à flor da pele. Para que tudo ficasse nos conformes o Sargento Estrela teve que ir comprar bilhetes de avião “ low cost “ para Trinidad. Tudo à conta dele! Foi o castigo que lhe atribuíram. Na verdade de Santa Lucia para Trinidad – de avião – são dez minutos. É ali pertinho e num dia sem nevoeiro vê-se a outra ilha. Mesmo um amblíope vê perfeitamente, com algum esforço, mas vê. Só não vê quem não quer ver. 

Gustavito nos últimos tempos entretinha-se a dar de comer aos roazes caribenhos. Pagava desta maneira o mal que tinha feito aos turinos

Os nossos heróis, mais uma vez, mudavam de rumo para tentar sobreviver no meio desta selva em que estavam metidos. O voo não demorou nada mas como era habitual não havia cadeiras (falta de verba) e toda a gente ia agarrada ao cordame que corria o avião do cockpit à traseira. Como o avião não subia quase nada as janelas estavam abertas e era permitido fumar. Erva inclusivé .Um verdadeiro descapotável. Cá em baixo viam-se cardumes de peixes tropicais num mar azul transparente. 

 Numa das janelas Buenavida vomitava enjoado, agarrado por Clorianus que receava que a carga fosse ao mar da garganta do outro e que com ela fosse o próprio… Na subida e depois a poisar era mais difícil aguentar o pessoal agarrado ao cordame e quem não se aguentava escorregava e ia para cima do parceiro seguinte. Novena tinha um medo terrível de andar de avião e resolvera agarrar-se a Gustavito que começava a desconfiar das intimidades e do latim do padreca. - Olha-me este…- murmurava aflito. 

Buena Vida e Ginjinharnes voltariam dentro em breve a entusiasmar com as suas danças as noites do Clube Musical União. Ele o Salvattore e ela a Arnesinha dos nossos corações

Tempicos não achava mal a brincadeira pois tinha pela frente Ginjinharnes e no dorso a atlética Jeremias. Pela frente não vinha problema pois a Ginjinharnes era levezinha e fofinha mas nos costados podia surgir uma afiada seringa onde menos se esperaria. Normalmente era nas nalgas ( o mesmo que nádegas, para quem não saiba de cus) que ela se especializara a espetar. Vícios de um longínquo curso de enfermagem. Não era a primeira vez que Jeremias, sabe-se lá porque carga de água, gostava de picar a bunda do Tempicos que com a brincadeira mais parecia um passador. 

Tempicos garantia:- Esta mulher tira-me do sério. A minha base de alcofa até já parece um assador de castanhas. Carago! Mais empurrão menos empurrão e lá estavam eles todos a aterrar no aeroporto ( que mais parecia um campo lavrado) na Ilha de Trinidad. O que eles não sabiam é que a polícia local estava à espera e foram mais uma vez todos “dentro”. Confiscaram-lhe os bens, as maletas com a “massa”. Explicaram-lhes depois que tinham um mandado da Interpol para os prender e remeter (a exemplo do Vale e Azevedo) para Portugal que entretanto já era uma província da Alemanha e a era governado por uma senhora loira. 


Ao chegarem ao Aeroporto do Figo maduro (o outro já fora fechado por falta de tráfego) foram-lhes colocados a todos os nossos heróis uma pulseira e deixaram-nos à porta do edifício onde moraram em tempos nas Escadinhas dos Baldaques. Fixaram-lhes residência. O drama é que a casa apesar de grande não chegava para todos. Valeu-lhes a generosidade da Gijinharnes cedendo o seu quarto e a própria cama ao Novena, pensando ela que dali não viria mal ao mundo e para ela que era pequenina um cantinho da cama servia. Pelos vistos enganou-se. Mas aqui também teve a sua vantagem. Naquela cama se houvesse pecados lá estaria Novena para os eliminar. 
Jeremias, a nossa enfermeira de serviço pessoal, estava pronta a "seringar as nalgas dos seus condóminos

No quarto de Jeremias ficaram Buenavida e Gustavito. O pessoal estranhou as facilidades dadas pela “seringueira”. Mas de onde menos se espera é que as coisas acontecem. Ela um dia confessou: Ciganos e toureiros faziam-lhe a cabeça e por muito que o prestígio e os costumes não aprovassem, a carne é fraca e em tempos de guerra não se limpam espingardas. Costumava afirmar a título de brincadeira ao neófito Sargento Estrela: - Antes ciganos e toureiros do que políticos mariconsos. E repetia: mais vale dois pássaros na mão do que um bando a voar. E o Sargento Estrela respondia-lhe: Madame, a seringa é sua, pique em quem deixar que não a mim que não deixo… 
Enquanto o Detective Tempicos se isolava numa cave, o Cónego Novena meditava no Jardim da Nêspera  ali no cimo da Rua Sabino de Sousa

Tempicos não entrou naquelas trocas e baldrocas e resolveu ir para a cave. Era húmida e sombria mas estava desobrigado. Que diabo um homem não é de ferro e nele a idade já pesava. Os comprimidos já não faziam grandes reacções. Ou se faziam eram de espoleta retardada. Mas sob a desculpa do afastamento, algo sucedia naquela cave. Viemos a saber depois que a Kátinha o ia visitar e levar-lhe o jornal Publico ao domingo. Ao menos tinha que se entreter com os problemas policiários e dava descanso ao corpo. Dizia ele mas ninguém acreditava. 

 FIM 


Lisboa. 2012. Dezembro. 30 ( do interior de uma cave escura)

Detective Tempicos (um vosso criado e sempre ao vosso dispor)

sábado, 29 de dezembro de 2012

A chuva começou a dar tréguas e os nossos sonhos continuam a existir dentro de nós. Não fosse esta maldita crise que nos aflige e estes governantes incompetentes que nos sugam até ao tutano, seria uma benesse esta chuva intensa e devastadora.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Londres Dezembro 2012. Bilhete Postal. Frio, chuva que se farta, nevoeiro. Viver aqui nem pensar!.......

Realmente os londrinos podem gostar muito da sua terra e da sua condição económica. Mas viver nesta cidade dá cá um sofrimento....

Pergunto, e fiquei na duvida, se o Sol faz parte da vida dos londrinos?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro” diz de sua justiça. Para eles quando a “coisa” corre bem e as tetas dão muito leitinho, andam muito caladinhos e esfregam as mãozinhas de contentes. Mas quando as tetas começam a secar é só lamentações “às paletes”!

Fragmentos e Opiniões. 
O nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro” diz de sua justiça. 
Para eles quando a “coisa” corre bem e as tetas dão muito leitinho, andam muito caladinhos e esfregam as mãozinhas de contentes. 
Mas quando as tetas começam a secar é só lamentações “às paletes”! 

OS GRANDES PENSADORES 

 1. JOE BERARDO 


Queixa-se este ilustre conterrâneo que o governo está a tirar o dinheiro aos ricos. O que se passa caríssimo Joe é que o governo já tirou tudo aos pobres e continua com fome de dinheiro. Sempre esfomeado. Não terá outro remédio senão ir agora tirar o dinheiro aos ricos para mal dos nossos pecados. Mas não vai ter muita sorte. 

Tal como o Joe, eu e outros endinheirados amigos já estamos a salvo. Enviámos todos os activos para os off-shores, tendo cá deixado os passivos para os que por cá ficarem. Os “buracos” do BPN são um bom exemplo. Aliás, por este andar duvido que por cá ficará alguém dos nossos. 

Os ricos “piram-se” e os pobres ficam por conta da Isabel Jonet. Difícil é levar os bens de raiz. As terras e os monumentos. Mas as obras de arte facilmente transportáveis vão todas – aliás estão a ir. Os ricos precisam de cash para as pequenas coisas – para aos pequenos prazeres. Os pobres, felizmente para eles não tem necessidades. 

Não precisam ler um livro ou assistir a uma ópera. Basta-lhes uma sopa – caldosa. Sempre foram analfabetos e assim continuarão com a paz dos anjos. Verdadeiramente só os ricos precisam de dinheiro porque eles é que o ganham e o gastam. Basta porem os pobres a trabalhar. A trabalhar para eles – claro. Meu caro Joe, deixe-se de aventuras e ponha os seus tostões (milhões) que eventualmente pediu à banca portuguesa e que eventualmente não irá reembolsar, ponha o seu “milho” longe dos pardais. Sabe onde é. Todos nós lá temos o nosso. Lá muito quentinho a salvo dos gaviões. 
Isto meu caro quem faz as leis (nós) garantimos que as temos sempre do nosso lado. Estes dirigentes europeus são muito honestos e muito democratas mas quando se fala em acabar com os “off-shores” eles sempre arranjam forma de dar uma desculpa esfarrapada. 

São nossos amigos. É o que eles são. É por isso que lhes pagamos bons ordenados na privada quando saem dos governos. É preciso tê-los na mão. Um dia a gente se vê nas Ilhas Caiman e vamos lá ao pub beber um copo. Pago eu. A vida é bela mas não pode ser para todos – sorry. 

Envio um grande abraço para os meus leitores e tenham um Ano Novo muito próspero 

“Olho Vivo e Pé Ligeiro” 
Lisboa. 2012. Dezembro. 26 

PS:- O facto de as grandes empresas portuguesas terem as sedes nos países de baixa cotação de impostos é a prova provada que quem paga impostos são os “coitadinhos”. O que me admira é este povo ser tão ingénuo, para não lhe chamar outra coisa. E para terminar viva a União Europeia que felizmente trata dos dinheiros e esquece as pessoas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal




Desejamos a todos os nossos amigos, familiares e visitantes um Feliz e Santo Natal repleto de Felicidades, de Amor e Paz.
Que neste Natal todos possam ser felizes, cada dia se regenerem e cresçam moralmente e espiritualmente, pois é só essa e somente essa a razão de todos existirmos, e pela única razão que Jesus deu a sua vida por nós!

Merry Christmas to everyone with Happiness, Peace and Love.

Remember: We are the reason that Jesus came and lived, suffered and gave his life for us!...

São os desejos de Pedro Sousa e Adriano Ribeiro



 



"Ama a Deus, servindo aos semelhantes, por amor,
sem distinção de pessoas.
Faz o bem como estiveres,
onde estejas e tanto quanto possas,
na paz da consciência tranquila.
Nisso reside a essência das Leis Divinas.
O resto é interpretação."


Chico Xavier



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Nesta quadra natalicia desejamos aos nossos amigos leitores que tenham um Santo Natal junto dos entes queridos. E que não esqueçam os seus amigos. Pela nossa parte vamos fazer uma pequena paragem até ao fim do ano.

 

Pois é! Esta quadra natalícia obriga-nos a visitar as pessoas que tocam o nosso coração. 

E como estão longe essas pessoas as viagens são sempre necessárias para o contacto presencial. De Sintra dou já um salto a Fuengirola. 

A noite de Natal será passada junto da família na casa de Azeitão. 

Nos dias a seguir estarei perto de Santarém. Regresso no final do ano e retomarei o contacto com os nossos leitores. 

Então tenham todos um Santo Natal, com votos expressos para o amigo Pedro Sousa de que tudo lhe corra bem e que ele e a sua família tenham toda a felicidade deste mundo

Estes votos são também para os nossos colaboradores actuantes António Raposo, Luís Pessoa e Salvador Santos

PS: na próxima quarta -feira ainda teremos a rubrica "No Palco da Saudade" (2012.12.19), regressando depois no dia 2 de Janeiro de 2013 . Antes teremos "A Saga Portuguesa". (2012.12.18)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Teatro no Bancada Directa. Apresentamos a rubrica semanal de Salvador Santos “No Palco da Saudade”. Hoje recorda-se aquela figura que foi Emília Eduarda

In memoriam
Emília Eduarda foi uma grande actriz do nosso Teatro. Foi também escritora e poetisa de relevo
Nasceu em Lisboa em 1 de Janeiro de 1845 e faleceu no Porto, nas condições descritas neste texto por Salvador Santos, em 29 de Fevereiro de 1908
O Teatro no Bancada Directa. 
Apresentamos a rubrica semanal de Salvador Santos “No Palco da Saudade”.
Hoje recorda-se aquela figura que foi Emília Eduarda 

No Palco da Saudade

Texto inédito e integral de Salvador Santos
EMÍLIA EDUARDA

Tudo na vida lhe aconteceu precocemente. Casou-se aos treze anos, iniciou-se no teatro amador com apenas catorze e ficou viúva aos dezasseis. O grande actor Taborda viu-a uma noite representar no grupo amador do Teatro Tupsicore, em Lisboa, apreciou o seu talento e levou-a para o Teatro Ginásio, onde ela se estreou profissionalmente em 1861, com pouco mais de dezasseis anos, na peça “A Mulher deve Acompanhar seu Marido”, «título nada recomendável na circunstância da sua viuvez de poucos meses» – sublinhou alguma imprensa, explorando de forma muito pouco simpática o seu luto.





Mas Emília Eduarda não se deixou abater por esta brincadeira mórbida. Ela era uma mulher inteligente e extremamente culta, dotada de um grande sentido de humor, por vezes muito mordaz, e face ao trocadilho pouco elegante feito com o título da peça, terá dito: «Eu não me vou embora. Vim para ficar!». Formosa, alegre e altamente espirituosa, Emília Eduarda era aquilo a que hoje se pode chamar uma excelente contadora de estórias.

Era capaz de agarrar as mais diversas tertúlias da época com os seus ditos engraçados, narrando um sem número de historietas em que era ela quase sempre a protagonista. Da mesma forma ela era assim no palco, para onde transportava o seu espírito irrequieto, festivo e brejeiro. E sabia dizer as coisas mais divertidas, e até por vezes escabrosas, como ninguém. A frase mais brejeira brotava da sua boca cheia de uma vivacidade e de um colorido espantosos, sem que, no entanto, a sua fisionomia se movesse e a sua voz deixasse de ser a mais natural do mundo.



Cidade do Porto. Cemitério de Agramonte. Túmulo de Emília Eduarda

E Emília Eduarda tinha de resto uma dicção irrepreensível, que se tornou famosa na sua época e serviu também de modelo para muitas das actrizes de então. Emília Eduarda começou por construir uma magnífica carreira na cidade de Lisboa, representando algum do melhor repertório levado a cena nos teatros das Variedades, do Príncipe Real, da Rua dos Condes e do Ginásio, de cuja companhia saiu para uma digressão aos Açores organizada pelo empresário nortenho António Moutinho de Sousa.

No regresso, e a convite daquele empresário, a atriz fez escala na cidade do Porto para uma breve temporada no Teatro Baquet, acabando por se enamorar da Invicta e das suas gentes. Por aqui fez farsa, drama, comédia, opereta e revista, sempre com grande sucesso, acabando também por se apaixonar por um bem instalado comerciante portuense, com quem acabará por casar, o que contribuirá para se fixar no norte. Mas esta mudança não impediu que a atriz prosseguisse a sua carreira noutras latitudes.


Emília Eduarda não deixou nunca de representar em Lisboa, quer apresentando espetáculos de sua produção própria, quer integrando temporariamente o elenco de companhias de teatro da capital, da mesma forma que realizou com alguma regularidade digressões pelo interior do país e por terras do Brasil. Mas é no Porto, onde rapidamente se tornara na mais prestigiada e amada atriz do público daquela cidade, que ela permanecerá o resto da sua vida, representando, dirigindo, produzindo e escrevendo peças dos mais diversos géneros teatrais.

Actor Taborda foi quem descobriu o talento de Emília Eduarda para a arte de Talma

Ela teve inclusivamente a ousadia de ser a primeira mulher a escrever uma revista à portuguesa, numa altura em que o Porto limitava-se a receber as revistas estreadas em Lisboa, que se apresentavam no norte com algumas pequenas adaptações tendentes a relacionar-se com os acontecimentos locais. “Cartas na Mesa” e “Diabo a Quatro”, as duas revistas de sua autoria, escritas e estreadas no Porto entre 1886 e 1889, foram autênticas pedradas no charco.


O seu sucesso como dramaturga foi no entanto muito mais evidente em outras peças produzidas pelo seu punho, como as comédias “O Sobrinho da América” e “Tripas à Revolução”, a sátira “O Processo d’El Rei Dinheiro” ou a opereta “Senhor e Senhora Diniz”. Para além do inquestionável interesse literário destas obras, a sua transposição para cena contribuiu também para aumentar o seu leque de grandes criações como atriz, que já fora manifestamente provado em espectáculos como “Teresa Raquin”, “A Boneca”, “O Testamento da Velha” ou “Médico à Força”, levados a cena, alternadamente e por esta ordem, nos portuenses teatros Baquet e Príncipe Real.

Emília Eduarda desempenhou com grande brilho a figura de Teresa Raquin, a personagem mais emblemática de Emile Zola

A sua imensa produção literária não se ficou apenas pelo género teatral. Ela traduziu romances e novelas, escreveu contos e poesia e colaborou com alguma regularidade em diversos jornais, com trabalhos em prosa e em verso. Emília Eduarda, que adoptou definitivamente a cidade do Porto como sua, escreveu um dia que gostava de morrer nela e de ter por mortalha uma capa de estudante. Os deuses do teatro fizeram-lhe a vontade. No ano bissexto de 1908, no último dia de Fevereiro, a atriz foi convidada para tomar parte num espetáculo em honra de uma Tuna Estudantil espanhola que chegara à cidade Invicta.

Rodeada pelos estudantes, com uma capa sobre os ombros, Emília Eduarda começou a recitar um poema que escrevera propositadamente para aquela ocasião, quando subitamente caiu fulminada por um ataque cardíaco.


Salvador Santos

Porto. 2012. Dezembro. 17

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Detective Tempicos, actualmente encenando a peça “Assassinaram o Pai Natal” e mais os seus amigos ainda continuam a atacar no Caribbe. Agora damos a vez ao espírito militar publicando o 9º episódio da autoria do Sargento Estrela. Titulo: As tripas marcham direitinhas como uma curva apertada”. Podia ser pior!


O Detective Tempicos, actualmente encenando a peça “Assassinaram o Pai Natal” e mais os seus amigos ainda continuam a atacar no Caribbe.

Agora damos a vez ao espírito militar publicando o 9º episódio da autoria do Sargento Estrela.

Titulo: As tripas marcham direitinhas como uma curva apertada”.


Podia ser pior! 


 “A Saga Portuguesa”

Capítulo -9
Autor- “Sargento Estrela” 

Kátinha começa então a falar para os ilustres tugas, mas nem começou sequer a orquestrar qualquer ideia e já estava a ser interrompida pelo Sargento Estrela que com o sotaque da Invicta e de modos bruscos se vira para a Kátinha e lhe diz. Cala-te ó melga, a mim não me «indróminas» *(1) tu. É só «parlapié» *(2) não me faças armar aqui «trinta e um» *(3) que estás a fazer- me saltar a «tampa» *(4) Kátinha entra num choro de bradar aos céus cai no chão a espernear dando um triste espetáculo parecia estar com o diabo, estava mesmo a pedir um exorcismo.

A rapaziada hospedada no hotel da Santa Cruz do Bispo até era bem comportada. Estas viaturas da GNR levam pessoal para darem aulas de formação moral aos rapazes.

Jeremias tremia como varas verdes. Não sabia que fazer, nem dizer. Gustavito diz que está à rasca para urinar . Já no avião Ginjinharnes não aguentava o «bolero» *(5) e na sua santa ignorância tinha pedido a uma das hospedeiras que lhe abrisse uma janela do avião, pois não aguentava o cheiro a urina de Gustavito. Ora esta não lhe passou «bilhete» *(6) e voltou para a marmelada mesmo ao lado do nosso amigo Tempicos, que vinha a fazer uma viagem em grande a modos de nem querer beber a sua garrafita de uísque coisa que normalmente fazia numa viagem de mais de quatro horas.

Mas desta vez esqueceu o medo de andar de avião tal era a pouca vergonha que ele e a hospedeira vinham a provocar na conturbada viagem. Mas voltemos à Kátinha que se espumava agora à «brava» *(7) originando a intervenção de Novena, que se preparava para fazer o exorcismo mesmo sem autorização das autoridades eclesiásticas superiores, e o malandro queria executar a tarefa sozinho mais a Kátinha. Mas eis que de «naifa» *(8) em punho Buena Vida que não é de modas se prepara para «afiambrar» *(9) Novena.


Vale-lhe a rápida intervenção de Tempicos que aos berros o manda parar e ao mesmo tempo é desarmado pelo Sargento Estrela homem duro que tinha estado na legião estrangeira e da qual estava já aposentado e que não era de cerimónias nestas andanças. Para não falar da fuga espectacular recente da prisa* (10) de Santa Cruz do Bispo depois duma manha de muito nevoeiro nos trabalhos comunitários na horta da cadeia, ele mais o Barata especialista em abrir tudo com suas gazuas, e Tino Maluco que só dava o «banhoso» *(11) em ourivesarias, e o nosso amigo Sargento Estrela que era mestre em falcatruas em bancos, finanças, imobiliárias e fazia às vezes uma perninha em conto do vigário, com o Pirata que não se evadiu por ter ido tomar a vacina do tétano nessa manhã e ter ficado com 40 de febre na enfermaria.

Gustavito andava meditabundo junto às aguas tranquilas de Santa Lucia. Lembrava-se das estocadas desferidas "en su sitio" nos toiros e aplaudidas pelas praças ao rubro

De Santa Cruz a Santa Lucía foi um tirinho. Mas regressemos à Kátinha que de olhos bem abertos e esbugalhados numa gritaria infernal virada para Tempicos em especial dizendo que era hoje que ia armar escândalo pois estava farta de andarem a passar privações com gente de ideias macabras e sem método de vida, só mania de grandezas e a trabalhar não se dispunham, só vida boémia. Queria mudar de vida. Tempicos ao seu estilo manda-a calar e diz que ela não está bem da cabeça e que ainda arranja a interna-la num manicómio de Santa Lucía.

Então é que caiu o Carmo e a Trindade, Kátinha virada para Tempicos e de uma forma mais que grosseira diz-lhe. 


-Vá diz-lhes a verdade SABES QUE SEI QUE SABES QUE EU SEI. 

-Não sabes do que falas.diz-lhe Tempicos a tremelicar de voz, quiçá com falta da bebida pois estavam sem dinheiro, as economias estavam nas malas e só o Sargento Estrela e Tempicos sabiam das notas agasalhadas nos malotes e não só….. 
- De que estás a falar? Responde-lhe Kátinha. -Cala-te pacóvia -diz Tempicos. Não me trate mal Tempicos que eu conto já, tudo que sei….Responde-lhe ela toda altiva e encrespada. Eis que de rompante entra pela sala dentro um indivíduo alto de estatura análogo à fisionomia de Sargento Estrela, míope também como ele, calvo exatamente,etc,etc,Podiamos dizer que era uma verdadeira fotocópia de Sargento Estrela.
O Sargento Estrela era um veterano da Legião Estrangeira. Nesta formatura ele é perfeitamente reconhecível na 2ª fila da direita

Envergava um fino fato de linho, que bem ligava com a bonita camisa cinza escuro de seda natural. Calçava uns sapatos brancos de verniz e na mão um panamá de alta qualidade. - Que se passa aqui Tempicos? Não há liderança no grupo? Que merda venha a ser esta? Disse o recém-chegado. Todos estavam patéticos a olhar para o outro Sargento Estrela que tinha acabado de chegar. Mas que cara igualzinha dizia a Ginjinharnes ainda com medo do que se iria passar. Jeremias não parava de limpar as lentes dos óculos de tanta semelhança do recém-chegado com o sargento.

Novena benzia-se desmesuradamente e dizia uma lenga-lenga em latim que ninguém percebia. Clorianus em voz trémula dizia que se matava. Adrianovich com a sua calma esboçava um sorriso triunfal. Buena Vida estava com a mão no bolso de trás, e, escusado será dizer que estava com a ponta e mola na mão, para o que fosse preciso.

O Sargento Estrela vai oferecer uma tripalhada a todos os nossos leitores que tiveram a paciência de seguir esta novela

Mas eis que Tempicos exclama: -O segredo é o seguinte. Eis a verdade. Como já verificaram o nosso recente hóspede é irmão gémeo do Sargento Estrela, mas agora vamos ao que interessa. Como devem compreender tal facto permitiu aos gémeos muitas falcatruas usando a sua particularidade de gémeos, mas isso depois, nas noites que teremos lá mais para diante de tertúlia vos contarei e eles também, alguns dos mais geniais golpes que deram na Lusitânia penhorada e a pão de pedir com tão eloquentes economistas, que desabrocharam na nossa jovem democracia. Agora vamos que se faz tarde preparem vossos haveres que vamos sair dentro de duas horas. 

-Ó mano para onde vamos afinal, sempre vamos para Cabo Verde para o hotel do teu amigo Dias? Pergunta o Sargento Estrela

-Cala-te, és sempre o mesmo, responde-lhe o mano. Já na escola primária sempre te amparava. Está mas é calado que estás ultrapassado na arte de viver do expediente, senão vais para a praia vender bolas de Berlim que a Angelita está a exportar para aqui. E continuando, vira-se agora para Tempicos
- Vou fumar uma ganza. Diz a estes morcões para onde escolhemos eu e tu ir nos próximos tempos viver, com o que está nas malas e mais o que eu gamei e desviei no banco da Lusitânia para os bancos das ilhas Trinidad. 
-Para a ilha? Exclamaram todos.-º
Sim, disse Tempicos. 
Neste iate de propriedade do mano do "Sorjas" vai realizar-se  a tripalhada para os nossos leitores. Vai ser ao largo das Berlengas. Inscrições, naturalmente, limitadas.

O iate do mano do Sargento Estrela está ao largo à nossa espera. E para começar uma primeira surpresa para todos. O mano do Estrela já mandou meter os papéis da malta toda para recebermos em Trinidad, o Rendimento Social de Inserção. E lá parece que é o triplo do de qualquer paíseco. Não precisaremos, mas é sempre mais algum. Já que os depósitos que temos, nos permitirão uma vida de lordes. -Que depósitos? pergunta Kátinha admirada -Cala-te Kátinha. Enquanto vocês quase todos descansavam, eu, o Sargento Estrela e o mano do sargento mantínhamos nos com os nossos contactos de Lisboa e era sempre a ensacar altas comissões para as nossas contas que nos esperam em Trinidad. 

Arranjem as malas que o mano e o Sargento Estrela vão trazer dois táxis para nos aproximamos à socapa e pela calada da noite da lancha rápida, que nos conduzirá ao iate que nos levará a essa bonita ilha de Trinidad. Depois vos contarei mais imbróglios desta nossa Saga, que vos omiti para bem do grupo. Aqui já deu o que tinha a dar.


E lá foram todos aos seus aposentos prepararem seus haveres para tão desejada viagem…………


Sargento Estrela

Porto. 2013. Dezembro.17

As tripas do Sargento Estrela descodificadas:*1-enganas *2-conversa *3-barulho, escândalo *4-perder a paciência *5-cheiro *6-não ligou importância *7-abundância *8-navalha *9-ferir, matar *10-prisão *11-Golpe,assalto

domingo, 16 de dezembro de 2012

O malabarista. Como é que um cidadão que não mora na capital portuguesa pode assegurar que dará o seu voto a determinado candidato a essa autarquia?

O malabarista.
Como é que um cidadão que não mora na capital portuguesa pode assegurar que dará o seu voto a determinado candidato à autarquia?. 

O homem enfrenta as câmaras de televisão sempre com um sorriso bonacheirão. Dá mostras de ter em todas as circunstancias mediáticas um rosto suave e cândido  melhor dizendo um ar angélico e sorrisos tão comuns aos anjos das pinturas da Idade Média e também do Renascimento. 

Pura ilusão. Tal falso este ar prazenteiro como o comportamento de Judas para com Jesus na fase difícil da sua vida.


É este o retrato virtual de Miguel Relvas, um dos mais influentes conselheiros do Passos 

Marcelo Rebelo de Sousa compara o apoio de Miguel Relvas a Fernando Seara como um "beijo da morte"!

Dou a palavra ao nosso amigo Dr Carlos Barbosa de Oliveira do “ Crónicas do Rochedo”. 

O mentiroso compulsivo

Miguel Relvas é um aldrabão convincente e convencido. Convencido, porque acredita que o seu apoio a Fernando Seara é uma mais valia para o candidato do PSD/CDS a Lisboa. Convincente, porque disse na universidade política do PSD ( Relvas adora Universidades virtuais ) que votaria em Fernando Seara para a câmara de Lisboa, sem que nenhum dos presentes o interpelasse sobre uma questão muito simples:


" Não sendo o senhor votante em Lisboa, como vai votar em Fernando Seara?" Como qualquer mentiroso compulsivo, Relvas já não distingue a realidade da ficção. Por isso convenceu-se que iria votar em Lisboa. Bem, há sempre uma hipótese... a de Relvas ter direito a tantos votos quanto os telemóveis que possui. 


Se assim for, ainda o vamos ouvir dizer que irá votar em Menezes no Porto. Qualquer coisa deve ter na manga este malabarista que enfrenta sempre as câmaras com um sorriso.


Como qualquer homem sério, honesto e de consciência tranquila.

sábado, 15 de dezembro de 2012

USA. O mundo para estes lados deve estar louco. Parece que os massacres viraram moda. Desta vez foi horrível com 28 vitimas mortais e 20 são crianças.

USA. 
O mundo para estes lados deve estar louco.
Parece que os massacres viraram moda. 
Desta vez foi horrível com 28 vitimas mortais e 20 são crianças. 

O horrível massacre ocorrido 6º. Feira numa escola primária do Estado de Connecticut causou (contabilizadas até ao momento) 27 vítimas (20 delas crianças). Trata-se de uma situação grave que parece estar a tornar-se recorrente.
Um longo e negro rosário ‘americano’ pesa sobre escolas sendo os acidentes mais relevantes os de Austin – 1966 (13 mortes), Paducah – 1997 (11 mortes), Littleton – 1999 (13 mortes) , Blacksburg - 2007 (32 mortes), etc. Washington sempre teve dificuldade em legislar sobre o porte de armas já que o uso de armas é uma ‘liberdade’ inscrita no texto constitucional.
A 2ª. Emenda Constitucional diz textualmente: "A well regulated militia being necessary to the security of a free State, the right of the People to keep and bear arms, shall not be infringed." Perante esta 'cascata' de massacres, absolutamente imprevisíveis e aparentemente incontroláveis, não basta chorar as vítimas, apoiar as suas famílias e colocar a bandeira a meia haste.

Este último massacre em Connecticut deverá ser a gota de água que leve – de imediato - o Congresso dos EUA a discutir a ‘liberdade de uso e porte de armas’ regulamentando e/ou restringindo este medieval ‘direito’. Se não for assim o Mundo julgará que nos EUA os legisladores derramam 'lágrimas de crocodilo' sobre quase 3 dezenas de cadáveres, barbaramente assassinados.
Obama chora pelas vitimas deste massacre. Mas a realidade é que ele ainda nada fez para alterar a Lei das armas no seu país.

Na verdade, nos tempos modernos, a segurança pessoal não pode depender de 'milícias' (bem ou mal reguladas!). A situação actual vivida nos EUA foi uma datada importação do direito anglo-saxónico e teve especial significado na epopeia da independência desta grande Nação. Hoje, não faz qualquer sentido. Em todo o Mundo civilizado, existe um severo controlo da posse de armas, mesmo para uso em situações de defesa pessoal.

Nos EUA continua a ser – em muitos Estados – um direito consagrado. Num Estado de Direito a segurança dos cidadãos é uma responsabilidade dos poderes públicos. 

Neste Sábado vamos lá a ver este espectáculo de magia. E se em relação a serem elementos do nosso Governo, se em vez de aparecerem começassem a desaparecer..

Translation: "In the town of Agra, capital of the Mughal empire in Northern India, lived in the 17 century a queen, and a very old gardener who took loving care of the fairy tale gardens of the Taj Mahal, a magnificent mausoleum of white marble, whose main entrance was guarded by two immense elephants."

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Quem sai aos seus não degenera! Este também já dá sinais de insensibilidade social. Líder da JSD quer acabar com saúde e educação grátis . E ainda está na fase de andar a colar cartazes!......

Quem sai aos seus não degenera!
Este também já dá sinais de insensibilidade social.
Líder da JSD quer acabar com saúde e educação grátis
O jornal i faz hoje manchete com o novo líder da JSD que quer acabar com a saúde e a educação "tendencialmente gratuitas". 


O futuro líder da JSD, Hugo Soares, defende o fim da educação e da saúde tendencialmente gratuitas em Portugal. A ideia foi defendida na moção "Cumprir Portugal" que, Hugo Soares, único candidato à liderança, vai levar ao congresso dos jovens social-democratas, que se inicia hoje em Fátima, diz o jornal i. O candidato diz, no documento, que é "hipócrita e socialmente iníqua a tendencial gratuitidade da educação e da saúde, levando a que haja espaço para uma educação/saúde de primeira e de segunda".
Hugo Soares acrescentou ainda que "pagando todos o mesmo, a afectação de recursos é feita de forma ineficiente. Quem tem mais tem de pagar mais, para podermos proteger aqueles que têm menos rendimento", conta o i JSD quer abrir debate sobre revisão da Constituição. “É hipócrita a tendencial gratuitidade da educação e da saúde”, escreve Hugo Soares

A análise

O futuro líder da JSD defende o fim da educação e da saúde tendencialmente gratuitas em Portugal. Estas é uma das ideias mais polémicas da moção “Cumprir Portugal”, que Hugo Soares – único candidato à liderança – vai levar ao congresso dos jovens social-democratas, que hoje começa em Fátima.

O candidato à liderança considera, no documento, que é “hipócrita e socialmente iníqua a tendencial gratuitidade da educação e da saúde, levando a que haja espaço para uma educação/saúde de primeira e de segunda”. “Pagando todos o mesmo, a afectação de recursos é feita de forma ineficiente.

Quem tem mais tem de pagar mais, para podermos proteger aqueles que têm menos rendimento”, acrescenta, na moção, o próximo líder da JSD. A proposta surge no âmbito do “debate da revisão constitucional” que os jovens social- -democratas querem lançar na sociedade portuguesa com urgência, sobretudo em relação às funções do Estado. Em declarações ao i,

Hugo Soares sublinha que “acabou o tempo em que todos pagam o mesmo, independentemente dos seus rendimentos”, dizendo mesmo que não concebe “uma sociedade em que alguém que ganha 700 euros pague o mesmo que alguém que ganha 2 mil euros” pelo acesso a um serviço de saúde. O também deputado social-democrata admite, porém, que no caso da educação estes princípios se aplicam “sobretudo ao ensino superior e profissional”.

A possibilidade de acabar com o ensino gratuito provocou polémica quando, há duas semanas, o primeiro-ministro sugeriu, em entrevista à TVI, a introdução de propinas no ensino obrigatório. A confusão só terminou quando Passos Coelho garantiu que não tinha essa intenção. “O primeiro-ministro fez o que há muito tempo devia ter sido feito: suscitar o debate sobre quais devem ser as funções sociais do Estado”, refere Hugo Soares, numa altura em que o governo está a preparar um corte de 4 mil milhões de euros nas despesas do Estado.


Os jovens social--democratas prometem bater- -se pela revisão da lei fundamental, já que, argumentam, é “inquestionável que os instrumentos políticos e financeiros, enquadrados na nossa Constituição não conferem resposta adequada aos problemas que o país enfrenta”. 

Numa moção que tem como bandeira a “credibilização da actuação política”, o novo presidente da JSD defende ainda a “criminalização dos actos de gestão que se revelem ruinosos para o erário público”, por parte de agentes políticos: “É preciso discutir este tema sem demagogia, deixando à política o que é da política e à justiça aquilo que é da justiça,”, diz Hugo Soares.

O congresso da JSD arranca hoje e termina no domingo com o discurso do presidente do partido, Pedro Passos Coelho.

O “Esplendor na Relva”. Foi um filme celebre já com umas dezenas de anos. Agora outro filme com titulo semelhante invade a nossa vida. É o “Relvas no seu Esplendor”. Isto a propósito da candidatura de angolanos à privatização da RTP.

Luanda, onde está o Quartel-General dos empresários angolanos. Tem sido noticia nos últimos tempos aqui em Portugal, abundando os chorrilhos e declarações estranhas, ocultando habilmente as suas intenções, no mínimo intrigantes, quiçá misteriosas, outras roçando o insulto sobre o modo de viver da população portuguesa. 

As relações luso-angolanas, depois da independência da antiga colónia portuguesa, passaram por momentos díspares e diversos volte-faces dependentes, em Portugal, do partido de Governo e por outro lado, da parte de Angola, foram durante muito subsidiárias da evolução de uma guerra civil prolongada. A estabilização dessas relações só apareceu, após 2002, com o cessar-fogo que ‘aconteceu’ após a morte lider da UNITA.

Recentemente, Portugal aparece envolvido num outro problema: uma investigação judicial dirigida a altos responsáveis do regime angolano facto que tem alimentado alguma polémica em órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

Não se estranha que Angola tenha imenso poder financeiro, originado pelos lucros da exploração petrolífera. Acabou a guerra pela luta para a independência e depois causada pelas dissensões internas dos movimentos de libertação e agora assiste-se, segundo dão conta os analistas, de corrupção elevada e nefasta onda de favoritismo para os apaniguados do partido do Governo. 

Clientela para os lugares de favor há em todo o lado, mas aqui em Angola é notável pela quantidade.
Estando a investigação policial sobre a corrupção numa fase de repouso, surge hoje um nota de imprensa da empresa angolana Newshold que, na azáfama de ‘abrir’ caminho para entrar no processo de privatização da RTP, 'adianta' algumas considerações sublinhando possuir “disponibilidade” e “meios” para concorrer (seja qual for o modelo que este Governo venha a adoptar) 

Pelo andar da carruagem parece ser notório que ninguém terá explicado a essa empresa de capitais angolanos (e ao que parece também portugueses), sediada no Panamá, que a privatização da RTP não é mais um negócio de uma empresa angolana em Portugal.

O que poderá estar a ser feito é uma absurda pressão sobre um hipotético negócio que envolve, da parte portuguesa, uma empresa pública obrigada constitucionalmente a prestar um serviço público. Ora, neste contexto, os seus protestos de independência em relação ao mundo financeiro e bancário apresentados como um aval para garantir uma linha editorial e de programação que cumpra um serviço público (ainda não cabalmente definido), são absolutamente despropositados e não conseguem ultrapassar o 'novo-riquismo' que infesta muitas empresas de off-shore...
Pior, o alienamento ou a concessão da RTP é um assunto polémico e sensível (politicamente), que divide profundamente os portugueses. E meter a foice em seara alheia não é a melhor credencial para mostrar a sua 'independência'.

Pela nossa parte não consideramos que seja uma ilegalidade os angolanos quererem apropriar se da RTP.Mas o melhor é estarem calados e aguardarem os próximos capítulos

Até que Relvas apareça no seu esplendor.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um ensaio sobre a pobreza. Quem tem dinheiro é um rico. Mas há gente pobre que se podem considerar como as pessoas mais ricas do mundo!

Um ensaio sobre a pobreza. 
Quem tem dinheiro é um rico. 
Mas há gente pobre que se podem considerar como as pessoas mais ricas do mundo! 

HÁ GENTE POBRE, MAS TÃO POBRE, QUE O ÚNICO BEM QUE TEM É… DINHEIRO!. 

Chama-se Armando Fuentes Aguirre e usa o pseudónimo "Catán". 


 É um jornalista mexicano brilhante e por isso, vale a pena ler a sua nota que livremente traduzi: 


 “Proponho-me demandar a revista "Fortune", pois fez-me vítima de uma omissão inexplicável. Acontece que publicou a lista dos homens mais ricos do planeta, e nessa lista não me mencionou. Menciona o sultão do Brunei e também os herdeiros de Sam Walton e Takichiro Mori. Também figuram na listagem personalidades como a Rainha Isabel de Inglaterra, Stavros Niarkos, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcárraga. 


No entanto, a revista não me menciona a mim! E eu sou um homem rico, imensamente rico. Se não vejam: Tenho vida que recebi não sei porquê e saúde que conservo não sei como. Tenho uma família, uma mulher adorável que ao entregar-me a sua vida, deu-me o melhor da minha; filhos maravilhosos de quem não recebi mais do que felicidade; netos com os quais exerço uma nova e gozosa paternidade. Tenho irmãos que são como amigos, e amigos que são como irmãos.

Tenho gente que me ama com sinceridade apesar dos meus defeitos. Tenho quatro leitores a quem agradeço em cada dia, porque interpretam bem aquilo que eu escrevo mal. Tenho uma casa, e nela muitos livros (a minha mulher diria que tenho muitos livros e entre eles uma casa). Tenho um bocadinho do mundo na forma de um pomar que em cada ano me dá maças que terão feito mais presente a ideia de Adão e Eva no Paraíso. Tenho um cão que não se vai deitar antes de eu chegar, e que me recebe como se eu fosse o dono do mundo.

Tenho olhos que vêem e ouvidos que ouvem, pés que caminham e mãos que acarinham; cérebro que pensa em coisas que os outros já pensaram mas que não se me tinham ocorrido antes. Sou dono da comum herança dos homens: alegrias para desfrutá-las e penas para irmanar-me com os que sofrem. E tenho Fé em Deus que tem por mim infinito amor.

Poderá haver maiores riquezas que as minhas? Então, porque é a que revista “Fortune” não me pôs na lista dos homens mais ricos do planeta?

E tu, como te consideras? Rico ou pobre?


” HÁ GENTE POBRE, MAS TÃO POBRE, QUE O ÚNICO BEM QUE TEM É… DINHEIRO


Assinado: Armando Fuentes Aguirre. 


Agradecimento ao meu caríssimo amigo Joaquim M. Silva

A lista continua a aumentar! Este vídeo é de Maio mas hoje continua actual. Eram todos a governarem-se. Pobre país este!.....E agora estamos nós todos a pagar estes governanços incríveis como aconteceram...Afinal todos se aproveitam quando estão no poder...

Atenção ! Os lobos andam por aí! Uivam, uivam, uivam e ferem de morte a dignidade da pessoa humana


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Estas palavrras foram proferidas há precisamente 2067 anos, Hoje servem precisamente para ensinar o nosso malfadado Governo

Agradecimento ao nosso caríssimo amigo Joaquim M. Silva.

Porque no te callas? Isto disse Juan Carlos a Hugo Chavêz. O mesmo digo eu agora a Isabel Jonet!

Porque no te callas? 
Isto disse Juan Carlos a Hugo Chavêz. 
O mesmo digo eu agora a Isabel Jonet

O jornal "i" deu claridade em caixa ao pensamento de Isabel Jonet. “Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social”. Dizemos nós que apesar de ela se esforçar muito em fazer crer que tem um comportamento individual e apolitico, o que é certo é que são os mesmos considerandos expressos pelo vosso primeiro-ministro ( não meu, claro) de que de uma maneira expressa em atitudes se mostra insensível para com o Estado Social, preconizando o que de pior pode para aí vir.

Com o aumento da pobreza e a evidente falência do estado social, Jonet ainda lhe junta uma crítica ideológica à "solidariedade" que ela cola ao Estado. 


É normal, à medida que engrossa a fila do banco alimentar, o poleiro fica mais alto, pedem-lhe a opinião, dá entrevistas, coisa impensável num país com bons indicadores económicos em que a pobreza é um eterno ruído de fundo irrelevante. 


É "mais fria", a solidariedade do Estado, diz Jonet. Preferem os climas quentes, este tipo de aves. Preferem os sentimentos, compreende-se. O Estado existe porque todos (enfim, quase todos) pagamos impostos. É desagradável pagar impostos. É impessoal. Uma pessoa quando dá 1 euro de esmola sente-se bem, mas quando dá 750 euros por mês de IRS, sente-se mal. 


É um facto. Pagamos por coerção, ao fim e ao cabo. Mas somos pessoas quentes, nós, caramba. Pode ser uma coisa "fria", os impostos, mas sempre é uma grande fatia do rendimento de quem os paga e uma pequena fatia disso dava para imensas latas de atum e pacotes de arroz, não as usassem para coisas discutíveis."


Para mim, que não conheço pessoalmente ambos e não tenho qualquer gosto nisso, considero que Isabel Jonet segue os "passos" do Passos Coelho.


Damos a palavra ao nosso amigo Samuel do “Cantigueiro”. 

A senhora Isabel Jonet terá amigos a sério? Daqueles capazes de lhe dizer olhos nos olho “ó mulher, cala-te!”? Eu sei que retirar frases de um contexto pode ser um erro, ou mesmo uma maldade para com um entrevistado... mas a frequência com que isso acontece à senhora Isabel Jonet já deveria ter acendido uma qualquer luz de alarme no seu cérebro. 


Desta vez atira pela boca fora: «Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social». É, sem sombra de dúvida, um direito que lhe assiste. Ainda assim... a verdade é que por mais voltas que se dêem e por mais injusto que isso seja para com a “caridade”, exércitos de beatas arrogantes sempre mais inclinadas a invocar a ira e os castigos de Jeová do que o amor de Cristo, responsáveis por muitas gerações de “caridadezinha”, acabaram por identificar a caridade, não com a poética e bíblica noção de amor incondicional (e desinteressado) pelo próximo, mas sim com exibição pessoal, interesseirismo para ganhar o céu, ou mesmo muitas vezes, pura arrogância "superior" para com o pobre, que intimamente se condena enquanto publicamente se “ajuda” com a esmolinha.

Na prática, a caridade tornou-se um descargo de consciência, o acto pontual de dar uma coisa qualquer ao pedinte e deixá-lo lá... sentado na mesma esquina, a pedir. Pelo contrário, a solidariedade social, não negando a importância de dar, pontualmente, uma ajuda a alguém em situação desesperada, pressupõe uma atitude que implica a compreensão das causas da pobreza e da exploração que a originou. Implica a disponibilidade para lutar a favor da erradicação dessas causas. Implica lutar pela justiça, para todos, na Terra e não por ganhar, individualmente, o céu.

Está a senhora Isabel Jonet, como já disse, no pleno direito de, intimamente, preferir a caridade à solidariedade social; mas, voltando ao primeiro parágrafo, deveria ter amigos verdadeiros que a aconselhassem a não dizer estas baboseiras em público


Nota de Bancada Directa

Quem é Eduardo Galeano?

È um escritor e jornalista uruguaio. Nasceu em Montevideu em 3 de Setembro de 1940

É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem géneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.




O Teatro no Bancada Directa apresentando a rubrica semanal de Salvador Santos “No Palco da Saudade”. Recordação de hoje é a saudosa actriz Emília das Neves


In memoriam
Emília das Neves, de seu nome próprio Emília das Neves de Sousa foi uma grande actriz dramática do nosso Teatro no Século XIX e era conhecida como a “Linda Emília”. Nasceu em Lisboa em 1820 e faleceu nesta mesma cidade em 19 de Dezembro de 1883

O Teatro no Bancada Directa.
Apresentando a rubrica semanal de Salvador Santos “No Palco da Saudade”. 
Recordação de hoje é a saudosa actriz Emília das Neves 

 No Palco da Saudade 

 Texto inédito e integral para o Bancada Directa 

EMÍLIA DAS NEVES 

 

O decreto da rainha D. Maria I que proibia as mulheres de representarem em palco, em nome dos bons costumes, levou a que o público português se afastasse do teatro, principalmente pelo ridículo de ver homens a interpretar figuras femininas. Logo após a revogação daquele diploma, e não havendo companhias teatrais organizadas e em laboração, os palcos de Lisboa foram literalmente invadidos por troupes espanholas e francesas.

Numa delas viria o actor Emile Doux, que acabou por ficar entre nós com a ideia de formar uma companhia constituída por artistas portugueses. Amigo de Almeida Garrett, ele tornar-se-ia no primeiro grande mestre de actores em Portugal, tendo tido a sorte de encontrar um grupo de alunos notáveis, onde se destacava Emília das Neves. A Linda Emília, como acabaria por ser apelidada pelo povo, foi a maior atriz que o teatro português conheceu entre os anos trinta e oitenta do século XIX, tendo-se tornado num símbolo e num mistério que se foi perpetuando ao longo de várias gerações. São muitas as histórias que se contam sobre o início da sua carreira. 


Diz-se que terá começado como prostituta num bordel de Lisboa, onde declamava poemas de Almeida Garrett, que entretanto viria a apadrinhá-la. Mas também se diz que ela sonhara ser bailarina e que nessa qualidade actuava numa mal-afamada taverna alfacinha, tendo sido aconselhada por um amigo a frequentar as aulas de Emile Doux, onde Garrett a terá visto pela primeira vez, ficando desde logo rendido ao seu enorme talento. 


Emília das Neves. Foto de 1860

O escritor e responsável pela grande reforma operada no teatro português no século XIX terá percebido desde a primeira hora que Emília das Neves era um caso raro de vocação na arte de representar e exigiu que fosse ela a interpretar a Beatriz da sua peça “Um Auto de Gil Vicente”, que subiu a cena pela primeira vez no antigo Teatro da Rua dos Condes, em Lisboa. No final do espetáculo, Garrett foi ao seu camarim para felicitá-la pelo estrondoso êxito que alcançara e disse-lhe: «O seu talento é muito grande para terra tão pequena.


Neste nosso Portugal vai encontrar as maiores amarguras». Ele tinha razão. O génio altivo e inquebrantável da atriz, aliado ao seu talento e à sua beleza, tornava-se incompatível com o meio invejoso e mesquinho onde tinha de viver. Nem sempre foi pacífica a relação de Emília das Neves com as empresas e as sociedades artísticas que geriam os teatros por onde passou. As suas reivindicações eram constantes e visavam fundamentalmente garantir as melhores condições ao desenvolvimento do seu trabalho e acabar com as situações artisticamente degradantes que então reinavam, o que acabaria por beneficiar por arrasto toda a classe artística (onde se incluíam alguns dos seus principais detractores  e o público.

Dom João da Câmara Leme. Casou em primeiras núpcias com Emília das Neves de quem herdou a sua fortuna quando ela faleceu. Outros biógrafos não confirmam este casamento embora admitam que havia uma relação intima entre eles.

Do rol das suas exigências destaca-se, por exemplo, a recusa em fazer duas peças por noite e mais do que catorze por ano, ao mesmo tempo que exigia o mínimo de vinte ensaios por espetáculo e reclamava, imagine-se, o pagamento dos seus salários… a horas! Por tudo isto, não se estranhará que, apesar de idolatrada pelo povo praticamente desde a sua estreia, em 1838, Emília das Neves viesse a ter uma vida profissional carregada de atritos e intrigas, levando-a a várias mudanças de companhia e a recorrentes interrupções na sua carreira.

Mas tal facto não a impediria de alcançar um lugar de relevo na geração da escola romântica do teatro português, bem como o reconhecimento internacional ao ser incluída num grupo restrito de actrizes europeias célebres reunido por uma importante publicação francesa. A isso se ficou a dever naturalmente algumas das suas mais memoráveis criações, designadamente em espectáculos como “Proezas de Richelieu”, “Joana a Doida” e “Maria Stuart”. A carreira de Emília das Neves cumpriu-se essencialmente em Lisboa, nos teatros D. Maria II, Trindade e Ginásio, mas expandiu-se pelo Brasil e por diversas localidades portuguesas, nomeadamente o Porto.


Maria Stuart com 13 anos de idade. Como actriz Emília das Neves interpretou brilhantemente a sua figura


Nesta cidade, a atriz conheceu dois momentos que deram brado na imprensa da época. Na apresentação da tragédia “Judith”, no Teatro Baquet, em 1863, a Linda Emília foi alvo de uma entusiástica recepção do público portuense, que a distinguiu com as maiores ovações alguma vez ouvidas no teatro e com as mais diversas manifestações de carinho sempre que saía à rua. Anos mais tarde o mesmo público brindou-a com uma ruidosa pateada por um inusitado atraso na chegada ao palco, ao mesmo tempo que lhe arremessava moedas. Sem se retratar, a atriz limitou-se a dizer: «Se isso é para os pobres podem atirar mais». 
A reconciliação do povo do Porto com Emília das Neves não tardaria. Em 1871, no regresso da atriz à Invicta para representar “O Gladiador de Ravena”, a Linda Emília seria recebida em delírio. Ela era única! Era capaz dos maiores defeitos, mas sempre assombrosa em tudo o que fazia. E para além de um talento inato, tinha a seu favor uma beleza ímpar.

Os poderes políticos e financeiros perseguiram-na em vida, mas depois de morta inauguraram-lhe um busto esculpido por Soares dos Reis que ainda hoje perdura no átrio do Teatro Nacional D. Maria II. Emília das Neves morreu em 19 de Dezembro de 1883, mas o seu nome continua a ser recordado por todos os que se interessam pela história do teatro em Portugal. 


Como acontece agora neste palco da saudade.


Salvador Santos 
Porto. 2012. Dezembro. 11

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