BANCADA DIRECTA: O Detective Tempicos e seus amigos voltam a atacar.Agora estão nas Caraíbas e desenvolvem "Uma Saga Portuguesa". A Detective Jeremias é a autora do episódio de hoje (5º). Uma volta de 360º ou será 180º?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Detective Tempicos e seus amigos voltam a atacar.Agora estão nas Caraíbas e desenvolvem "Uma Saga Portuguesa". A Detective Jeremias é a autora do episódio de hoje (5º). Uma volta de 360º ou será 180º?

O Detective Tempicos e seus amigos voltam a atacar.
Agora estão nas Caraíbas e desenvolvem "Uma Saga Portuguesa". 
A Detective Jeremias é a autora do episódio de hoje (5º). 
Uma volta de 360º ou será 180º? 

UMA SAGA PORTUGUESA 


Para o leitor que se sente perdido no meio do intrincado enredo desta saga portuguesa, o ponto da situação resume-se em poucas palavras — toda a equipa clínica do “Baldaq Beauty Hall” estava metida numa grandessíssima embrulhada. Tinham horríveis ameaças pendentes sobre as suas cabeças: uma acusação múltipla e infindável de homicídio, fraude, negligência médica, falta de licenciamento etc. etc. e, em consequência disto, a inacessibilidade óbvia à fortuna acumulada nos últimos tempos.

A gritaria e a confusão eram iguaizinhas à Aldeia dos Macacos do Zoo de Lisboa. Clorianus repetia “Estamos feitos! Estamos feitos!”. Ginjinharnes e Jeremias guinchavam em uníssono frases incompreensíveis. Buena Vida sacou da navalha, arrepelava os cabelos e berrava “Ai Madre”, entre cada palavra da lenguaje soez que conseguia recordar. Adrianovitch tentava sobrepor o seu vozeirão — embora sem sucesso — e proferia expressões ofensivas, aqui irreproduzíveis dada a violência do seu teor. Baltazar Novena recitava ladainhas em latim macarrónico, ao mesmo tempo que visualizava soluções airosas para uma eventual estadia na cadeia e via-se já como capelão / confidente da ala feminina.

Segundo refere a autora deste episódio esta mala tipo militar tinha rodas, que aqui não se vêem. Dizia-se à socapa que Adrianovich era eximio em sacar tudo o que fosse rodas para vendê-las ao sucateiro.

Tempicos tentava recuperar a liderança do grupo, esbracejava em cima da marquesa — leia-se mesa das cirurgias — e, aos urros, juntava mais caos à babel da situação. E por onde paravam Gustavito e Sargento Estrela? Perguntará o leitor mais atento. Será que foram esquecidos pela autora deste texto e remetidos com bilhete “só ida” para o limbo dos olvidados? Nada disso, antes pelo contrário, porque serão exactamente eles as figuras centrais da cena que se segue. O grupo, que se arrepelava em pânico, imobilizou-se em “pause mode” com entrada inesperada de Gustavito e Sargento Estrela. Cada um deles puxava com esforço uma mala com rodas de tipo militar — desencantada vá lá saber-se aonde. Tinham os dois um ar confiante e muito bem-disposto. Declararam em coro ensaiado: — O nosso dinheiro está todo aqui! E depois, cada um à sua vez, explicaram aos sete queixos caídos que os observavam estupefactos. Assim falou Gustavito torero: — Eu cá nunca confiei nem em bancos nem em touros de pontas. Confesso! Os lucros nunca foram para o banco e vocês todos sabem que eu e o Estrela é que estávamos responsáveis pelos depósitos… — E eu nem confio em mim próprio! As notas foram directamente prás malas — esclareceu Sargento Estrela, homem parco em palavras.

Dispenso-me de descrever aqui a histeria que se seguiu à divulgação desta notícia. Da Aldeia dos Macacos anterior passaram para um ambiente de selva amazónica em época de acasalamento de araras. A tripe Baldaquiana, ao sentir os bolsos cheios, desatou a mandar para o ar palpites de fuga e sugestões de negócios tão alucinados como a criação de coelhos, ou empresas de aluguer de cortadores de relvas, ou fabrico de portas blindadas… 

Lucio Canário, chefe da Policia de Saint Lucia era um confesso admirador do Detective Tempicos

Dlim dlão… Foram novamente interrompidos pelo som mavioso da campainha da clínica. Tempicos impôs silêncio. 

Dlim dlão… — Bózu! — Ouviu-se a saudação em patwa, o crioulo de St Lucía. Os Baldaquianos suspiraram de alívio. Dlim dlão… — BÓZU! POLICE! Os Baldaquianos tremeram de pavor, porque mesmo os poucos familiarizados com a língua de Shakespeare e Lady Di, entendem o código universal “Police”.


Não havia como fugir. Resumindo o que se passou, com transcrição dos diálogos legendados para facilitar, o chefe da polícia de St. Lucía pretendia uma conversa em privado com o Detective. Tempicos. Este, ao sentir os calinhos apertados e para repartir responsabilidades disse: — Eu sou o líder, mas trabalhamos em equipa, somos um todo. Indivisíveis e inseparáveis. Então, Lucio Canario, caribenho de gema, bigodinho fino a atestar a sua autoridade policial, teceu meia hora de loas ao Detective Tempicos. Dissertou sobre o papel de Tempicos a nível internacional, mostrou estar a par das investigações desenvolvidas por “uma figura ímpar no universo policial”. Paris, Londres, Avenidas da Liberdade e Almirante Reis etc etc…


Lucio Canario fazia o que se designa por um acompanhamento de proximidade dos casos de Tempicos através da Internet e dos jornais de domingo. E se a plateia escutava incrédula tudo aquilo que ouvia, a sala veio abaixo quando lhes garantiu imunidade total e completa sobre eventuais, “e seguramente infundadas” queixas por actividades da “Beauty Hall”. Depois de assegurado o sigilo absoluto, Lucio Canario começou num discurso atabalhoado pelo nervosismo. — Os afogamentos atribuídos à má prática clínica foram, na realidade, crimes. Aliás esta mulher que se salvou foi por causa do “cimento”. O que se passa… o que se passa, enfim… O chefe da polícia fez uma interrupção, para ganhar coragem e aumentar o suspense.  

A Detective Jeremias é implacável. Homicídios nos seus escritos são sempre para mais de uma dezena, neste mais meia.

Temos um serial killer na ilha. Injecta um tóxico letal nas turistas ricas alojadas em hotéis com piscina e elas… elas afogam-se como… como peixes sem guelras. Os primeiros casos conseguimos abafá-los. Identificámos a causa de morte como “paragem cardíaca” para não estarmos a mentir. Ultimamente já se safaram algumas: as operadas no “Beauty Hall”, porque a densidade do produto injectado dificultou a absorção do tóxico… Agora, nove queixos caídos e nove pares de olhos arregalados escutavam sem pestanejar. 


Lucio Canario prosseguiu: — Precisamos, suplicamos a colaboração de Tempicos… e da sua equipa, claro — rectificou, em tempo útil — para solucionar este caso… Quinze mulheres mortas por injecção letal, em comum têm o facto de viajar sozinhas… 


 Um silêncio de assustar mortos caiu sobre os presentes. Viraram-se todos para Tempicos, à espera da sua decisão…


Detective Jeremias

Santarém. 2012. Outubro 30

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