BANCADA DIRECTA: O meu Portugal. Divagando: olhando para a embalagem vazia de uma box de vinho de má qualidade.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O meu Portugal. Divagando: olhando para a embalagem vazia de uma box de vinho de má qualidade.

Quero esquecer-me! 
Mas esquecer-me de quê? 
Já não sei! 



Esta malvada vida faz-me lembrar de tudo e esquecer-me do nada….. Será esta austeridade que me assola e me rouba um pouco de sossego que a minha alma pretendia? Que me confunde o espírito e entorpece-me o raciocínio. 


Pareço que estou insensível a toda esta crise, mas sinto-a no meu desfasamento perante a vida. E penso na miséria e pobreza que assentou arraiais nas famílias, até agora consideradas medianamente colocadas numa sociedade de consumo. 


Tentei esquecer esta incongruência politica, onde se martela nos meus tímpanos a expressão “mais troitkistas que a troika”. De nada me serve assobiar para o lado, as realidades fixaram-se no meu cérebro. Será o álcool a chave para conseguir esquecer-me? 


 Do stock de uma box que me dá para um mês de refeições caseiras ainda me restam um pouco menos de metade. O que havia de beber por uns 15 dias vou beber neste dia turbulento íntimo. Passei dos pensamentos aos factos. Abri as goelas e em goladas ritmadas mas generosas ingeri o liquido volátil. 


Toldou-se-me de imediato a consciência racional e correcta das situações normais. As bochechas encarniçaram-se de vermelho escarlate, sintomas agravados pela má qualidade do vinho que normalmente se vende em boxes nas superfícies comerciais.


Não sei por qual fenómeno anatómico da minha superfície corporal em vez de me esquecer, ainda mais me lembrei da realidade que me rodeia. 


Nem o meu espírito estava baço com uma confusão anárquica, qual sonho que se transforma em pesadelo. Ah sim! a embriaguez virou pesadelo com uma tomada consciente daquilo que nos espera neste desgraçado país. 


 E nem o facto de estarmos todos embriagados com uma situação que nos vai levar ao desespero em breve me fez sentir pesaroso. 


Eu não me conformo, mas sozinho não posso endireitar o mundo. 


Nem Portugal! Da box nem rastos. 


Continuo a beber agua ás refeições
Adriano Rui Ribeiro

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