BANCADA DIRECTA: Esta Lisboa que eu amo! A Sociedade Civil movimentou-se e tenta remediar uma situação acéfala!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Esta Lisboa que eu amo! A Sociedade Civil movimentou-se e tenta remediar uma situação acéfala!

Esta Lisboa que eu amo 
Lisboa. Praça das Flores, ali na zona de São Bento 
A história conta-se em poucas palavras: 

Foi preciso uma noite inteira de trabalho, entre Sábado e Domingo passado (12 e 13 de Maio, com a Virgem de Fátima a desejar-lhes que tivessem sucesso), para um pequeno grupo de cidadãos materializar esta forma de protesto. Dias antes, a Câmara Municipal de Lisboa havia removido um ecoponto que estava num canto da Praça das Flores, na freguesia das Mercês, junto a uma esplanada. Os contentores eram dos que ficam enterrados e, segundo a câmara e os próprios moradores, constituíam um foco de atracção de lixo de toda a espécie. Cheirava mal que tresandava por vezes! Ao invés de restituir o espaço à praça, a autarquia optou por uma alternativa que não agradou a toda a gente: a área dos contentores foi transformada num lugar de estacionamento – um recurso escasso naquela zona da cidade. 


 Em poucos dias, o pavimento começou a ceder com o peso das viaturas, criando-se grandes buracos. E para a Câmara “para grandes males grandes remédios”, a populaça que se lixe, porque quem se lixa é o mexilhão, e vai daí veda o local para realizar obras Foi então que um caro amigo nosso, o professor João Pedro Barreto que lecciona no ISTécnico, resolveu agir. Contactou um grupo de pessoas dispostas a repartir os cerca de 100 euros que custaria o protesto e avançou. “Comprámos a relva e fomos lá de madrugada plantá-la”, afirma. Duas placas no local informam das razões do protesto, uma delas com uma mensagem simples, dizendo que aquele espaço “pertence às pessoas” e não a um automóvel com um único ocupante. 
O mini-relvado surpreendeu os moradores. “Como é que eu não vi isso antes?”, reagiu Ricardo Sobral, dinamizador do blogue “Bicicleta na cidade”, ao sair de um supermercado numa das esquinas da praça, no final da tarde de segunda-feira. “Isto está seguro?”, perguntava, na mesma altura, Mariana Miranda Calha, que tinha antes reparado nos buracos do lugar de estacionamento. “Acho muito bem, fica bonito assim”, afirma agora. Mas não é tudo. Naquele bairro, como noutros em Lisboa, a recolha de lixo porta a porta está a criar grandes problemas, com muitos moradores a deixarem os sacos durante o dia todo na rua, quando só serão recolhidos à noite. O ecoponto também era um destino desta prática. “O contentor era uma vergonha”, diz Mariana Calha. “Quando tiraram o ecoponto, achei que era boa notícia”, completa João Barreto. 


 Para a Câmara de Lisboa, remover o ecoponto era o objectivo principal – no âmbito de um plano para reduzir apenas aos vidrões os contentores de reciclagem na maior parte da cidade até 2013, ficando o resto abrangido por recolha porta-à-porta. “Não fazemos questão que aquele espaço seja um lugar de estacionamento. Se for da vontade dos moradores que seja parte da praça, estamos disponíveis para analisar o assunto”, afirma João Camolas, assessor de imprensa do vereador José Sá Fernandes, que tem o pelouro dos espaços verdes. No caso da Praça das Flores, no entanto, a ocupação é mais permanente. 


Mas por pouco, o relvado não morre à nascença. “Terminámos de colocá-lo às 6h da manhã e às 8h acordaram-me dizendo: ‘Estão a tirar a relva’”, conta João Barreto. Na verdade, era uma empresa de construção civil, que viera arranjar os buracos do lugar de estacionamento. Antes de nivelar e consolidar o terreno, os trabalhadores retiraram cuidadosamente cada placa de relva e depois amontoaram-nas de modo ordenado no local, permitindo a sua rápida reposição. Agora, apesar da sua dimensão, a micro área verde já está a atrair os utentes mais imediatos de um jardim: em meia-hora, na segunda-feira à tarde, viram-se pelo menos duas crianças a brincar na relva e um cão prestes a dar-lhe uso sanitário a preceito. 
Contribuições 
 O espaço pedonal da Praça das Flores (em Lisboa) está prestes a perder 18m2, transformados num lugar de estacionamento. O que antes era espaço usufruído por todos passará a estar ocupado por um carro, que lá poderá estar estacionado durante algumas horas ou mesmo dias. Retira-se espaço público de todos para benefício de um. Antes do novo lugar de estacionamento ser aberto aos carros, alguns cidadãos cobriram-no simbolicamente com um manto de relva verdadeira fresca - para ser usufruído por todos os cidadãos. "


Queremos com esta acção causar reacção entre os moradores, entre todos os que usufruem da praça, e entre os decisores locais. Queremos tornar mais óbvio o enorme valor que a comunidade perde quando parte do espaço público pedonal é transformada em estacionamento. Enquanto o lugar de estacionamento não é aberto aos carros, apelamos a todos: passem pela Praça das Flores e usufruam do espaço relvado enquanto ele ainda existe. Para beber um refresco, para um piquenique, para ler, para descansar."  


Uma parcela da praça fora recortada, abrindo espaço a mais um automóvel. Mas um grupo de moradores não gostou e agora lá estão 18 metros quadrados de relva fresca. Eis uma nova forma de ocupação cívica do espaço público em Lisboa.

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