BANCADA DIRECTA: Catarina Eufémia : morreu faz hoje 58 anos

sábado, 19 de maio de 2012

Catarina Eufémia : morreu faz hoje 58 anos

19 de Maio, morre Catarina Eufémia, símbolo da luta contra o Estado Novo

Catarina era inimiga acérrima de Salazar, isto é das políticas de repressão que eram levadas a cabo pelo famigerado Estado Novo. Catarina Eufémia foi uma ceifeira, analfabeta, morta a tiro durante uma greve contra o Estado Novo, a 19 de Maio de 1954, com um dos seus três filhos ao colo. Transformou-se num símbolo da luta dos trabalhadores.


O exemplo de Catarina é a melhor personificação das lutas implacáveis que no Alentejo os trabalhadores travavam com as forças que representavam a defesa das políticas repressivas aos cidadãos que ousavam levantar a palavra contra tão odiosa ditadura que esmagava os desejos e anseios de uma classe pacifica, ordeira e trabalhadora..


Hoje é dia de recordar esta ceifeira que, um dia, ousou soltar um grito contra o regime e de recordar a Liberdade. 


Contribuições 
Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de Fevereiro de 1928. Dedicou a sua vida ao trabalho rural, como ceifeira, analfabeta. Durante uma greve, a 19 de Maio de 1954, foi baleada no Monte do Olival pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana. Tinha então 26 anos e carregava ao colo um filho de oito meses, no momento em que é assassinada.
A vida e morte de Catarina Eufémia acabaram eternizadas pela História, cantadas por Zeca Afonso, contadas pelos poemas de Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, Maria Luísa Vilão Palma e António Vicente Campinas. 

CATARINA EUFÉMIA


Na vasta planície os trigos não ceifados.
Ao longe oliveiras batidas pelo sol.
Tu serena caminhas para os soldados
com a ideia, para todos um farol.


A brisa não se levantara.
Ias armada apenas da razão.
Contigo os milhões que têm, fome
contigo o povo que não come
e que ali cultiva o nosso pão.


O monstro empunhava as armas de aço.
Tu pedindo a paz serena caminhavas
levando um filho no colo outro no regaço.


As armas dispararam, tu tombaste.
Com teu sangue a terra foi regada.


E ali à luz do sol que tudo ardia
dava mais um passo a nossa caminhada.


Na boca da mulher assassinada
certeza da vitória nos sorria.
o sol que o teu sangue viu correr
que teus camaradas viu ali aflitos
ouvirá amanhã os nossos gritos
quando o novo dia amanhecer


Que nessa terra heróica - Baleizão -
onde se recolhe o trigo branco e loiro
teu nome gravado em letras de oiro
tem já cada um no coração



O poema é do Francisco Miguel Duarte e o desenho é do José Dias Coelho

1 comentário:

luis pessoa disse...

Caro Adriano, hoje completam-se 58 anos, menos 10 que os indicados, por engano, no título.
Parabéns pela lembrança da data do acontecimento.
Abraço

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